
Você achava que Happy Endings, apesar de agradável, ainda não tinha conseguido de fato encontrar sua medida certa? Seus problemas acabaram!
Spoilers abaixo:
“Like Father, Like Gun” nos apresenta a mais um capítulo focado no personagem de Brad. Desta vez, seu pai (interpretado pelo pai do ator na vida real, Damon Wayans) está visitando Chicago para fazer exames médicos e Jane passa a insistir para que o marido se abra mais com o pai, e diga que o ama. O ato acontece com uma facilidade maior do que estaríamos habituados e faz com que Brad passe a querer que o pai se abra com ele. Mas, ao mesmo tempo, a preocupação dos exames fez com que o pai tivesse uma epifania de que estava ficando velho e passar a querer aproveitar a vida.
O ator convidado, Damon Wayans (os mais velhos poderão se lembrar dele pelo seu trabalho na vencedora do Emmy, In Living Color e My Wife and Kids) é o grande destaque do episódio. Percebam a sua preocupação ao notar a estranheza da situação no momento que o filho revela que o ama, um dos pontos altos da trama. O lado bom é que seu filho, Damon Wayans Jr., não deixa nada a desejar ao seu lado. Os dois atores juntos conseguem fazer muito bem a relação pai e filho, chegando inclusive a tocar nas cenas finais.
Essa trama consegue a tarefa difícil de equilibrar bem entre a parte dramática, de forma que possamos sentir que o drama de Brad e seu pai é legítimos, e ter boas doses de humor. Se nada mais tivesse no capítulo, este já valeria a pena.
Enquanto isto, a série nos apresenta a duas sub-tramas que visam um foco mais no humor, e conseguem cumprir essa proposta muitíssimo bem.
A primeira delas envolve Penny que, após convencer Alex a sair em busca de rapazes, acaba conhecendo alguns italianos que não sabiam falar inglês, mas por sorte, Penny fala italiano fluente. Entretanto, no outro dia, ela descobre que sua habilidade com a língua italiana só funciona com a seguinte condição: ela precisa estar bêbada.
Casey Wilson mostra que é a melhor comediante entre as mulheres da série, principalmente devido à bebida ingerida por sua personagem, que acaba utilizando uma composição um pouco diferente da que estamos habituados, e podermos ver Penny de uma forma mais descontraído do que é a comum. Entretanto, o que mais me impressionou foi o fato de eu, pela primeira vez, ter conseguido gargalhar com uma piada envolvendo a Alex… E isso ocorreu duas vezes. Não que Elisha Cuthbert tenha melhorado como atriz, pois estaria mentindo caso afirmasse isso, mas pelo fato de o roteiro e a direção conseguirem fazer com que as piadas não dependessem dela, mas sim de gags visuais, uma delas envolvendo a costela e outra a com uma referência ao jogo Mario que, embora sem a inteligência da referência a O Senhor dos Anéis do terceiro episódio, consegue divertir.
A última trama se dá por uma brincadeira de tiros envolvendo Max e Dave. Confesso que no início essa história era um pouco cansativo, mas logo ela mostra sua razão de existir e consegue atingir os melhores momentos da série até dado momento quando eles, com ajuda de Alex, passam a querer acertar um tiro no homem que estava fazendo sexo no prédio ao lado.
Temos aí desde homenagens a filmes de guerra, como a cena clássica da câmera mirando de baixo para cima em Dave como se ele estivesse a ameaçando com a arma ou quando Max tenta se infiltrar no apartamento do homem para abrir a janela. Por sinal, percebam o diálogo de Dave e Alex nessa cena, consegue homenagear perfeitamente os diálogos de filmes do gênero. Por sinal, todos viram a “bala mágica” de Matrix quando o projétil é disparado pela última vez? Não é a toa que ela acabou ocasionando um incêndio.
A trilha sonora também se mostrou muito boa nos momentos que foi exigida: “Mambo Italiano” no momento em que Penny resolve beber para falar italiano e “Cats in the Craddle” quando Brad está passando um tempo com seu pai. Fora que o uso se dá em ambos os casos com o objetivo de agilizar as cenas, sem cair na armadilha padrão de comédias em utilizar as músicas apenas com o objetivo preguiçoso de sugerir ao espectador o que ele deveria sentir.
Finalmente parece que Happy Endings conseguiu alcançar a medida certa entre o humor e o desenvolvimento de personagens, além de misturar doses de humor puramente visuais com referências mais complexas. Melhor capítulo da série até agora e um dos pontos altos das comédias na semana. Caso esse ritmo se mantenha,ficarei imensamente satisfeito.













