Um Tribal Council rico em vergonha alheia e burrices que nos ajudam a entender como Donald Trump foi eleito.

Depois de uma fase tribal sensacional e cheia de blindsides, Millennials Vs. Gen X dá uma certa desacelerada, numa merge mais quadrada e marcada pela falta de noção de alguns participantes. Os últimos dois episódios talvez estão entre os piores da temporada (ao lado da premiere), mas me divertiram muito. Nem sempre é sobre as melhores jogadas e as piores também podem render grandes momentos. Acredito que estes dois episódios também eram necessários para fechar alguns arcos que estavam sendo trabalhados desde o início e que a partir de agora teremos uma nova fase, em que de fato o jogo vai ser mais individual.

Independente do ódio conquistado por grande parte do público é inegável que Taylor foi uma grande personagem e rendeu vários momentos no mínimo bizarros. Seu romance com Figgy, a saída da “amada” e a pretendida vingança contra Adam foram centrais até aqui e essa trama chegou ao fim na hora certa, antes de cansar.

O casal de forma geral, sobretudo Taylor, representa muito bem tudo que existe de pior nos estereótipos da geração do milênio e foram um grande achado por parte da produção para a exploração deste tema ao longo da temporada. Os Millennials são bastante acusados de serem irresponsáveis, inconsequentes e de pensarem que podem fazer o que quiserem de forma arrogante. Assim, Figgy e Taylor sã os melhores representantes desta faceta da geração, afinal de contas desde o início acharam que poderiam fazer um casal em Survivor sem sofrer as consequências por tal fato. Um ótimo contraste com a maioria dos outros participantes desta geração, que mostraram até aqui paixão, inteligência e inovação. Normalmente Survivor nem fica tão preso ao tema inicial da temporada, mas desta vez o tema está rendendo muito e talvez até por isso a produção optou por usar o tema como título principal da temporada e não como subtítulo como nas outras ocasiões. Inclusive, acho que nunca vi Jeff Probst se divertir tanto conduzindo o programa como desta vez, se empolgando com os Millennials, não deixando Will beber e se divertindo ao ver Taylor ser eliminado.

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Na história de Survivor, acredito que nunca tínhamos visto alguém tão sem pretensão de ao menos tentar jogar de forma inteligente para vencer e Taylor facilmente está entre os piores jogadores de todos os tempos. A impressão que eu tenho é que ele não fazia a mínima ideia do que estava fazendo lá e encarou a experiência como férias em Fiji. Nada em seu “jogo” foi estratégico, ele fez amigos, roubou comida, ficou com uma garota e depois de vê-la eliminada agiu apenas para vingar a sua saída sem a menor responsabilidade.

Este é o grande problema do jogo do Adam, ele até fez várias coisas que na teoria poderiam ter dado muito certo com uma pessoa normal. Entretanto, ele não soube entender quem Taylor realmente é (fica longe do conceito padrão de normalidade) e que jamais agiria racionalmente. A trama toda explodiu num dos Tribal Councils mais malucos e engraçados da história, chegando até a parecer um dia no programa Casos de Família com Cristina Rocha. A falta de noção de Taylor contrastando com o desespero de Adam me divertiu muito e pareceu até duas crianças tentando convencer a mãe de que o outro estava fazendo coisa errada. Além de todas as jogadas mal pensadas, Adam pecou também por cair na pilha e se deixar levar emocionalmente por mais uma atitude impensada de Taylor. Tudo dito no Tribal Council pode abalar ainda mais a confiança de todos perante Adam. Entretanto, ao meu ver, isto apenas reforça a ideia de que Adam não deve ser eliminado e sim arrastado até o final.

A vantagem de Adam provavelmente é a pior vantagem já concedida na história de Survivor e não traz nenhum tipo de benefício a quem a encontra. Não ficaria surpreso se Adam revelasse que ficou puto ao saber do que se tratava a vantagem e que a frustração deve ter tomado conta ao ver que era algo inútil e não a possibilidade de roubar um voto ou alguma coisa que realmente pudesse ajudá-lo no jogo. A vantagem é tão bosta que acredito ter induzido Adam a querer usá-la para pelo menos ganhar confiança de alguém e a gente viu que nem para isso ela serviu.

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Na minha visão, ele deve usar esta vantagem imediatamente, mas em benefício de outra pessoa. No próximo challenge de recompensa, ele tem que roubar a reward de Jay ou Will alegando que eles não podem ficar fortes para o desafio de imunidade e dar a recompensa para um e seus aliados. Assim, ele mostraria que finalmente está pensando no coletivo e apostando em trabalhar a confiança em seus aliados, o que não foi capaz de fazer até aqui.

Na minha opinião, o grande jogador do episódio foi Jay, que se viu no bottom com um grande risco de ser eliminado, mas que arriscou não usando o seu valioso idol. Jay é um dos melhores participantes da temporada, uma espécie de mistura de Taylor e Adam. Por um lado, ele é inteligente e sabe ver o jogo no aspecto estratégico, mas por outro é um pouco arrogante e se deixa levar pela emoção. Diferente de Taylor, ele não é um surfista desmiolado, mas também toma algumas decisões impensadas e é impulsionado pelo ego. Adorei a sua atitude de perceber que os votos seriam divididos entre ele e Taylor, votar no amigo e arriscar ao não usar o idol. Se ele usasse, estaria fadado a eliminação na sequência de qualquer forma e não usando ele ganhou 6 dias no jogo e muita coisa pode mudar neste período.

Com um episódio duplo a nossa frente, acredito que as coisas vão ficar imprevisíveis e mais interessantes. A merge ainda não empolgou de vez, mas tem um grande potencial para explodir a qualquer momento.

Ranking da Semana após Still Throwin’ Punches:

1- David. Está numa ótima posição e completamente fora do radar. Mesmo depois de usar um idol para salvar outra pessoa, revelando ser estratégico, David não é alvo de ninguém e deve ter espaço para novas jogadas ousadas em breve. É o grande favorito neste momento.

2- Ken. Sumiu nos últimos episódios, mas ainda continua com uma ótima edição para vencer. Tenho bastante convicção que o seu lado sairá vitorioso na Guerra Civil Gen X. Este descanso na imagem de Ken pode ser um indicativo de que ele ainda vai durar muito.

3- Zeke. Está muito bem posicionado próximo a David, Chris e Hannah, ou seja, tem ligações de todos os lados e deve ser decisivo nos próximos votos. Ainda não enxergo potencial para vencer. Assim, fica atrás de David e Ken.

4- Hannimal. É a minha queridinha do momento. Além de ser super fofa, engraçada e divertida, Hannah está viva no jogo e pode surpreender ainda. Por mais que ela tenha a imagem de nerd neurótica, acredito que ela tenha potencial para chegar no fim e construir bons argumentos do porquê merece vencer. Além disso, seu jogo social parece impecável e todos parecem apreciar a sua companhia. Assim como David, Hanna já construiu uma espécie de redenção, além de ter se consolidado como uma personagem marcante. Não duvido que um dia ela retorna para uma segunda participação.

5- Jessica. O episódio não deu destaque nenhum para ela, o que me fez ter certeza que ela não corria risco de ser eliminada por Sunday e Bret neste episódio. A edição pareceu apenas introduzir um tema que será importante a partir de agora, mas acredito que é Sunday quem está com os dias contados.

6- Chris. Pode tentar puxar Zeke para o seu lado na guerra entre os Gen X ou até mesmo David, mas não vejo ele conseguindo sobreviver às próximas 4 ou 5 eliminações.

7- Bret. Por algum motivo ele sempre aparece muito nos episódios e é sempre aquele tipo de airtime inútil, completamente desconexo com a sua relevância no jogo e sem graça nenhuma. Não sei porque disto, mas da última vez que isto aconteceu a pessoa venceu. Uma vitória de Bret é completamente improvável e horrível de se imaginar, mas em algum momento eu quero entender porque os editores gostam tanto dele. Única coisa digna de nota foi beber vários bons drinks e não passar mal. Achei digno.

8- Adam. Poderia estar ainda mais abaixo no ranking por uma série de cagadas desde a merge. Adam me lembra os piores momentos de Spencer e Stephen Fishbach estrategicamente falando, mas, assim como ambos, ele conhece o jogo o suficiente para sair desta situação. Acredito que ele ainda tem chances e que deve sair dos holofotes por um tempo. Semanas atrás disse que ele, Ken e Jessica deveriam ter entregado o challenge para eliminar Taylor antes da merge. Nem eu imaginava que estava tão certo.

9- Jay. Com a saída de Taylor ele é o inimigo público número 1, mas o seu idol e um bom desempenho nos challenges podem lhe dar uma certa possibilidade de escapar. O problema é que seu principal aliado já votou nele no último Tribal Council e ainda sairá espalhando do seu idol por aí. Acredito que a aliança majoritária mirará em Jay para ele usar o idol, ma s votará em Sunday, Bret ou Chris.

11- Sunday. Assim como aconteceu com Tia do Botox, acredito que Sunday faz um jogo bem mais ativo do que a edição mostra, mas vejo sua saída bem próxima já que ela começou a dar as caras.

12- Will. Foi de invisível para cachorrinho do Jay e agora teve que começar a jogar individualmente. Não sabemos ao certo do porquê ele votou em Jay, provavelmente com medo de que Taylor fosse poupado por ser burro demais e que os votos seriam divididos entre ele e Jay. Entretanto, contar do idol do Jay quando restaram apenas os dois para os votos serem divididos tem o potencial de ser o prego em seu caixão. Grande candidato à eliminação.

PS: Gostaria de agradecer ao Guto Cristino pela excelente cobertura na minha ausência na semana passada. Também preciso pedir desculpas por esta breve review. Voltei de viagem no feriado e o trabalho e provas na faculdade estão consumindo todo o meu tempo. Fiz na correria mesmo. A próxima review será mais caprichada e com o episódio duplo ainda. Lembro que o último episódio duplo (Second Chance) foi simplesmente sensacional, espero que a história se repita.

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