É inacreditável a forma como o Moffat consegue surpreender e se superar. Chega a dar medo.

Spoilers Abaixo:

The Impossible Astronaut foi uma season premiere sensacional. Foi empolgante, divertida, tensa… O episódio mal começou e eu já assistia de boca aberta (literalmente) sem acreditar no que estava vendo. O Moffat tem a coragem que falta aos demais roteiristas de TV da atualidade. Aconteceu tanta coisa que fica difícil acreditar que o episódio tem apenas 40 e poucos minutos. O roteiro incrível soube disfarçar as suas setas e explicar a trama para os fãs mais novos – em idade ou familiaridade com a série – ao mesmo tempo em que deixava a todos no escuro sobre grande parte da trama.

Steven Moffat é mestre em criar situações impossíveis para em seguida desfazê-las com uma facilidade irritante, basta lembrar-se dos cliffhangers criados pelo roteirista nas temporadas anteriores. Mas, desta vez ele se superou. Não é qualquer roteirista que tem coragem de matar em ‘definitivo’ um personagem que é parte da cultura pop britânica (e, em menor escala, mundial) há mais de 47 anos. Até porque um roteirista qualquer não teria a total confiança do público no fato de que ele é capaz de reverter tal situação impossível. É óbvio que o Moffat vai ter que contornar de alguma forma a morte do Doutor. Como ele vai fazer isso eu não faço ideia, mas só o fato de a série ter coragem de começar a temporada com algo assim, já me dá muito orgulho de ser fangirl de Doctor Who.

Só eu fiquei com a impressão de que a cena da morte do Doutor é a season finale ou pelo menos a finale da primeira parte da temporada? E outra coisa que fiquei pensando: onde está a TARDIS do Doutor do futuro?

Seguindo com a trama, a química entre o Matt Smith e  Alex Kingston só melhora a cada novo episódio. Sensacional a interação entre a River e o Doutor, começando pela entrada triunfal da Dra. Song – mesmo já tendo visto a cena no trailer foi impossível não sorrir com o já tradicional “Hello Sweety”. Eu sempre abro um sorriso quando ouço a River dizer Sweety ou Spoilers. Outra coisa muito legal em relação aos dois foi a ideia do dia negro da River, porque nós já vimos esse dia e sinceramente, eu não tinha parado para pensar os encontros dessincronizados entre ela e o Doutor sobre o ponto de vista da River Song. Eu acho essa ideia de eles se encontrarem na ordem errada tão legal, é o tipo de coisa que é a cara do Moffat simples e genial.

Gostei bastante da coisa toda de Doctor Who vai a America tão anunciada pelas BBCs – no Confidential a empolgação de elenco e produção em estar filmando nos Estados Unidos chega a ser engraçada. O melhor foi mesmo o TARDIS na Sala Oval e o Doctor sentado na cadeira do presidente e exigindo uma Fez. Tem como não amar isso? Outra coisa legal de Doctor Who ir aos EUA foi a participação do Mark Sheppard, desde Battlestar Galactica que sou fã, e o cara aparece em tudo que eu assisto, parece até perseguição. Curiosidade para quem não viu o Confidential: a versão mais velha do personagem do Sheppard foi interpretada pelo pai do ator.

Finalmente chegamos ao Silêncio, e sério, que conceito foda (desculpem, mas nenhuma outra palavra faria justiça). Não me canso de dizer que o Moffat é gênio. Se o Silêncio é ou não mais assustador que os Weeping Angels, ainda não me arrisco a dizer, mas que a ideia por trás dos vilões tem potencial para isso tem. Sempre me surpreendo com a capacidade do Moffat de transformar medos básicos compartilhados por praticamente todos nós em monstros de Doctor Who. O que faz os monstros do Moffat serem tão assustadores é a simplicidade das ideias.

E que final foi aquele? River e Rory encontrando o TARDIS que desapareceu em The Lodger, a revelação inesperada da Amy (que certamente tem relação com a trama toda) e a personagem atirando contra a menina na roupa de astronauta. O melhor foi terminar o episódio e perceber que você não sabe absolutamente nada sobre a trama do episódio (e da temporada).

Foi uma premiere impecável, como se esperava. Semana que vem começa a difícil missão de responder todas as perguntas que The Impossible Astronaut deixou. Como eu disse no aquecimento, se o roteirista-chefe de Doctor Who fosse qualquer outra pessoa (a exceção talvez do Russell) eu estaria apavorada.

PS. Se o que eu vi no Universo Who sobre o Silêncio estar em Doctor Who desde a premiere da 5ª temporada for verdade eu oficialmente tenho medo do Moffat.

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