Não adianta mais se perguntar o porque de tantos remakes e reboots serem produzidos todos os anos. Isso já faz parte do modelo hollywoodiano de produção de filmes e só começará a ser repensado quando as bilheterias (o dinheiro, sempre ele) começarem a mostrar o reflexo do cansaço do público. O que devemos perguntar agora é sobre a qualidade desses reboots e remakes, agregam alguma coisa ao cânone da obra original ou é um mero caça níquel? Felizmente, Jumanji: Bem-vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle, 2017) atualiza de modo competente e divertido o filme anterior, inaugurando uma possível franquia nas mãos da Sony.

Convenhamos, o filme de 1995 (e hoje clássico da Sessão da Tarde) não é uma obra prima, mas tinha suas qualidades, principalmente na atuação de Robin Williams e nos efeitos práticos dos animais que saiam do jogo para desespero das crianças envolvidas no longa. Este mais recente não é um remake, nem um reboot, mas uma espécie de continuação. Em 96, o jogo é reencontrado e passa por uma mudança, se transformando num cartucho de videogame. Anos depois, uma turma em detenção acha o mesmo cartucho e embarca na aventura, que continua tão insana quanto, mas com novas regras e limitações.

“Quem ainda joga jogo de tabuleiro?” A fala de um dos personagens exemplifica bem o espirito do longa de Jake Kasdan, que prefere se voltar para a geração atual, de cabeças mergulhadas em smartphones e internet. Narrativamente (assim como o anterior) o filme se utiliza dos clichês conhecidos do gênero de modo inteligente, usando o cenário do high school americano, com suas castas sociais definidas, para exemplificar a evolução dos personagens da trama. O grupo não poderia ser mais eclético: o nerd magrelo, a popular fútil, o jogador astro com problemas de aprendizado e a garota tímida sem habilidades sociais. Ao serem transportados para o jogo, cada um deles recebe um avatar que é o exato oposto, dando a oportunidade de eles repensarem suas atitudes e escolhas dentro do mundo do jogo. É óbvio, mas a mensagem de superação e evolução são bem trabalhadas, soando pertinente e orgânica no desfecho.

Mas o mais interessante do filme é que ele acaba se tornando um dos melhores filmes de videogame que não é exatamente baseado em um. O uso inteligente dos elementos advindos das narrativas eletrônicas são uma das melhores coisas do filme. As vidas contadas, a progressão narrativa em fases (ou estágios), os NPC (personagens não jogáveis), os menus e habilidades definidas; são elementos como esses que tornam fácil a identificação da inspiração na mídia e que não atrapalham o ritmo da exibição.

Jumanji: Bem-vindo à Selva
Jumanji: Bem-vindo à Selva

O quinteto principal de atores está no ponto. Dwayne Johnson não tem a mesma desenvoltura de comédia que Williams, mas compensa no quesito ação (já que o filme é recheado dela). Kevin Hart avança um pouco mais no quesito, mas está comedido. Karen Gillan encarna bem a dicotomia da garota envergonhada que se descobre uma badass no decorrer da aventura. Nick Jonas faz o que pode dentro de suas limitações. O grande destaque, no entanto, vai para Jack Black. Ao dar vida a patricinha que se vê presa no cormo de “um homem gordo de meia idade”, ele aproveita para espremer até a ultima gota de suas habilidades na comédia, entregando uma atuação engraçada e que rouba vários momentos do filme para si.

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Fazer bem feito. Jumanji: Bem-vindo à Selva entrega uma obra comum, mas que se destaca por justamente utilizar esse “comum” para desenvolver um trabalho competente. Porque tem dias em que o bom “arroz e feijão” narrativo é tudo o que se é necessário para se fazer um bom filme.

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Sony Pictures Brasil 

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REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
jumanji-divertido-competenteJumanji: Bem-vindo à Selva entrega uma obra comum, mas que se destaca por justamente utilizar esse “comum” para desenvolver um trabalho competente. Porque tem dias em que o bom “arroz e feijão” narrativo é tudo o que se é necessário para se fazer um bom filme.