Para quem AINDA sentiu falta de batalha, após o 19ª episódio, em The Reckoning já começamos com o ataque surpresa do exército viking após Aethewulf cair na armadilha de Ivar. A luta, porém, passou longe de qualquer tipo de peleja romanceada, e foi guerra pura, crua. Muito interessante, por sinal, as diferenças de estilos entre os dois exércitos, representados principalmente por seus líderes, Bjorn e Aethewulf.
Enquanto Bjorn luta com fluidez, quase como uma dança, – e seu cabelo esvoaçante causa um belo efeito – Aethewulf luta com a disciplina e a rigidez de quem tem muito treinamento, mas pouca intimidade com o assunto. Basta perceber como enquanto Bjorn mata soldado atrás de soldado, encarando os inimigos quase como crianças, cada guerreiro que Aethewulf sobrepuja é uma enorme batalha e exige esforço sobre-humano. O próprio Aethewulf percebe isso, não só em Bjorn, mas em outros guerreiros e guerreiras vikings, que estão ali em um momento de êxtase. A sua decisão de retornar não foi motivada por covardia, mas por entender que eles não estavam preparados para aquilo.

Um comentário histórico sobre isso: de fato os vikings eram guerreiros fora de série em sua época, e não é por acaso que a solução encontrada por alguns povos foi justamente virá-los contra si mesmos. Rollo, por exemplo, seduzido com um título de nobreza para a função de proteger a França dos seus conterrâneos. Além dele, os próprios vikings que se instalaram na Ânglia Oriental lutaram contra seus antigos companheiros.
The Reckoning, contudo, deixou bem claro que nessa dualidade de herdeiros, Bjorn e Aethewulf têm várias semelhanças. Ambos entendem muito bem o fardo de seus deveres e carregam esse peso voluntariamente. Basta perceber que os dois entenderam que essa guerra é fundamental para o futuro de ambas as civilizações. Quem parece ter compreendido isso tarde demais foi Ecbert, que entendeu no início do episódio, ter enviado o filho para a morte quase certa. Mais do que isso, Ecbert parece ter ficado louco porque sabe que está somente colhendo o que plantou.
Curioso, porém, como, mesmo com o seu mundo caindo, foi preciso oficializar uma cerimônia de transferência da coroa! Esse provavelmente é o grande problema dos ingleses, e uma grande disparidade entre eles e os nórdicos: o excesso de preciosismo às tradições, faz com que as cerimônias sejam mais importantes do que a urgência que eles tinham no momento. Os vikings são muito mais práticos. No fundo, essa é a mesma diferença no estilo de luta, que eu notei lá no início: enquanto o povo nórdico luta com improvisação, fluidez e naturalidade, os ingleses lutam de forma rígida, com treino e precisão. A questão não é sobre luta, é sobre as CULTURAS.

Culturas que parecem ter sido indissociáveis no relacionamento entre Helga e Tanaruz. A pequena Moura tomou uma atitude que precisou de muita coragem, e acabou NOS deixando órfãos de mais um personagem muito querido pelos fãs! Helga foi uma pessoa fundamental para Floki, servindo para ancorar o brilhante engenheiro no mundo real, a despeito de todo o seu misticismo e esoterismo. O próprio Floki reconheceu isso em sua conversa com Bjorn, e parece estar se aproximando o momento em que nos despediremos do próprio construtor de barcos.
Chegando ao final do episódio e encaminhando a série para a próxima temporada, Bjorn conseguiu com Ecbert a propriedade oficial da Ânglia Oriental – uma versão pouco acurada da realidade, já que os nórdicos conquistaram o reino na mão, sobrepujando com seus exércitos. O curioso no destino de Ecbert, porém, foi ver Ivar ansiando por realizar ele próprio o ritual da Águia Sangrenta. Deu para perceber que a execução é uma honra muito grande, e o jovem filho de Ragnar sente que merece. Mas não foi esse o destino de Ecbert. O rei preferiu se matar no local onde teve alguns de seus melhores momentos, um final apropriado para um personagem relativamente covarde (mais uma diferença enorme entre vikings e saxões).

Agora, com o pai vingado, a situação na Inglaterra sob controle e terras para o seu povo, Bjorn sente que o seu dever está feito, e anuncia que voltará ao mediterrâneo, local onde o verdadeiro Bjorn Ironside realmente fez o seu nome e ganhou fama. Por sinal parece ser exatamente esse o objetivo de Bjorn: “agora que eu já cumpri o legado do meu pai, vou atrás do meu próprio para o meu nome”. A pergunta que fica sobre isso é: Por que Halfdan quer seguir Bjorn? Só consigo imaginar que ele próprio vai tentar matar o nórdico, ainda que não saiba sobre o fracasso do ataque a Kattegat.
A relação entre Ivar e Ubbe dá um sutil salto nesse episódio, a medida em que Ivar nega querer liderar o exército, o que ele afirma olhando para Ubbe. O irmão é o mais próximo do Sem-Ossos, e com a sua perspicácia, ele sabe que por melhor que seja, dificilmente os guerreiros o seguirão em batalha. Mas eles seguiriam Ubbe sem sombra de dúvidas, formando a dupla que, como já comentei em outros textos, ficou tão famosa na invasão nórdica à Inglaterra. Sigurd, por outro lado, subestimou Ivar até o último momento, confirmando da pior forma possível, o desequilíbrio de seu irmão, que ele próprio tanto acusava. Foi um destino, claro, absolutamente não real para Sigurd, mas apropriado para a série, que precisa se livrar de seus personagens. Aliás, como curiosidade, é justamente uma descendente de Sigurd que se casa com Halfdan o Negro e dará à luz a Harald Finehair(, pelo menos na vida real!).

O episódio ainda terminou nos apresentando o personagem de Jonathan Rhys Meyers, que alguns chegaram a especular que interpretaria o Alfredo adulto nessa segunda metade da temporada. Ao invés disso ele representa o bispo Heahmund, um sacerdote-guerreiro que de fato existiu, mas que tenho a impressão de que será uma fusão de diversos personagens. Ele se posiciona como um oponente direto dos vikings daqui pra frente, e admito que estou curioso para ver como funcionará essa dinâmica.
> Dicas de Séries Imperdíveis!
Chegando ao final dessa quarta temporada de Vikings, a primeira com 20 episódios, não é absurdo dizer que Michael Hirst nos surpreendeu de forma muito positiva. Todos temíamos que a série poderia se arrastar com o dobro de episódios, e de fato tivemos algumas barrigas aqui e ali. Contudo a história contada é TÃO extensa, e tem TANTOS acontecimentos e personagens interessantes, que o saldo final foi excelente. Além disso, poucas séries tiveram a capacidade de matar o seu amado protagonista e ainda MELHORAREM depois disso! Mais do que isso, ao longo dessa temporada a série ganhou uma projeção enorme, e não é exagero colocá-la como uma das séries mais quentes do momento. Esperamos mais ainda pela a próxima temporada, já confirmada com os mesmos 20 episódios, mas ainda sem data de estréia. Vamos torcer para a história continuar no padrão que estabeleceu! Até lá!
https://youtu.be/KuwgyyeEp9c















