Durante sua quinta temporada (e talvez durante seus anos de exibição), Orange Is The New Black abordou diversos assuntos, mas em vez de conversar com o público sobre eles através das personagens, a série decidiu apenas exibi-los; e que a plateia absorva, elabore e obtenha sua conclusão. Não posso reclamar, porque gosto disso. Em alguns momentos, porém, é quase necessário que o roteiro saia dessa zona de proteção que a ambiguidade lhe oferece e seja direto quanto aos objetivos, às verdades que deseja comunicar ao público; sua visão sobre certo e errado. Neste décimo primeiro episódio, encontramos isso. Depois de falar sobre tortura (e o que leva uma pessoa ao ato), chegou a hora da produção deixar claro que ela não é a solução.
Red pensa por certo tempo que as amigas lhe ajudaram a retomar o poder e que ela decidirá o que acontecerá a seguir. Não é o caso, porque basta estar a sua volta para perceber que, mesmo sem os efeitos das drogas, ela não é muito confiável quando o assunto é Piscatella. Este, depois de rendido e gravado, provavelmente se despede da série daqui a pouco. Se essa for a decisão do roteiro, fico muito contente porque sua participação, por mais que acrescente tensão à série, acaba tendendo a lugares obscuros, que boa parte do público não está interessada em visitar.

Morello, enquanto isso, rouba a patente de médica do hospital e corta a receita de todos, dizendo que eles não precisam daquilo, afinal, são perfeitos, são bonitos, parecem a Linda Evangelista. Era evidente que a ideia, que não passa de um recurso para fugir da realidade e se isolar em suas ilusões, não daria muito certo, e Crazy Eyes é uma consequência direta da irresponsabilidade do ato. Para resolver esse caso de surto, Cindy e Taystee se desentendem. A segunda, que atuou diversas vezes como mãe do próprio grupo, sabe que não consegue fazer tudo sozinha, delegando a responsabilidade de outros assuntos para as amigas.
No fim das contas, achar o remédio certo e dá-lo a Crazy Eyes não era a tarefa mais difícil do mundo, e Cindy poderia ter chegado à conclusão sem a bronca recebida pela amiga. O que não entendi é porque, depois de expulsar a doutora fajuta de seu posto, ela não procurou por algum papel que lhe orientasse sobre qual seria o frasco certo, entre todos aqueles. Resta-me temer pelo que a série planeja para Uzo Aduba, que, assim como outras atrizes, está sendo desperdiçada esse ano.

Gloria protagoniza um momento crucial para a temporada e para a rebelião. Diferente de outras pessoas, ela não lê a situação pensando na qualidade de vida a longo prazo, no que deixará de herança para as futuras presas quando deixar o presídio, mas no que precisa agora: e o que ela precisa é sair de lá. Não deixa de ser uma forma de traição com o grupo, mas, como Maria mesmo disse, qualquer uma ficaria pelo menos tentada a fazer aquilo.
Em vez dos flashbacks, acompanhamos algumas cenas que deixaram a prisão para mostrar os familiares das detentas e a forma como a rebelião pode ter chegado a cada um. É semelhante às investidas das primeiras temporadas, mas mais eficiente e poderoso. Poderia ser facilmente usado em outros momentos porque levanta reflexões interessantes e condizentes com os temas da série.

Boo e Linda chegaram finalmente à verdade. Algumas coisas são inevitáveis. Isso equivale também à frustração de Gloria, que, no fim das contas, não consegue o que almejava. É mais uma vez a série nos ensinando aquela lição de que você pode fazer algo “errado” pelos motivos certos, e ainda assim terá que responder por isso — para quem acredita em carma. Nesse caso, a resposta foi muito rápida, e Gloria morreu na praia, bem perto de completar seu plano. Este, aliás, é fruto de mais um momento absurdo e exagerado, mas justificável.
> American Gods, Sexo, Sangue e Deuses!
Infelizmente, com a fuga dos presos, é bem possível que a rebelião não acabe da forma como as presas ou nós esperávamos. Além da morte do guarda, que recairá sobre todas, a própria revolta em si pode ditar o que as aguarda no sexto ano, encarregado de atribuir o saldo de tudo o que fizeram nesses dias. Há uma sensação de que estamos perto do fim de algo. Talvez isso acelere o roteiro para momentos cruciais, tão necessários e esperados. Breaking the Fiberboard Ceiling se sai bem introduzindo o final da temporada, por mais decepcionante que este final seja; por mais decepcionante que a temporada seja.
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ps:
Uma websérie com Martiza e Flaca. Por favor:
















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