Arrow não prometeu, mas está entregando uma ótima temporada. Até agora.

É até um pouco difícil comentar, já que eu havia prometido não acompanhar mais a série, ou escrever para ela depois de duas temporadas extremamente decepcionantes, mas Arrow está aparentando uma nova vida. A tão sonhada volta por cima parece ter chegado para a série do Arqueiro Verde, e se o padrão apresentado em Recruits e A Matter of Trust continuar, talvez a redenção venha, finalmente. A verdade é que Arrow sempre teve um ótimo potencial e mesmo quando extremamente abaixo da média, ela ainda mantinha aspectos interessantes que faziam com o que o telespectador voltasse semanalmente.

Recruits funciona basicamente como uma introdução, um tipo de episódio centralizado em apresentar o potencial futuro, mas pouco engajado em realmente mostrar para o telespectador a recompensa que ganharemos. Contudo, apresentar os novos recrutas modificou o status da série, impondo uma relevância maior para o tratamento do Oliver para com estes novos personagens. Essa não é, porém, a primeira vez que testemunhamos heróis sendo treinados, já havíamos acompanhado algo semelhante com Roy, Laurel e Thea, mas essa é a primeira vez que temos o Arqueiro Verde como mentor. Antes a função principal do Sr. Queen era a de rechaçar qualquer participação de seus amigos/irmã em seu exclusivo clube de vingança, até ser vencido pelo cansaço.

E por falar em vingança, a nova adição, Retalho, segue um padrão muito parecido com o do Oliver, especialmente pela conexão entre os pais de ambos os relutantes heróis. Só que dentro de Arrow nem tudo é repetição, ou melhor, apenas os Flashbacks são. A trama ao redor de Rory Regan se conecta diretamente com a de Felicity, finalmente expondo alguma consequência para a explosão da cidade de Havenrock. Não é o tipo de trama que me atrai, mas é algo que funciona dentro do padrão da série, que é o de dar destaque para a senhorita Smoak. Obviamente teremos o confronto entre os dois, e neste caso, uma ótima oportunidade para impor um peso maior para a morte de tantas pessoas em um evento tão trágico.

O ponto mais interessante de Recruits, porém, é a nova abordagem dada ao vilão, um homem que opera de maneira mais aberta e com ambos os pés no chão, algo que entra na promessa feita após o quarto ano da série. Na verdade, dentro do escopo prometido, tudo funciona muito bem, incluindo os flashbacks, finalmente sendo utilizados para contar uma história e não apenas abarrotar o episódio. Outro lado que está com potencial para criar uma história com carga dramática efetiva é a de Lance e Thea, dois personagens que precisam um do outro, de uma forma que eu não havia percebido até então.

Este segundo episódio é exatamente o que a série estava precisando. Dividindo a equipe de veteranos e incluindo os novatos em uma história bem estruturada, onde até mesmo a passagem do Diggle dentro do exército e as cenas com pouco gasto orçamentário valeram de maneira positiva.

Arrow -- "The Recruits" -- Image AR502a_0051b.jpg -- Pictured (L-R): Echo Kellum as Curtis Holt, Rick Gonzales as Rene Ramirez/Wild Dog, Madison McLaughlin as Evelyn Sharp, Stephen Amell as Green Arrow and Emily Bett Rickards as Felicity Smoak -- Photo: Bettina Strauss/The CW -- © 2016 The CW Network, LLC. All Rights Reserved.

Confiança, é tudo o que Arrow está pedindo em seu terceiro episódio. É exatamente o que muitos estão dispostos a oferecer para a produção em seu quinto ano, aquele que também entregará o centésimo capítulo da série. Mas confiança é algo muito complicado de garantir, porque ela vem acompanhada de vários clichês batidos e que estamos cansados de ouvir. Quer seja a do vidro/cristal, ou outra de sua preferência, a série do Arqueiro Verde precisa, mais do que nunca, de uma nova chance – a terceira, e final, para muitos.

Matter of Trust é a prova de fogo para a série, sua última tentativa em lidar com um tema que os próprios roteiristas, produtores e elenco acusaram de ter sido a grande pedra no sapato do quarto ano da série, os poderosos – meta humanos. Trabalhar o tema dentro do seu terceiro episódio foi a prova de que o problema do ano anterior não foi a presença de poderes, mas sim a falta de estrutura narrativa dentro da produção. Bem melhor apresentado aqui, a presença de Stardust mostrou de uma vez por todas que é possível fazê-lo, sem cair em clichês do gênero ou permear o episódio com momentos nada interessantes.

Existiu todo um lado mais leve também, presente oferecido pela inclusão dos recrutas. É uma nova mudança de ares, especialmente porque tira a culpa e o peso das costas do Oliver. Ele ainda tem que se preocupar com o que o seu time está fazendo, mas pela primeira vez em quatro anos não é a culpa que o está motivando a seguir em frente. Essa leveza, porém, não significa que Oliver Queen irá se transformar em um farol de comédia, como sua contraparte nos quadrinhos opera às vezes, apenas que existirá um lado mais leve a ser abordado, especialmente agora que a raiva e frustração foram direcionados para outro personagem, o novato Wild Dog.

Até mesmo o plot do John Diggle fez bem para o novo ritmo e dinâmica da série. Sua prisão, ou o fato dele estar alucinando com o homem que ele acreditava ser o assassino do seu irmão, competem uma maturidade maior para o episódio, em um roteiro que buscou de todas as formas criar uma boa divisão entre tudo o que estava acontecendo, incluindo o Flashback – que ainda encaro como desvio desnecessário, mas já consigo aturar graças a qualidade superior.

Matter of Trust cumpre bem o seu papel, conseguindo até mesmo me fazer desenvolver empatia pela trama da Thea. Chegou a hora de amadurecer e após três episódios Arrow demonstrou que é capaz de ser mais adulta, principalmente porque deixou a “infantilidade” e os erros da idade mais jovem para o sua equipe de novos vigilantes. É algo bom, um sinal de que as coisas estão mesmo mudando. Novo vilão, novos ares, clima já conhecido e confiança lentamente sendo restaurada. Essa é a Arrow que eu tanto queria ver, de novo, pena que demoraram dois anos para fazê-lo.

Easter eggs e outras informações

– Felicity contou a verdade sobre a destruição de Havenrock, limpando, maravilhosamente, o potencial para futura trama arrastada. Realmente, Arrow está mudada.

– A indústria Amertek já era uma conhecida “vilã” do mundo dos quadrinhos, tendo, inclusive, conexões com histórias do Superman.

– Retalho é um dos heróis místicos mais antigos da DC Comics. Sua primeira aparição foi em 1985.

– Stardust, nome da droga introduzida no terceiro episódio da série, é o nome adotado pelo lutador Cody Rhodes, do WWE. Stephen Amell já participou de uma luta do WWE e é fã confesso do esporte.

– Susan Willians, a repórter do canal 52, é cunhada do Lanterna Verde na nona arte. Mais uma conexão entre o personagem e a série Arrow.

– Adrian Chase, o promotor, também atende pela alcunha de Vigilante, herói introduzido em Teen Titans.

– Atendendo a pedidos, fiz a crítica dupla do segundo e terceiro episódios de Arrow e estarei publicando, no sábado, a do quarto. Entretanto, a minha volta ainda é provisória e só até que um novo(a) dono (a) apareça.

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