A nostalgia está em alta em Hollywood, basta passar os olhos pelas notícias diárias sobre cinema e Tv para se ter uma boa ideia. Um conteúdo nostálgico, que ainda trás um período histórico marcante e lembranças do pós-guerra tinha tudo para ser uma aposta já ganha por parte da Warner Bros… Tinha.

A trama de A Lei da Noite (Live by Night no original) nos apresenta Joe Coughlin (Ben Affleck) um criminoso, filho do capitão da policia de Boston, Tomas Coughlin (Brendan Gleeson). Joe se apaixona por Emma Gould (Sienna Miller), amante do mafioso Albert White (Robert Glenister), que descobre o caso entre os dois e decide punir Joe, que por sua vez vai atrás de proteção junto ao líder da máfia italiana, Maso Pescatore (Remo Girone), porém, não deseja se aliar ao time. Após uma traição e passar alguns anos preso Joe volta, em sua vingança pessoal contra Albert e vê seus ideais se corromperem, passando então a fazer parte da Família Pescatore e a comandar as atividades do cartel de bebidas na costa da Florida, onde conhece Graciela (Zoe Saldana). Joe precisa lidar com os problemas ocasionados por usas atividades fora da lei e rivalidades e empecilhos que surgem ao longo do caminho, colocando toda a gestão e seu trabalho em cheque.

Adaptado do livro “Os Filhos da Noite” de Dennis Lehane, logo nos minutos inicias temos um vislumbre do que parecia ser uma homenagem aos filmes de máfia dos anos 1930, como uma construção crescente da tensão que se ligaria ao final, para logo em seguida se perder em uma narrativa paralela sobre sentimentos dos personagens e a confusão que eles trazem.

Ben Affleck é um ótimo diretor e isso é inegável, vide seu histórico recente. Podemos notar isso num panorama geral e em seu cuidado em criar cada quadro, com posicionamentos de câmera que falam por si só, com um uso muito bem feito da fotografia para compor a temperatura e a entrega dos personagens. A direção de arte também acerta a mão com os figurinos e ambientação. O ponto é: não adianta entregar algo tecnicamente bem executado e todo o resto destoar dessa excelência.

A Lei da Noite
A Lei da Noite

A Lei da Noite sofre demais com seu roteiro, recheado de diálogos expositivos, narrações que não acrescentam nada a trama ou ajudam a ambientar o espectador, personagens com as quais você não se importa, desenvolvimento quase nulo de algumas relações interpessoais e uma causalidade inexistente. O filme tenta, a todo momento, se justificar através dos personagens, com a onipresença de Joe imperando as cenas do longa, e talvez esse seja um dos maiores erros: o desenvolvimento de todos os outros personagens é dependente de suas relações com a figura do mafioso carismático.

Centralizar a trama num personagem que não é bem fundamentado é pá de cal do longa, afinal, ao longo das 2h10 de filme vemos o argumento do mesmo mudar 3 vezes. Joe não sabe o que quer, sua opinião se altera com a velocidade uma lâmpada queimando. Não há preocupação em justificar que o personagem seguiu determinado caminho para um fim, na verdade, a sensação é de que sua vingança é deixada de lado a certa altura para dar lugar a um drama amoroso e ser retomado como gatilho apenas para conclusão narrativa.

Todas as implicações do comércio ilegal de bebidas alcoólicas e a Lei Seca americana nos anos 1920 quase não são exploradas e serviriam para como recurso narrativo se o roteirista não optasse em usar as duas coisas como desenvolvimento da relação de Graciela e Joe. Os ataques da Kun Klux Klan, o preconceito com negros e latinos são apenas usados como artifício para dar um peso inexistente a diálogos imensos e vazios.

A tentativa de criar um vinculo emocional entre o chefe de policia e Joe também soa inverossímil. Em momento algum é mostrado, não há tempo de tela para a construção dessa relação é apenas falado a certa altura e fica por isso mesmo. Isso faz com que a dramaticidade do final do longo não tenha a força necessária.

Não há com o que se identificar, não há uma explanação e uma entrega real para que você se importe com o que acontece e, a notícia de determinada morte apenas é jogada, sem impacto algum, com uma utilização muito conveniente nos minutos finais.

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Em termos gerais, A Lei da Noite não entrega nada de relevante, ficando longe da melancolia dos filmes de máfia e do sentimento de um bom drama. É apenas um filme vazio, com personagens mornos, que não sabe aonde deseja chegar. Mais sorte na próxima, Ben.

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