Chestnut veio para provar que o nível apresentado no piloto de Westworld não era apenas hype ou simplesmente para prender os telespectadores para, depois, apresentar uma sequência mais lenta. Muito pelo contrário, é consenso que esse episódio foi tão bom quanto seu predecessor, senão melhor!
William e Logan
A chegada da dupla de amigos no parque poderia, muito bem, ter servido como forma de abrir a série para nós – mas graças a Deus isso não aconteceu. Essa apresentação levemente mais didática foi interessantíssima no segundo momento, mas teria sido um pecado ter uma visão humana antes de imergirmos na vida dos anfitriões.
Logan já conhece o parque como a palma de sua mão. Sabe os plots de cada host e não perde tempo em alimentar seus próprios desejos sem qualquer preocupação com as aparências, com os “sentimentos” e “dores” dos anfitriões (vide a garfada que dá no bêbado do restaurante) ou com uma moral superior que é obrigado a seguir fora daquele lugar.
Já William ainda está bastante conectado com o mundo real e ainda não sucumbiu às tentações daquele lugar sem lei. Será que ele é um ser moralmente superior ou é questão de tempo até ser corrompido? Qual o tempo você levaria para abandonar seus conceitos de certo e errado e se entregar aos seus instintos mais animalescos?
Ainda sabemos muito pouco sobre os dois, além de serem colegas de trabalho, mas essa dualidade (moral x imoral) ficou bastante clara – principalmente com as escolhas dos chapéus: Branco, para o William, e preto, para o Logan. E será que o William realmente tem alguém esperando por ele no mundo real ou só disse aquilo para a prostituta mecânica para não ter que transar com ela? Mal posso esperar para ver a interação deles com o restante dos hosts!
“Are you real?”
“Well, if you can’t tell, does it matter?”
Dolores e Bernard
Apesar dela ter falado muito pouco, tivemos alguns desenvolvimentos interessantes com a Dolores. Eu não tenho capacidade de compreender a dor que ela deve ter sentido ao se lembrar da chacina, do dia anterior, em frente bordel. Aliás, nem a dor nem como ela assimila o que aconteceu, vendo todo mundo vivo novamente. É nesse momento, inclusive, que ela sussurra para Maeve a citação de Shakespeare que parece ser a frase que faz os anfitriões acordarem para a própria realidade.
“These violent delights have violent ends.”
Ela ainda consegue uma forma de esquivar temporariamente de sua narrativa, sendo acordada no meio da noite por uma voz que insiste em manda-la se lembrar. E depois de alguns passos e uma cavada superficial em um lugar muito preciso, ela encontra uma arma. Quem enterrou aquela arma ali? Com qual objetivo? Qual a importância daquela arma para Dolores? Seria ela capaz de matar visitantes? Afinal, Dolores já se mostrou capaz de matar uma mosca.
Sua melhor interação, porém, é com Bernard. Em uma conversa rápida, meio que às escondidas, Bernard mostra que não apenas sabe de parte das “avarias” de Dolores, como também está disposto e curioso para ver até onde isso vai dar É possível, inclusive, que ele seja responsável por algumas dessas modificações.
“Have I done something wrong?”
“No, but there’s something different about you, about the way you think…”
“Have you done something wrong?”
Somente a descoberta do namorico entre Bernard e Theresa que achei extremamente desinteressante, pelo menos inicialmente. Como acho pouco provável que um deles não seja humano, o namoro deve servir apenas como um jogo de poder para os dois.
Ford e o Homem-de-preto
Ford tem um encontro interessantíssimo com uma criança sozinha em um ponto distante do centro do parque. O pouco que dividem deixam claro que existe uma conexão forte entre eles. O sotaque britânico da criança (da mesma forma que o personagem do Anthony Hopkins) e o fato do pai dos dois ter ensinado para eles algo tão específico de forma tão semelhante não deixa dúvidas. Resta saber a profundidade dessa relação? Teria Ford feito um anfitrião baseado nele mesmo? Em um filho que morreu? Independente disso, aquele encontro deu ideias tão boas para ele, que dispensou por completo o projeto requentado de Sizemore para nos presentear com algo realmente inédito (assim como Westworld está fazendo no mundo de ideias requentadas no mundo das séries, vale dizer).
“Everything in this world is magic, except for the magician.”
O homem de preto continua em sua missão de ir para as profundezas do universo de Westworld. O que ele deseja encontrar continua um mistério, mas já está mais do que provado que ele não vai medir esforços para chegar lá. Se você parar para pensar, passar 30 anos naquele lugar realmente faz dele mais nativo do que os que se esquecem do dia anterior a cada dia que passa.
A violência que ele se utiliza para conseguir o que quer parece inconcebível para qualquer ser humano e, às vezes, parece que se um ser humano entrasse em seu caminho, o misterioso homem acabaria com sua vida com a mesma facilidade. A sequência do tiroteio no pequeno vilarejo natal do Lawrence foi muito bem-feita e o interesse pela história do personagem continua crescente.
“That’s why I like the basic emotions. It means when you’re suffering, that’s when you’re most real.”
Maeve
O destaque do episódio, sem dúvidas, fica com Thandie Newton na pele de Maeve. Em uma interpretação maravilhosa do começo ao fim, vimos a cafetina contando sua história da voz em sua cabeça de formas bastante distintas, mas todas sensacionais.

Suas lembranças – seja de uma narrativa mais antiga do parque ou de sua vida humana (assista mais comentários sobre essa teoria no Derivado Cast dessa semana, aqui) – são bem intensas e pesadas. Perseguidas por indígenas pintados de branco e com uma tara em arrancar escalpos, Maeve e sua filha (?) são encurraladas em sua própria casa para se dar conta de que a lembrança deturpada do indígena era, na verdade, ninguém menos que o pistoleiro / homem-de-preto. O que ele, de fato, fez com ela? Ela conta até 3 de trás para frente e acorda numa mesa de cirurgia.
Como um animal acuado, Maeve parte pra cima dos cientistas e tenta fugir, em um mundo completamente desconhecido por ela. Tendo vivido por toda vida no velho oeste, aquele cenário era mais que perturbador. Especialmente quando começa a encontrar seus conterrâneos sendo lavados com mangueira, consertados sem qualquer discrição. Ela cai por terra, nua e completamente atemorizada – e com razão. Qual pesadelo foi pior eu não sei dizer, mas se ela passar a se lembrar de tudo isso, não vai demorar para ela surtar.
E vocês, o que acharam do episódio?















