Mais cara de Season Finale impossível!

Spoilers Abaixo:

Treze é um número importantíssimo para Chuck. Durante todas as suas temporadas a série correu sérios riscos de cancelamento, além de nunca ter temporadas completas encomendadas. Por isso, Josh Schwartz e Chris Fedak sempre acabam desenhando suas tramas para treze episódios. O resultado disso é que o décimo terceiro capítulo da temporada acaba sempre tendo estrutura de final de temporada. No ano passado, Chuck vs. The Other Guy mostrou para todos do que a série é capaz, com um dos melhores episódios de toda a série, se não o melhor. Quase um ano depois, Chuck vs. The Push Mix apresenta estrutura semelhante, e se não atinge a perfeição do 13º episódio da terceira temporada, consegue prender a atenção de seu espectador encerrando seus arcos e levantando várias questões sobre o restante da temporada.

Com Casey no hospital e Sarah em missão com Volkoff, Beckman exclui Chuck e Morgan do proesseguimento da missão para encontrar Hydra, a rede comunicações do bandido russo. Não aceitando a condição imposta pela general, os dois partem para derrubar Volkoff sozinhos, criando um plano para descobrir o que é Condessa. Enquanto isso, Ellie entra em trabalho de parto, fazendo com que Devon surte e perca a linha, enquanto Jeff e Lester invadem o hospital para fazer com o novo bebê Bartowski nasça ouvindo suas brilhantes músicas.

O missão do episódio, tema central de Chuck vs. The Push Mix, acaba sendo o ponto fraco da trama, apesar de conseguir alguns acertos. Semana passada disse que Chuck é uma série que se caracteriza pelos exageros e pelos devaneios, mas aqui parece que grande parte dos eventos ocorridos no Condessa soam artificiais até mesmo para as características da séri, principalmente nos momentos em que Morgan está envolvido. Volkoff também parece exagerado demais em alguns pontos. Apesar disso, cenas como o interrogatório no banheiro e Morgan andando com pés-de-pato conseguem ainda divertir, mesmo que a trama não seja completamente eficiente.

Mas se a missão não consegue ser interessante aos olhos do espectador, uma coisa Chuck vs. The Push Mix faz muitíssimo bem: encerrar praticamente todos os arcos da temporada, sem deixar nenhuma ponta solta. Como muitos de vocês, me enganei redondamente ao prever que o episódio passado tratava de uma transição para o restante da temporada. De fato tratava-se de uma ponte, mas para um único episódio, provavelmente planejado por Schwartz e Fedak desde o princípio da temporada. O roteiro consegue trabalhar muito bem com seus arcos, trazendo Sarah e Mary de volta para Chuck, passando pelo nascimento de Clara, filha de Ellie e Devon, até os segundos finais em que nosso protagonista finalmente consegue concluir sua “missão” começada em Chuck vs. The Balcony. E o faz sem que o espectador se sinta inundado por uma quantidade muito grande de eventos, procedendo de maneira sutil, em apenas dez minutos.

Outra coisa que encontrou sua conclusão aqui foi o pleno desenvolvimento de Chuck como espião. A transformação do personagem desde a primeira temporada é visível, e nesse episódio ele finalmente pode dizer que é um espião de verdade, agindo desde o primeiro minuto como um, e o faz sem ajuda nenhuma de Casey, Sarah ou Beckman. Sei que alguns saudosistas dizem que a série se perdeu quando Chuck deixou de ser o bobalhão das primeiras temporadas, mas é importante ressaltar o quanto a evolução do protagonista é importante para qualquer série. Se Chuck continuasse sendo o mesmo desde o piloto, tudo que veríamos seria mais do mesmo, sem exceção. Além disso, a transição do personagem foi feita com cuidado, sem nenhuma mudança repentina. Eu particularmente duvido que a série continuasse tendo qualidade se não trabalhasse na evolução de todos os seus personagens.

Enquanto Chuck desenvolve sua personalidade, o roteiro aproveita para fazer um paralelo com Devon em sua obsessão por tornar o nascimento de sua filha perfeito. Enquanto Chuck reage até que bem ao ver seu plano indo por água abaixo, Devon parece perder completamente a linha ao ver que as coisas não sairiam como planejado. A intenção do roteiro com esse paralelo é exatamente mostrar a maturidade de Chuck em contraste com a eterna criancisse de Devon. Apesar de eficiente, a tentativa acaba culminando em uma melodramática cena do pai de primeira viagem com Casey, que nesse episódio não teve quase nenhum destaque, limitando-se a pouquíssimas palavras.

Já que falei de Devon e Ellie, aproveito para comentar sobre a mais uma vez competente participação de Jeffster na série. Os roteiristas têm aproveitado bastante a dupla como atração musical no final dos episódios, e a cena dos dois cantando no hospital dessa vez teve um bizarro toque de Glee, diferentemente das outras ocasiões. A série sempre teve no núcleo da Buy More um grande alívio cômico, mas os momentos musicais de Chuck também são divertidos, além de preencherem bem o tempo. O único problema será se o roteiro começar a exagerar na dose. Já é a segunda vez que os dois fazem uma performance em três episódios, o que já é um número demasiado alto, apesar de ainda não incomodar. Os roteiristas precisarão tomar muito cuidado para não cansar seu espectador.

Se o roteiro de Chuck vs. The Push Mix acerta ao encerrar os arcos, a direção do episódio, de Peter Lauer não faz  por menos. Diretor de muitos dos melhores episódios da série, ele acerta ao conduzir os diálogos e ao escolher as profundidades de campo e ângulos de câmera. Mas seu maior acerto no episódio é sem dúvida nos momentos finais. Ao mostrar o pedido em casamento de Chuck para Sarah, o diretor é muito feliz ao recuar sua câmera, abrindo o plano, permitindo que aquele momento ficasse apenas para os dois, transmitindo para o espectador a sensação de intimidade da cena. Além disso, ao escolher deixar um faxineiro com a cabeça escondida como foco principal do plano, o diretor cria uma ambiguidade interessante. Se por um lado a faxina passa a sensação de final, por outro o espectador, baseando-se em seu conhecimento prévio da série, não deixa de imaginar que aquele cara poderia ser Volkoff.

Enquanto esse episódio consegue trabalhar o fechamento de seus arcos e se comportar como um season finale, uma pergunta deve ter sido levantada por praticamente todos os fãs: o que ocorrerá com a série até o fim da temporada? Com Volkoff preso, o roteiro passa a não contar com mais nenhuma opção de vilão. Meu palpite é de que os roteiristas darão um jeito de manter Volkoff na história, ou que a série volte a apresentar casos soltos, aproveitando para reforçar a relação entre os personagens. Pessoalmente eu prefiro a segunda alternativa, até porque Chuck é agora um popstar da CIA, o que pode ser aproveitado pelo roteiro até conseguir abrir uma nova história. Mas se os roteiristas conseguirem trazer Volkoff de volta com competência não vejo nenhum problema.

Com um episódio com cara de final de temporada, Chuck mostra para o espectador que não pretende extender seus arcos por um longo tempo só para encher linguiça. Resta saber se terá competência para seguir em frente agora. Eu apostaria que sim.

No twitter: @GabrielOliveira

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