Após um piloto bastante introdutório, Prison Break avança em sua trama em dois episódios bastante ágeis, recheados de tensão e nostalgia. Agora temos um nome por trás dos mistérios que envolvem Michael e algumas respostas acerca dos eventos aconteceram após sua ‘morte’.

Mais uma vez os elementos clássicos da série estavam todos presentes: doses de genialidade de Michael Macgyver Scofield, mensagens e pistas codificadas, perseguições, personagens misteriosos e, claro, a primeira tentativa de fuga da prisão. Tal como em Fox River, tal como em Sona, a fuga é mais uma vez frustrada no início de uma nova temporada da série.

Aos poucos vamos nos familiarizando com o novo contexto e mesmo diante de certos plots previsíveis e algumas soluções preguiçosas do roteiro, nos vemos cada vez mais envolvidos com a trama e quase involuntariamente os fãs da série já se pegam mais uma vez tomados pela apreensão criada. E aí reside o maior trunfo de Prison Break, nessa capacidade de envolver o público em sua trama cultivando a curiosidade em desvendar os mistérios e acompanhar o avanço dos planos da nova fuga da prisão, minimizando os demais problemas que a série apresenta. E nesse sentido essa 5ª temporada vem fazendo um bom trabalho. Por exemplo, todo o desenrolar de Michael forjando uma febre, indo para a enfermaria e sendo espancado como um plano para conseguir a morfina para chantagear o coreano Ja, foi algo ‘muito Prison Break’.

A presença de uma nova figura antagônica – o líder do Estado Islâmico, Abu Ramal – bem como a surpreendente revelação que o terrorista e Michael se conheciam, também funcionou muito bem. Ainda vimos pouco de Ramal, mas ele é um dos poucos personagens novos que desperta curiosidade e soa interessante. Da mesma forma, o plano de Michael para manter Ramal preso e excluído da fuga foi mais um desses momentos de genialidade do Scofield que os fãs da série adoram assistir.

Por outro lado, o ponto mais fraco dessa nova temporada reside nos demais novos personagens coadjuvantes que ainda soam bastante rasos, muitas vezes caricatos e pouco carismáticos. Ja, Sheba, Whip… A trama de Sheba e seu envolvimento com Lincoln parece mais do mesmo e Whip é um personagem que ainda não funcionou e vive à sombra da comparação com Sucre, o parceiro de cela e fuga de Michael na 1ª temporada. Ainda que ele considere Michael como ‘um irmão mais velho’, nós não acompanhamos isso e ainda permanecemos indiferentes a ele.

A verdade é que a principal função de Whip é ser uma ferramenta do roteiro para nos informar sobre o período pós-morte de Michael. E assim descobrimos que Scofield  vem trabalhando para a CIA – provavelmente em planos para libertar diferentes criminosos de uma série de prisões pelo mundo – e foi colocado em Ogigya há 4 anos para libertar o terrorista Abu Ramal seguindo as ordens de Poseidon. Mas as coisas não saíram como o planejado e Michael e Whip passaram quatro anos em solitárias e teriam sido abandonados por Poseidon. Na cena final do episódio 3, após serem frustrados em sua fuga e colocados novamente na solitária, temos um momento bastante emotivo de Michael gravando uma mensagem para Sara. Uma cena bastante emocionante onde Scofield revela ter feito tudo isso para proteger a amada.

Será esse o pontapé inicial para finalmente termos explicações sobre essa nova vida – aparentemente normal – de Sara nos EUA, mesmo ela sendo uma criminosa condenada pelo assassinato de Christina Scofield? Em Final Break, Sara e Lincoln fugiam para a República Dominicana, mas a série parece estar ignorando essas questões. Seria bastante interessante que Michael tivesse aceitado esse trabalho na CIA em troca da tão sonhada imunidade a Sara e eu ficarei bastante feliz se a série for nessa direção.

Mas, afinal, quem é Poseidon?

As duas principais apostas da identidade de Poseidon estiveram ligadas a uma personagem de bastante importância nesses dois episódios: Sara.

Bastou Lincoln retornar a vida de Sara para que sua rotina virasse de ponta a cabeça: sua própria casa é invadida, seu marido baleado, seu celular é hackeado e ela reencontra dois de seus piores algozes: Kellerman e T-Bag… Ufa! De repente sua vida pacata é novamente invadida pelo efeito Scofield, afinal seu ex-marido está vivo e é conhecido no Iêmen como um perigoso terrorista.

Kaniel Outis nos foi apresentado com um terrorista vil que assassinou um agente da CIA, mas ganhou o familiar rosto de Michael. Conhecendo Prison Break é impossível não duvidar que o vídeo no qual ele aparece matando um homem foi editado, em uma releitura muito clara do que aconteceu com Lincoln na 1ª temporada da série.

Nos reencontros de Sara, ficou evidente a tensão pairando entre ela e Kellerman, e depois, com T-Bag. A insistência de Kellerman em impedi-la de beber água na garrafa soou extremamente suspeita, mas o motivo era imprevisível naquele momento.  O ex-agente da Companhia também trabalha para Poseidon, bem como os misteriosos personagens que seguiram Sara. Ou será Kellerman o famigerado Poseidon? Na última vez que o vimos ele já havia tido sua redenção e concorria à Presidência americana, sugerindo uma grande força política que pode tê-lo colocado no Departamento de Estado Americano e na CIA. Mas será que o dúbio Paul Kellerman – que tanto prejudicou e depois ajudou os irmãos Scofield Burrows – estaria novamente ‘jogando’ com Michael?

Surge então, uma segunda identidade possível de Poseidon… Como se fosse sua âncora ao mundo real e normal, é a seu marido quem Sara recorre em busca de prudência e sensatez. E o economista Jacob parece um homem honesto, que aceita conversar abertamente sobre as loucuras do ex-marido da atual esposa… Mas, será?

Seu discurso sobre o paralelo entre Michael e a Teoria dos Jogos é bastante interessante e faz bastante sentido, mas ao mesmo tempo reduz Scofield a um grande manipulador e sabemos que, muito além disso Michael, sempre foi muito íntegro com aqueles que amava.

E então surge uma pergunta de extrema relevância. Será que Jacob é apenas esse homem comum? E se ele for Poseidon? Ou ao menos alguém muito mais relevante que ‘apenas um economista que nunca se imaginou na capa do jornal’? Quando o casal que vem perseguindo Lincoln/Sara fala sobre Poseidon eles falam de alguém inteligente que age como se estivesse ‘jogando xadrez’ e enfatizaram bastante o fato de terem ordens de não machucar Sara. Simplesmente porque ela é a isca que atrairá Michael? Não. Eles podiam ter assassinado Jacob mas não o fizeram… Paira em Jacob a sensação que há mais coisas do que conseguimos enxergar nesse momento e ele pode estar todo esse tempo ‘jogando’ com Sara tal como acusou Michael de fazer.

Ao final desses dois últimos episódios algumas perguntas ainda ficam pairando e talvez precisemos fechar os olhos para algumas questões… Ok, Michael virou o ‘homem do chiclete’ e assim convencia uma jovem criança a encaminhar seus recados ao irmão. Mas como a criança sabia exatamente para quem levar (como Michael explicou isso?) e onde encontrar Lincoln e C-Note (como Michael teria conseguido essas informações?) E mais, como Michael conseguiu endereçar a flor em origami para o filho?

Por que na cena final Michael deixa o recado apenas para Sara? Eu senti MUITO a falta da menção a Lincoln naquela explicação. Como eu disse na review anterior, Prison Break sempre foi muito mais sobre a relação dos irmãos do que sobre Sara e Michael. Ouvir o nome de Lincoln naquele recado teria elevado ainda mais a emoção da cena e é o que faria mais sentido dentro de tudo que acompanhamos até hoje. Michael não é Kaniel Outis e fez tudo que fez por Sara, Mike e Lincoln. Os três merecem explicações.

PS: Na última semana tive um imprevisto e, por isso, a review dupla. Mas a partir de semana que vem voltamos com a cobertura semanal da série!

REVISÃO GERAL
Nota:
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