Outlander entrou na sua nova fase em grande estilo, com um episódio brilhante e inovador. The Doldrum serviu para acalmar os ânimos daqueles que duvidavam da capacidade que a série tinha em se renovar (sim, eu admito que fazia parte desse grupo), criando um clima favorável e empolgante para a trama da próxima temporada. Com um ambiente totalmente único (como a viagem no barco, as interações em alto mar e as características que a acompanham), elementos nunca antes vistos na série e uma nova abertura, adaptada ao cenário da Jamaica (com detalhes específicos do país, como, por exemplo, a selva, plantas oriundas da América Central, danças típicas, som de tambores, etc), o episódio dessa semana se consagra pela sua riqueza de cuidado na trama e nos detalhes narrativos, tornando-se um dos melhores até então.

A trama segue de onde parou em First Wife, quando o Jovem Ian foi sequestrado. Descobrimos seu possível paradeiro através de Jared, o primo de Jamie inserido na temporada passada (é bom rever rostos conhecidos novamente, excetuando-se Laogharie, é claro), que revela que o jovem pode ter sido levado pela brigada La Bruja, para a Jamaica. Com isso, Jamie e Claire entram em uma fase totalmente nova na série, conseguindo passagem na Artemis, um navio que também segue para o país, junto de Fergus, Yi Tien Cho e, inesperadamente, Marsali, a filha mais velha de Laogharie, apresentada na semana passada. Com uma dinâmica que tinha tudo para ser cansativa e lenta (por representar um momento de transição e mudança de núcleo), o episódio surpreende com diálogos bem feitos, desafios interessantes, conflitos empolgantes e um desfecho de cortar o coração de qualquer fã do casal principal.
Apesar de ser um episódio introdutório, The Doldrum cumpre muito bem seu papel, apresentando os principais desafios que Claire e Jamie encontrarão em seu caminho até o Jovem Ian, e ainda vai além em sua proposta. A escolha de explorar o novo cenário foi uma tacada de mestre, na medida em que introduz as superstições marinheiras e as interações que o acompanham. Ficou claro para nós, os telespectadores que nunca leram a saga literária de Diana Gabaldon, que ainda há muito a ser explorado, que a gama de possibilidades se expande a cada episódio apresentado. Claire e Jamie no momento devem resgatar o Jovem Ian na Jamaica, onde provavelmente irão colidir com escravagistas, terão novas experiências em alto mar, assim como ilhas desertas (como foi possível ver na música de abertura, com Claire sozinha), e se conectarão com novos elementos e personagens. Após isso, o retorno à Lallybroch, a ida para a França, o reencontro com John Grey, a possível aparição de Brianna e muito mais. O leque só aumenta!

Além disso, o episódio trouxe à telinha o mais novo casal da série, Fergus e Marsali, representando mais um desafio na vida de Claire e Jamie, tendo em vista a conexão da personagem com Laoghaire. A presença de Marsali é mais uma lembrança da mentira que Jamie contou, de tudo o que ele viveu com a mulher que mais odeia Claire, o que pode, nos episódios futuros, causar desconfortos e novos conflitos para o casal principal. Marsali ainda não nos conquistou (talvez pelo seu vínculo com Laoghaire, o que, automaticamente, faz com que o telespectador não goste dela), mas pelo menos é interessante ter novo um motivo para que Fergus tenha mais tempo em cena, visto que ele está completamente apagado nessa temporada. Quais problemas essa união ainda pode trazer? Até que ponto Marsali pode prejudicar a relação de Claire e Jamie ao estar inserida no mesmo ambiente que eles agora?

Outro ponto que deve ser ressaltado é a atuação do ator coadjuvante Gary Young, responsável pelo papel do inteligente Mr. Willoughby (Yi Tien Cho). Já é de conhecimento geral que Sam e Caitriona dão um show na série desde sua estreia (com Sam sendo o destaque principal dessa temporada, não desmerecendo, é claro, a força que Caitriona mostra em suas cenas), mas os atores secundários, até então estavam apagados nessa nova etapa da série. César Domboy, por exemplo, conseguiu transparecer a essência do Fergus que estamos acostumados, mas ainda não vimos nenhum momento digno de aplausos do ator no papel. Gary Young, pelo contrário, surpreendeu a todos (por fazer um personagem tímido e que teve poucas falas desde sua entrada na série) com a história da vida de Yi Tien Cho, emocionando o telespectador e se igualando ao patamar de Sam e Caitriona. Que venham mais cenas como essa, dando oportunidade aos personagens de apoio, que tem tanto potencial quanto os principais de Outlander.
E por falar nos personagens principais da série, reservo por último assunto, o desenvolvimento da relação de Claire e Jamie. Se em First Wife o relacionamento do casal estava por um fio, por causa dos segredos que Jamie escondeu de Claire, em The Doldrum parece que o amor deles está cada vez mais próximo do que era no passado, talvez até alcançando novos níveis de união. Apesar dos empecilhos encontrados ao longo dos dias que se seguiram ao reencontro, como, por exemplo, Laoghaire, Marsali e o medo de Jamie em contar detalhes de sua vida para Claire (ao esconder a acupuntura da esposa, com medo dela sentir-se ultrajada), o amor do casal está destinado a se recuperar. Durante todo o episódio eles estavam descontraídos, totalmente à vontade um com o outro, diferente do clima tenso das semanas anteriores. Todas as cenas foram belíssimas, desde os momentos hilários até os de perigo, mas três, em especial, se destacaram.
Foram elas: quando Claire descobre que Jamie guardou suas roupas, revelando seu apreço às memórias do passado, com ela surpreendendo-se (isso foi importante para Claire, pois dá forças e esperança à sua relação, mostrando que, apesar das novidades em torno de Jamie, nada nesse tempo afastados mudou o que eles sentem um pelo outro); a cena ao luar, a mais bela da série até o momento (na minha visão), com Claire falando da falta que sente de Brianna, conectando suas lembranças da filha com o ruivo e transmitindo um momento de relaxamento, apaixonante do começo ao fim, como nunca antes visto com o casal nessa temporada; e após fazerem amor no navio, quando Jamie revela que ama Claire ainda mais por ela estar com os cabelos brancos novamente, renovando o amor entre eles e derrubando todas as barreiras que a personagem construiu antes de seu retorno. Afinal, é ou não é a coisa mais linda desse mundo, Sassenachs?!

Por fim, o que podemos esperar de Heaven & Earth, o próximo episódio? De um lado, Claire estará vivenciando uma epidemia de febre tifoide, algo totalmente novo (em sua realidade atual, tendo em vista que ela pode ter vivenciado a doença no seu trabalho em Boston), sem os aparatos, remédios e as condições que ela está acostumada a lidar na medicina de sua época de origem. Mas será que ela está preparada para conter uma doença tão perigosa naquele tempo, de forma tão precária e num ambiente desconhecido? E Jamie, ele se contentará em seguir para a Jamaica sem a Claire, deixando que o destino os una novamente depois? O que vocês acham que irá acontecer da semana que vem em diante? Não se esqueçam de deixar seus comentários ao final do texto, vou fazer o possível e o impossível para ler e responder todos vocês!
Bem, isso é tudo por hoje, Sassenachs. Aguardo vocês na próxima semana, com o décimo episódio dessa temporada, ok? Abaixo deixo algumas curiosidades sobre “The Doldrum”, espero que gostem! Aliás, mais uma vez agradeço o carinho de todos, vocês são sensacionais!
Curiosidades:
The Doldrum
Para quem não sabe, “Doldrum” é uma expressão de uso histórico marítimo, que se refere a uma calmaria na região equatorial dos Oceanos Atlântico, Pacífico e Índico. Ela é afetada pela Zona de Convergência Intertropical, causando baixa pressão do ar pela temperatura elevada devido à incidência dos raios solares. Os ventos tornam-se calmos no nível do mar, mas a imprevisibilidade do tempo pode fazer dessa região uma área de tempo mais severo, sujeita à formação de furacões. Apenas Outlander sendo perfeita nos mínimos detalhes (como sempre), não é verdade?
Febre Tifoide
Para quem não se lembra das aulas de biologia, febre tifoide é uma doença de distribuição mundial associada a baixos níveis socioeconômicos, com situação precária de saneamento básico, higiene pessoal e ambiental. Por isso, está praticamente extinta em países onde esses problemas foram superados. No Brasil, ocorre de forma endêmica, com algumas epidemias onde as condições são mais precárias.
Mico do ano
Ficaram sabendo do que a Fox Premium (no canal FOX Premium 1) fez ontem?! A empresa transmitiu o 9º episódio da 3ª temporada de Outlander de madrugada (fora do seu horário normal) e ainda exibiu com legendas da série The Girlfriend Experience. Legendas como “estou muito molhada”, “seu pa* é tão grande”, entre outras, apareceram no lugar de diálogos da Claire, do Jamie e outros personagens da série. Que “micão” hein Fox?! Erraram feio, erraram rude!
Supertições Marinheiras
Bem, não sei vocês, mas, de todos os detalhes de The Doldrum, o que eu mais achei interessante foram as supertições dos marinheiros no episódio. Por esse motivo, busquei outras crendices marinheiras para compartilhar com vocês, como, por exemplo:
– Diziam que derramar vinho no deck pode trazer sorte numa viagem longa;
– A expressão “entrar com o pé esquerdo” também se aplica em alto mar, pois os marinheiros acreditavam que isso atraía infortúnio a bordo;
– Não se deve iniciar uma viagem em uma sexta-feira (foi numa sexta que Cristo foi crucificado);
– Não se deve iniciar uma viagem na primeira segunda-feira de Abril (é o dia que Caim matou Abel);
– Flores são azar a bordo (por causa do serviço fúnebre);
– Gato preto é sinal de boa sorte, o inverso do que é dito em terra firme;
– Não poder mencionar a palavra “coelho” a bordo, pois os animais costumavam roer o casco das embarcações (Claire mencionou ao falar de Brianna com Jamie, lembram?);
– Matar um albatroz ou uma gaivota trás má sorte (eles acreditavam que estas aves continham as almas de marinheiros perdidos no mar);
– Cortar o cabelo e unhas e atirá-las ao mar é um sinal de má sorte;
> Minha Série Vs. Sua Série #4 feat Natalia Kreuser
– Roupas de um marinheiro não são usadas por outro marinheiro na mesma viagem, infortúnios podem cair sobre a embarcação inteira.















