Supergirl traz Kevin Sorbo e Teri Hatcher para celebrar o melhor da TV nos anos 90 em Star-Crossed.
Colocar Teri Hatcher e Kevin Sorbo em um episódio é brindar, com pompa, o melhor/pior da televisão nos anos 90. E para ser totalmente honesto Supergirl sempre teve um pezinho ali dentro do limiar do que a televisão antes dos anos 2000 foi, se aproximando muito de produções como Buffy a Caça Vampiros, por exemplo. Star-Crossed não é um típico episódio de Supergirl, mesmo que ainda guarde em seu núcleo o novo modus operandi da série na CW, com o foco sendo dividido entre os vários personagens complementares enquanto a protagonista figura no plano de fundo, mas ainda mantendo parte do domínio sobre a trama – como qualquer protagonista.
Ao trazer a família de Mon-El, assim como a trama que já estava sendo prometida para o personagem desde que ele apareceu e com mais força em Supergirl Lives, após a reverência feita pelo alienígena no planeta escravo, Supergirl dedicou um episódio inteiro para lidar com a história paralela de outros personagens, que não a da heroína da série. Em se tratando de capítulos focados nos coadjuvantes, Supergirl nunca decepcionou – com exceção do retorno de Jeremiah, que por algum motivo foi centralizado em Mon-El e não em Kara e Alex. Aqui a história não é diferente e apesar de termos recebido uma espécie de filler, o desenho do futuro da temporada – pelo menos para o casal – parece já estar desenhado.
Logo Star-Crossed decide trabalhar o drama de Mon-El e sua família, mas em grau mais avançado a decepção amorosa de Winn e Lyra. Não é exatamente o tipo de trama que quero ver, mas dentro da nuvem em que séries do gênero vivem, um casal jamais poderá ser feliz por muito tempo sem que algo aconteça para atrapalhar o bom andamento do potencial casamento. Ainda temos Alex e Maggie para tentar sobreviver, de determinada forma literalmente, a fúria dos roteiristas para com personagens em relacionamentos estáveis, mas aqui elas recebem apenas um espaço para interagir com Winn – e como eu amo ver Maggie e Alex trocando qualquer informação com o suporte técnico do DEO. Por esse motivo não foi nenhuma surpresa descobrir que Lyra mantinha uma atividade extra curricular um pouco diferente. É estranho, contudo, que ela tenha incriminado Winn com tanta facilidade, afinal ele não era diferente dos outros? Ter o mesmo tratamento soou um pouco desconexo. Mas condizente com o que um episódio tão “frívolo” se permitiu apresentar.

E este então se torna um episódio apenas mediano, que viaja através das emoções, mas sem grande impacto. Kara não teve um momento realmente sentimental, a não ser com a parte do término definitivo. É complexo porque ainda falta um tempo até que a temporada termine e definitivamente ouviremos mais deste relacionamento até a conclusão da segunda temporada. Mais ainda porque não faz sentido ter Kara e Mon-El tão distantes se a série realmente quiser riscar o namorado da protagonista de seu futuro. Aqui existe uma lição e creio que ela terminará com um espaço grande de distância entre ambos os personagens, especialmente agora que sabemos que Daxam está intacta e se recuperando da explosão de Krypton.
Infelizmente Supergirl ainda está presa na proposta escolhida pelo canal para abordar qualquer casal, em qualquer série, Flash, Arrow e até mesmo Legends of Tomorrow. Nada dá certo por muito tempo e a proposta de nos arrastar por vários episódios com Mon-El aparentemente terminará sem nenhum desenvolvimento claro ou especifico. Pior, talvez o casal não sobreviva a primeira temporada. E eu compreendo totalmente o lado da Kara. Mon-El não apenas mentiu, ele escondeu que era um dos representantes do pior tipo de monarquia existente. Neste ponto ela está certa em se sentir traída e também em ter parte da admiração que lentamente Mon-El conquistou destruída pela informação de que aquele governo opressor, com escravos e pão e circo, não apenas era defendido, como Mon-El defendeu por um tempo, mas representado pelo seu príncipe.
Então mesmo que exista a justificativa para o distanciamento e mesmo que esta trama tenha surgido para fazer com que Mon-El se torne rei de seu planeta de uma maneira benevolente e com os ensinamentos de Supergirl, ainda vejo um grande desperdício de tempo e esforço para que o casal finalmente se tornasse interessante. Nunca fui um grande fã de Mon-El e ainda vejo que cada episódio centralizado no personagem é um grande desvio da proposta, mas considero Chris Wood muito carismático e também entendo o motivo pelo qual ele arrecadou tantos fãs. Chris e Melissa tem química juntos, muito mais do que Melissa e Mehcad. E olhem, até mesmo a presença do Guardião aqui foi bem utilizada. Não tem como classificar um episódio assim como ruim, não é mesmo?
> Punho de Ferro, Crítica Sem Spoilers!
Easter eggs e outras informações
– Star-Crossed é uma expressão que significa frustrado por uma estrela maligna. Geralmente é utilizada para definir um relacionamento amoroso que está sofrendo por influência de fatores externos e sem possibilidade de controle.
– O cartão utilizado no final do episódio para apontar o crossover é o mesmo de Medusa, antes de Invasion!

– Por falar em crossover o episódio de Flash intitulado Duet contará com a presença de Supergirl e também do Mestre da Música, interpretado por Darren Criss, o prisioneiro do final de Star-Crossed.
– Winn fez um comentário sobre Cisco Ramon, de The Flash. E no episódio crossover os dois terminam se encontrando, mas não de verdade.
– Já é a segunda vez que o Winn termina se relacionando com uma mulher com poderes e que termina quebrando seu coração. Estou sentindo um padrão aqui.
– E para finalizar, no mundo de Supergirl existe a Marvel, já que Winn chamou sua então namorada de She-Hulk.















