É incrível e igualmente satisfatório quando uma série entrega para o seu público, o que ela se pressupôs a fazer. Deixando a história limpa e livre para que os plots se desenvolva de uma forma linear e coerente, amarrando cada episódio de uma forma tão bonita que a liberdade poética se destaca como uma brisa refrescante.

Mesmo sendo o segundo episódio apenas, This is Us conseguiu esse feito. Tinha dito na review anterior, a preocupação da história de Jack e Rebecca não serem aprofundadas com o mesmo tempo de cena dos outros personagens, por serem de uma linha de tempo diferente, eles serviram no piloto como ponto de ignição para a história do “Big Three” Kate, Kevin e Randall. Isso ficou muito claro agora e foi abordado com maestria.

O interessante notar aqui é que as histórias se parecem, assim como no piloto, em que tivemos a mesma data de aniversário como ponto em comum, tivemos nesse episódio a definição de lealdade e cumplicidade que todos levam suas vidas. Seja Rebecca e Jack em um conflito com a forma que estão conduzindo à família, que se reflete nos filhos, agora no presente, conduzindo suas próprias vidas. Kevin e Kate têm uma relação quase simbiótica entre gêmeos, são dois pedaços de uma ponte que não podem se desconectar, o que vai ser muito difícil de lidar quando Kevin for para Nova York.

Talvez é nesse ponto em que temos Toby, o interesse amoroso de Kate, como o novo portador digamos assim, dessa função que Kevin tem com a irmã, não digo que será uma substituição, mas será um elemento a mais que vai ajudar Kate a passar por todo esse conflito que ela tem consigo mesma. Interessante é comparar Toby com Jack, em essência os dois se parecem muito. O amor que eles possuem acabam sendo mais forte que os problemas que os cercam. No caso de Jack, ele abre mão da bebida para se reconectar com a esposa e os filhos. Já Toby enfrenta o mesmo problema de peso que Kate, mas tenta fazê-la esquecer de que isso é um problema e tenta fazê-la viver mais. Na psicologia se diz que, equivocadamente, às pessoas tendem a se apaixonarem por pessoas que possuem a mesma essência que seus pais, que de certa forma se encaixa muito bem à trama, principalmente com a ausência do pai de Kate no presente.

Já Randall tem tentado se conectar com seu verdadeiro pai e isso tem preocupado bastante sua esposa Beth, aí vemos mais um ponto em comum entre as histórias. A lealdade de Beth com Randall é tão grande, que por ele, ela aceita a mudança que a chegada de William proporciona na vida da família e toda cumplicidade de um casal é definida durante uma conversa na cama em que Randall diz que eles possuem essa capacidade de dizer o que sentem, não importa o que seja e não vou negar, achei isso muito emocionante. Mesmo quando Beth conflita William na cozinha, ela diz uma coisa que realmente chama a atenção. Randall é uma pessoa que busca o bem, não importa as circunstâncias e aí você percebe que toda a criação do Big Three foi cercado desse elo da verdade e cumplicidade.

Já Kevin tem um problema maior que é conviver com opiniões, Kate também tem, mas para Kevin esse conflito foi determinante para a relação de irmãos com Randall ser bem estreita, mas não se engane, existe sentimento entre os três e a ligação dele para o irmão foi exatamente para aproximar mais esses laços. Não tem como não rir daquele jargão familiar que os três brincam, é uma delícia esse elo.

Então eis que chega a parte final e boom, mais uma bomba para gente digerir. Rebecca aparece no presente com outro homem que não o Jack, confirmando as nossas suspeitas de Jack possa ter falecido. Talvez a ausência do patriarca possa ter reações mais severas no decorrer da temporada, mas é interessante ver como a série entrega o clímax em cada final de episódio, amarrando os próximos como um trem carregando seus vagões e isso possibilita um episódio bom atrás do outro.

Tinha dito anteriormente que a série funcionaria como um filme ou uma minissérie, mas se mantiverem cada episódio, sendo construído tão linearmente, é possível que a série sobreviva sim a mais de uma temporada, só não podem desandar com um episódio, afinal quando  um vagão descarrilha, o resto do trem desanda.

PS: Fico imaginando o trabalho de uma mãe com três crianças pequenas, hoje em dia isso dá mais divórcio, ai do pai se não ajudar em casa.

PS2:  Ainda quero ver um jantar de família, e quem vai promover isso é Rebecca tenho certeza.

PS3: William tem um gato feio chamado Clooney, se é tortura ao pobre animal eu não sei, mas queremos ver Clooney na série.

PS4: “Eu vou expor ele no snap chat” Disse a produtora do Kevin

PS5: Estou junto com Kate quando ela solta um esporro na garota com 45 Kg, ela não sabe o que é ser gorda.

PS6: Muito feliz com o sucesso da série e por terem encomendado a temporada completa, vamos torcer para que a season não se perca até o final.

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