Agents of S.H.I.E.L.D. fecha seu primeiro arco com o Motorista Fantasma em The Laws Of Inferno Dynamics.

Iniciar a temporada com a promessa de um novo mundo foi o grande acerto da série neste quarto ano. Mesmo que a audiência não tenha abraçado a proposta, o texto rico e bem amarrado de Agents conseguiu transferir para a televisão um personagem que nunca recebeu o devido tratamento nos cinemas, o Ghost Rider. Oito episódios depois, e um pouco mais cedo do que o de costume, a primeira parte do núcleo de histórias chegou ao fim. Utilizando seus personagens em cenas de tensão e dando o destaque para Yo Yo, uma das melhores adições da temporada passada, The Laws Of Inferno Dynamics mostrou de uma vez por todas a riqueza criativa e o controle da primeira série da Marvel após a reformulação de seu mundo em um universo compartilhado, em 2008.

E por falar em Yo Yo, The Laws Of Inferno Dynamics foi basicamente dela. Suas cenas de ação, a reprodução do recurso do “tempo em uma garrafa”, repetindo a melhor estratégia adotada por X-Men após a inclusão de Mercúrio, enriqueceram o episódio e apresentaram momentos de verdadeira tensão. Basicamente quem dominou as cenas de ação foi a inumana capaz de se movimentar com extrema velocidade. Não apenas seu lado heroico, ela também conseguiu um “fechamento” para sua história com Mack, outro personagem muito bem explorado e constantemente dentro de uma ótima maré de participações. Existiu todo um cuidado ao explorar a história de ambos, sem deixar com que a presença de um ofuscasse a missão do outro. É ótimo notar como o roteiro de Paul Zbyszewski soube utilizar bem seus personagens menores, incorporando-os a trama principal e dando relevância para cada um deles, além de nos trazer o velho momento de interação social entre os agentes que tanto faz falta na série, sempre muito cheia de ultimatos.

A grande trama a ser encerrada aqui é a de Eli e também de Robbie. Mesmo que eu não tenha gostado totalmente da forma que decidiram abordar o tema da magia, não posso deixar de lado a qualidade da execução da história proposta pelo time criativo da série. O mérito também fica com Kevin Tancharoen, responsável por ótimas cenas de ação e de impacto. A proposta de destruição e do equipamento capaz de aniquilar tudo e a todos não é nova e teria sido benéfico para a produção algo menos genérico e mais intimista, mas a conversa entre tio e sobrinho foi essencial para fechar o capítulo sentimental da história de ambos. Quando qualquer um dos dois retornar, e isso irá acontecer, o panorama estará aberto para que a história siga um rumo ainda não explorado.

Mesmo que ainda existam elementos dentro da série que desafiam a lógica e a ciência, Agents of S.H.I.E.L.D. não conseguiu em sua quarta temporada extrapolar os limites do mundo sobrenatural, não da mesma maneira que Doutor Estranho o fez. Existe um motivo para que a série tenha desaparecido do radar enquanto o mais recente filme da Marvel, aquele que lidou com o invisível, estava em suas primeiras semanas de exibição. A lenta e gradual separação do universo dos filmes e séries começou aqui e mesmo que a temática tenha se estabelecido da mesma maneira, utilizando pontos conectados a magia, a produção televisiva ainda está seguindo um caminho próprio. Não existe, porém, nenhum demérito para o que está sendo realizado aqui, apesar de ter em minhas expectativas um desejo de explorar um caminho menos racional e mais passional com o texto de Agents. No final Eli estava manipulando energia e não criando-a, mantendo sua origem ainda atrelada a regras que a magia deveria quebrar, o que é um pena.

Agents of S.H.I.E.L.D. --- The Laws Of Inferno Dynamics
Agents of S.H.I.E.L.D. — The Laws Of Inferno Dynamics

Novamente a trama optou pela construção de fechamentos em seus arcos iniciados no começo da temporada. Em alguns casos tivemos a conclusão de uma trama que foi apresentada após a conclusão do terceiro ano, com o isolamento de Daisy e seu retorno para a S.H.I.E.L.D. O capítulo fechado ainda mostra que a agente Johnson não está totalmente disposta a retornar para o mundo das regras e ordens, ou seja, podemos esperar vários conflitos entre a Tremor e a figura de autoridade máxima da agência, o diretor. Por falar no diretor, o personagem cimentou de uma vez por todas sua posição como político. Não sei exatamente se devo confiar em Mace, mas já estou mais confortável com o personagem hoje do que já estive no passado, o que é um bom – e também um péssimo sinal. De maneira igual funciona a relação entre May e Coulson, que como bem sabemos, começou com uma farsa. Como esse pessoal gosta de fazer casais sofrerem, não é mesmo?

A história de Robbie como Motorista Fantasma ainda não acabou, pelo menos não definitivamente. Definitivo é uma palavra que não existe em adaptações de histórias em quadrinhos e com um mundo tão rico criado pela Marvel para a televisão, a mesma regra com certeza se aplicará. Existe, entretanto, uma separação muito grande entre o personagem e o próprio estilo da série, que permaneceu preso ao lado cientifico e racional, mesmo com a presença de um espírito da vingança. O acordo feito entre Robbie e o espírito demanda seu retorno para lidar com a lista de vingança imposta pela entidade. Ou seja, o personagem ainda poderá voltar, quer seja dentro de Agents ou com sua tão sonhada série solo. De qualquer forma sua trajetória foi extremamente satisfatória e seu arco fechou exatamente como deveria, cumprindo sua grande missão de punir os responsáveis pelo seu acidente.

Obviamente o próximo caminho seguirá exclusivamente as reverberações da criação de uma inteligência artificial que quer ser humana. Diferente de Ultron que tinha como missão salvar a humanidade através de sua destruição, Aida e a réplica de May deverão manter como objetivo a própria concepção da vida humana e livre arbítrio. Quem é você e o que você é são temas recorrentes dentro da série e ao transformarem uma de suas personagens principais em um androide a produção está, novamente, chamando o telespectador para uma história que está em andamento desde a inclusão de Daisy e do mistério ao redor da ressurreição do Coulson. E a forma com que o roteiro optou por impor sua revelação enquanto o grupo aproveitava um merecido descanso apenas salienta a ideia de que nada realmente é o que parece ser com esta maravilhosa série.

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Easter eggs e outras informações de The Laws Of Inferno Dynamics

– Em The Laws Of Inferno Dynamics foi mencionado o tratado de Sokovia, assim como a ameaça de Ultron, ambos consequências diretas de Capitão América – Guerra Civil e Vingadores 2.

– Coulson diz que seu desejo era o de ver Daisy como o rosto da S.H.I.E.L.D., dando a entender que era para que ela tivesse assumido o cargo de diretora da agência de espionagem. A resposta da Daisy é uma conexão a sua contraparte nos quadrinhos, que já assumiu o controle da S.H.I.E.L.D. por um período.

– O diretor Mace assumiu um uniforme bem parecido com o que seu personagem na nona arte usa. Lá ele atende pelo nome de Patriota e tem um símbolo no peito parecido com a águia da S.H.I.E.L.D.

– Existiu mais uma menção ao Motoqueiro Fantasma, em uma cena em que Coulson diz que se o “outro” conseguiu escapar, ele também conseguirá. Acontece que Johnny Blaze já esteve preso no inferno por um período.

– A próxima linha da série é chamada LMD – Life Model Decoy. Nos quadrinhos Nick Fury ficou conhecido por utilizar réplicas suas nas mais diversas missões. Atualmente Dun Dun Dugan está utilizando o recurso nas páginas.

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