Depois de Rock Never Dies, seria Lúcifer a grande metáfora da temporada atual de Supernatural?
Ter um episódio (ou no máximo três, acredito eu) fraco na temporada é super normal e aceitável, mas persistir nisso, semana após semana, é extremamente preocupante. É claro que tivemos episódios bons como, por exemplo, o primeiro e o terceiro o foram, mas a grande maioria foi puro tédio, com cenas arrastadas e notavelmente sem rumo algum.
Essa é a expressão que mais se encaixa não apenas nesse momento como um produto geral, com uma trama perdida e personagens desnecessários ou deslocados. Tudo isso com que propósito mesmo? Bem, pra quem acompanhou as entrevistas dos produtores de SPN e do Mark Pellegrino na CCXP, tudo parece estar sendo construído com apenas um único objetivo: tornar SPN a maior série (no quesito de quantidade de temporadas/episódios) de TV da história.

Então, afinal, o que Supernatural merece depois de Rock Never Dies?
Não fui eu, um amante fervoroso de SPN (vale sempre lembrar isso, afinal, não é porque eu amo a série de paixão que não sei ver quando ela já alcançou seu limite, não é mesmo?) quem disse isso, não foram vocês, foi o próprio produtor. E eu lhes pergunto: pra quê isso? De que adianta chegar na décima quinta ou na vigésima (que Chuck me livre disso) temporada, se nesse caminho todos os pilares que seguram Supernatural tornam-se desgastados?
SPN teve grande importância na minha vida de série maníaco, como já disse nos reviews passados, mas até eu, como fã, sei que em determinado momento a série precisará encontrar seu fim. Afinal, nada dura para sempre, não é verdade? Isso vale também para as séries de TV, principalmente quando não existe nem mais base e elementos novos a serem inseridos. A dura realidade é que inevitavelmente toda série se esgota, umas mais cedo e outras mais tarde.
O que Supernatural precisa nesse momento não é de um lugar nos livros dos recordes das séries de TV, muito menos alcançar seu 300º episódio, por motivos banais e meramente quantitativos. SPN e principalmente nós, aqueles que acompanham os Winchesters desde 2005, precisamos de um final digno, bem planejado e construído do começo ao fim, prezando pelos atributos qualitativos que nos conquistaram. Todos nós, inclusive os próprios atores/personagens, merecem nada mais do que isso. Eu sou da filosofia de que fechar com chave de ouro “precocemente” (enquanto é tempo) é bem melhor do que finalizar a história de maneira porca e sem nem se preocupar em costurar as tramas apropriadamente.
Seria Lúcifer a grande metáfora de Supernatural atualmente?
Não é só a temporada que está capengando, Lúcifer também se encontra no mesmo barco, quase afundando de vez. O personagem está mais perdido do que Wendigo (não lembro se ele de fato era cego, mas vocês entenderam a piada e a referência, então está tudo certo) em tiroteio! Mais perdido até do que a Mary após renascer…
O meio que encontraram para trazerem Lúcifer de volta às telas foi empolgante e positivo para o desenvolvimento não somente da série, mas de sua mitologia em si, mas e depois? Por que diabos (ba dum tss) ele continua em SPN? Ou melhor: porque Lúcifer está largado e sem rumo? Qual é o objetivo dos produtores em forçar a sua permanência na história de maneira tão porca como está sendo apresentado? Querem inseri-lo, ok, mas o façam direito, pelo amor de Chuck!
Lúcifer, a meu ver, é a grande metáfora de Supernatural, a melhor comparação com a temporada presente. Da mesma maneira que até agora não sabemos ao certo qual é a trama atual, se é o Príncipe do Inferno e seu drama familiar (faz até certo sentido se levarmos em conta que Chuck o abandonou novamente), Mary e sua relação com os filhos ou aquele grupo do primeiro episódio… Qual era o nome deles mesmo? Ah sim, os Homens das Letras britânicos. Ou vulgarmente falando: os esquecidos e ignorados.
A ausência de foco narrativo de fato está prejudicando o desenrolar de SPN, como eu disse na semana passada. Entregar tanta história é perigoso e arriscado, pois ao final de tudo sempre vem aquela pergunta que não quer calar: aonde a décima segunda temporada pretende ir? No meio de tanta história confusa, personagens largados e mal desenvolvidos fica difícil achar a resposta para essa pergunta.
O que o produtor e Mark Pellegrino confirmaram na CCXP é que o intuito deles é quebrar um recorde, apenas chegar na 15ª temporada, não importando quantos personagens, tramas e episódios eles prejudicarão nesse processo. Aliás, eles responderam a pergunta acima: a décima segunda temporada é apenas uma escada, um meio para eles alcançarem seus objetivos gananciosos e banais. Eles estão dispostos a passar por cima disso tudo, de sua própria mitologia, almejando o “sucesso” numérico com o recorde.
A essência da série infelizmente não significa mais nada para eles. Supernatural é apenas mais um saco sem fundo, uma fonte infinita de mais e mais lucro para o bolso de todos os envolvidos com o show. Se vocês se contentam com isso, com a maneira capitalista (não pretendo entrar nesse plano) e gananciosa com a qual SPN está caminhando, tudo bem. Mas eu (novamente: na minha humilde opinião), como amante dos Winchesters e da série, me recuso a continuar vendo a série se humilhar e esgotar dessa maneira. É simplesmente horrível de ver.
And the MVP is… Crowley!

Existe algo mais hilário do que ver o Crowley de óculos escuros esnobando todo mundo? Além, é claro, dele demonstrando toda a sua superioridade em Los Angeles, dando uma alfinetada básica no mundo hollywoodiano, onde é possível ver a relação dos pactos realizados pelos atores/músicos para alcançarem o sucesso. É o que eu sempre digo, SPN só continua em pé até hoje graças aos seus ótimos personagens/atores. Se não fosse Crowley, Sam, Dean e Castiel e a química que ambos têm entre si, a série nunca teria chegado tão longe.
Referências, observações e detalhes sobre Rock Never Dies!
– Alguém mais percebeu que as letras do próximo jogo entre Dean e Mary (no início do de Rock Never Dies) formavam a palavra “Lúcifer” ou fui só eu (novamente, o “diferentão”) que me atentei a esse detalhe?
– Essa é a primeira vez, desde a estreia da nova temporada, que Sam e Dean reencontram Crowley pessoalmente. E infelizmente nada foi citado acerca do confronto entre Dean e Amara no último finale (a não ser, é claro, de Lúcifer reclamando do pai no final), e isso me incomoda demais. É como se da noite pro dia toda a crise (magnífica) entre Chuck e Amara nem existisse na timeline da série. Uma trama poderosa, forte e inesquecível como aquela com certeza não pode simplesmente ser descartada dessa maneira.















