Alex (Kate Winslet) é uma repórter fotográfica que decide fazer uma matéria nas vésperas do casamento. Quando uma nevasca a prende no aeroporto ela encontra Ben (Idris Elba), um neurocirurgião, que se encontra na mesma situação. Decididos a sair dali eles fretam um avião particular em conjunto, avião esse que acaba caindo no meio das montanhas após o piloto passar mal e morrer. Isolados da civilização, eles terão de lutar contra a imensidão gelada para sobreviver.

A sinopse pode passar a impressão de um filme de ação ou no mínimo um drama de aventura para os espectadores mais distraídos, mas Depois Daquela Montanha (The Mountain Between Us, 2017) é um romance que se utiliza dessas matrizes de outros gêneros para poder destrinchar a construção de um relacionamento em meio ao estresse da sobrevivência. Geralmente em filmes do tipo, a construção da relação do casal se dá antes do desastre e justamente através dele é colocada em prova. Aqui acontece o inverso é através do infortúnio que o amor e a afeição surgem.

Hany Abu-Assad se utiliza então da natureza como um espelho metafórico para o que acontece entre os dois personagens. O filme contrasta com bastante técnica o uso de planos para passar essa sensação, indo dos planos abertos que colocam os humanos em comparação com a imensidão natural (com os belíssimos montes e as florestas cobertos de neves gravados em condições reais de clima) aos close-ups expositivos que dão oportunidade para os atores trabalharem as camadas psicológicas de cada um. Infelizmente isso não salva o filme de alguns erros crassos. Se por um lado temos problemas gritantes de continuidade na montagem, no outro temos um posicionamento óbvio no roteiro de Chris Weitz, que subestima a inteligência do público ao se utilizar de diálogos expositivos para explicar elementos que são facilmente captados por aquele que assiste.

Depois Daquela Montanha
Depois Daquela Montanha

E isso acaba refletindo também na atuação. Winslet e Elba são dois bons atores da dramaturgia inglesa, mas em alguns momentos tem suas artes totalmente minadas pela narrativa. A Alex de Winslet é uma mulher forte e decidida que toma as rédeas do destino para si e que rouba a cena todas as vezes que aparece na tela. Isso faz com que o Bem de Elba seja apático em comparação, sendo eclipsado até pelo cachorro que faz companhia aos dois em algumas cenas.

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O clímax de Depois Daquela Montanha é brilhante, fugindo totalmente do esperado de um drama romântico, mas o percurso até lá é capenga em diversos momentos, como se caminhasse em meio a neve espessa. Talvez seja uma intervenção do estúdio que tenha causado isso (há um longo histórico de trocas de diretor e elenco no projeto), que acabou transformando o peso do filme em algo fraco e sem desenvolvimento refinado. Aí que a utilização de metáforas visuais se torna mais interessante. Assim como o casal do filme que mesmo estando junto não pode consumar a união, o filme contém todos os elementos para funcionar, mas parece que tem uma montanha (narrativa) entre eles, não permitindo a junção harmônica em uma obra completa. Mesmo com Winslet brilhando e o talento de Abu-Assad para a direção, o longa não passa de mais um romance que demonstra alguns arroubos de inspiração e acaba entrando como mais um para a galeria de obras que não passam do aceitável.

* O Série Maníacos assistiu ao filme a convite da Fox Films do Brasil 

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REVISÃO GERAL
Nota:
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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.
depois-daquela-montanha-romanceO clímax de Depois Daquela Montanha é brilhante, fugindo totalmente do esperado de um drama romântico, mas o percurso até lá é capenga em diversos momentos, como se caminhasse em meio a neve espessa.