Com Deals With Our Devils, Agents of S.H.I.E.L.D. abraçou de vez o bizarro e a ficção cientifica em seu melhor episódio da temporada.

Ninguém pode dizer que Agents of S.H.I.E.L.D. não sabe lidar com temáticas. A série está, desde metade da sua primeira temporada, trabalhando tramas que se encaixam nas mais diversas ramificações da ficção cientifica. Com a inclusão de seu universo místico a oportunidade de criar algo diferente, mas ainda dentro da mesma base, surgiu e com isso tivemos uma mistura de sci-fi com terror, em um dos melhores episódios da atual temporada da série.

Repetindo o que fez com 4722 Hours, o roteiro da série abraçou completamente os aspectos misteriosos envolvendo sua trama. Se lá na temporada anterior a produção enviou uma de suas personagens para outro planeta, neste o texto de Daniel J. Doyle fez uma homenagem aos clássicos do terror e ficção como Twilight Zone, Star Trek e Buffy a Caça Vampiros, e enviou parte de seus personagens para uma espécie de limbo, com aquele toque certo de adrenalina e aventura que apenas a série sabe como fazer. E o melhor de tudo? Não foram os efeitos especiais, sempre muito bons, mas sim o texto bem construído que transformou uma iluminação sépia e sons abafados em uma obra de arte da série, com seu melhor.

A grande revelação do episódio, porém, não foi a existência da dimensão onde Coulson, Fitz e Robbie estavam presos, mas sim o momento em que Mack é possuído pelo espírito da vingança, se tornando assim um novo Fantasma. É essencial notar que o personagem que até agora não recebeu muito destaque solo, com exceção do episódio em que conhecemos seu irmão, mantém dentro de si “problemas” suficientes para que o espírito se alimente por anos. É algo que abre o potencial para futuras histórias para um dos personagens “novatos” mais relevante dentro da agência e que até agora quase não recebeu o destaque merecido.

Outro ponto digno de menção dentro deste sétimo capítulo, é a forma com que o visual da série consegue conduzir ótimos momentos, sem a necessidade de grandes efeitos visuais ou gastos excessivos com o orçamento. Mesmo que o show de superpoderes e explosões enriqueça qualquer produção, é dentro dos pequenos momentos que vemos a capacidade criativa do time que está nos bastidores da série, além de também termos uma boa noção do elenco. Brincar com cores, luz, sombra e sons demonstra o potencial que a série tem para criar o novo, utilizando ferramentas do velho.

MARVEL'S AGENTS OF S.H.I.E.L.D. - "Deals With Our Devils" - With the loss of half the team, the remaining members search for answers as the clock counts down for Ghost Rider, on "Marvel's Agents of S.H.I.E.L.D.," TUESDAY, NOVEMBER 29 (10:00-11:00 p.m. EST), on the ABC Television Network. (ABC/Jennifer Clasen)<br /> CLARK GREGG, IAIN DE CAESTECKER
Agents of S.H.I.E.L.D. — Deals With Our Devils

E até mesmo alguns pontos pessoais tiveram certo momento de destaque. Gosto bastante, e já elogiei várias vezes, o relacionamento desenvolvido entre May, Coulson e Daisy, que funcionam como uma família. Dentro de Deals o que preponderou foram os picos emocionais para cada núcleo. Mack sendo possuído, Fitz em desespero por não poder informar a Jemma de seu paradeiro, ou saber o dela e por último, Coulson testemunhando May se envolver com o perigoso Darkhold. E no final quem salva Coulson é May, além de revelar a possibilidade de um futuro envolvimento entre os dois, centralizado obviamente na noção da perda e nos desafios criados pela história conjunta de ambos os personagens.

Por último também temos AIDA, a inteligência artificial que está começando a se envolver com algo mais humano, o desejo de liberdade. A série até então havia se mostrado tímida na hora de desenvolver a história da personagem, deixando-a presa a pequenos pontos de comédia e certa tensão envolvendo Fitz, Simmons e Radcliff. Agora e com o novo mundo aberto pela Marvel, o potencial para algo novo cresceu exponencialmente. Este novo padrão irá impor, imagino, a segunda parte da temporada, mesmo que isso levante algumas preocupações.

Mas a série ainda tem um medo muito grande de abraçar o lado místico de uma vez por todas. Deals With Our Devils lidou com assuntos que ainda estão sendo tratados como tecnologia, ou um aspecto desconhecido da ciência. Personagens evitam de mencionar nomes como inferno e é apenas através de Robbie que temos menções mais diretas para a temática que está estampada dentro da produção. Ainda não consegui compreender até que ponto a série continuará lidando com a magia como um convidado indesejado, ao invés de simplesmente abraçar a temática e começar a tratar o assunto com a relevância devida. Nós já sabemos que existe algo além da capacidade de interpretação de números, mas todo o esquema visual e filosófico de Agents of S.H.I.E.D. encara o assunto como uma ramificação de dígitos e explicações racionalizadas. É preciso que exista uma compreensão do invisível, dentro da agência. E o sétimo episódio já começa a trabalhar a expansão, com Daisy, que acredita que seus amigos não morreram. A grande dúvida é se a próxima meia temporada continuará lidando com fantasmas, demônios e espíritos, ou se ela mergulhará de vez no assunto da tecnologia ao redor da AIDA.

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Easter eggs e outras informações de Deals With Our Devils

– Eli adotou uma postura bem próxima a do Homem Molecular. Criado em 1963 e com debut em Fantastic Four #20, o Homem Molecular tem o poder de manipulação molecular. Mentalmente ele é capaz de controlar, transformar e manipular moléculas em qualquer tipo de energia.

– AIDA está se aproximando bastante de outro personagem atual do MCU e que não é humano, o Visão. Enquanto o sintozóide recebeu sua “alma” através da pedra da mente, em Vingadores, a androide de Agents of S.H.I.E.L.D. está tentando conquistar a dela com o poder da magia, ou o que quer que seja o teor do Darkhold.

– Existem várias dimensões dentro do universo da Marvel. Talvez a que tenha aparecido neste episódio seja uma nova versão do limbo, mas sem as criaturas fantásticas e demoníacas. Ou que tal mundo das almas, uma dimensão de bolso que existe dentro da gema da alma?

– Robbie finalizou seu “contrato” com o espírito da vingança, algo que garante uma quantidade razoável de histórias para o Motorista Fantasma.

– E por falar em versões, Mack adotou uma ao ser possuído pelo espírito. Uma pena que não vimos a moto em chamas.

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