Finalmente! Para quem reclamou da falta da batalha no episódio anterior, nesse capítulo vimos uma das melhores representações de luta medieval das séries! Sendo o penúltimo episódio dessa importante quarta temporada, On The Eve prepara o terreno para um Season Finale que promete muitas emoções, e se existe algo que Michael Hirst sabe fazer com maestria é um bom final para as temporadas de Vikings.

Iniciando o episódio com um ataque preliminar a Kattegat, pudemos perceber que Lagertha realmente tem planos enormes para a cidade. Como ela e Torvi puderam perceber, essa primeira investida era apenas para tentar identificar os pontos fracos da cidade, o que as deixou corretamente com a pulga atrás da orelha. No ataque subsequente, esse sim liderado por Egil, Lagertha estava mais preparado, e soube atrair os inimigos para a arapuca correta. Mais do que tudo, esse foi um episódio que deixou claro o pensamento estratégico dos Vikings, à medida em que Egil, Lagertha, Bjorn e Ivar todos fizeram estratégias e contra-estratégias, tendo diferentes resultados cada um.

O principal desenrolar da luta de Kattegat (que, cá pra nós, não foi muito impressionante), foi o descobrimento de Lagertha, de que Harald foi quem encomendou o exército rival. Com essa informação, o rei definitivamente não pode mais ficar vivo, e acredito que a guerreira deve enviar um mensageiro para informar isso ao seu filho. Como esse processo se dará, e como as partes reagirão a essa informação deve ser um dos pontos chaves para o próximo episódio.

Lagertha não está para brincadeira. Vikings - On The Eve
Lagertha não está para brincadeira. Vikings – On The Eve

Falando no próprio Harald, assim como ele chegou à conclusão de que era a hora de atacar Kattegat, ele parece ter perdido a paciência com Vik, marido da princesa Ellisif. A trama foi um pouco súbita e pouco trabalhada, e tenho a impressão que o destino da princesa pode ter mexido bastante com o líder viking. Pensei na possibilidade de ele entrar em confronto com seu irmão, mas isso é pouco provável. Acredito, contudo, que ele deve ficar bastante desequilibrado quando confrontado pelos filhos de Ragnar sobre o ataque a Kattegat.

Enquanto isso, em Wessex, uma coisa ficou muito clara: uma das dificuldades-chave que os ingleses têm para a sua defesa é a disputa de poderes e de líderes. Aethewulf não se entende totalmente com seu pai, e os dois têm opiniões muito divergentes. Enquanto os nórdicos, mesmo com motivações divergentes e diferentes aspirantes a líderes, lutam juntos e seguem as ordens porque sabem que são muito mais ameaçadores unidoss do que separados, os líderes ingleses batem cabeça o tempo todo, a começar justamente pelo fato de que Aelle não se juntou a Ecbert e Aethewulf desde o episódio anterior. Se os britânicos entendem de politicagem, os vikings entendem de guerra, e acredito que foi sabendo disso que Ecbert tentou despertar em seu filho o ódio contra o povo de Ragnar. Aqui um detalhe: o filho SEMPRE odiou e SEMPRE foi contra o relacionamento que o seu pai criou com aqueles “bárbaros”. Até por isso esse diálogo diz muito sobre esse relacionamento, um pai que absolutamente não entende e não se importa com o que o filho pensa.

Aethewulf esteve sempre um passo atrás, durante a batalha. Vikings - On The Eve
Aethewulf esteve sempre um passo atrás, durante a batalha. Vikings – On The Eve

O que nos leva a uma das batalhas mais bem realizadas da história das séries, e que deve se tornar um belo referencial daqui em diante. Se a Batalha dos Bastardos de Game of Thrones se tornou emblemática pela luta crua e por uma representação poucas vezes realizada com tanta maestria da opressão claustrofóbica que é uma guerra medieval, em On The Eve nós tivemos uma aula muito clara da genialidade e do diferencial que uma mente estratégica pode fazer em uma luta. Ivar se mostrou um estrategista brilhante, e compreendeu, assim como a maioria dos gênios militares do mundo compreendem, que o terreno da luta é tão importante quanto os números e a habilidade dos combatentes.

Com essa informação ele elaborou essa estratégia de se mover o tempo inteiro, dando golpes aqui e ali, fisgando o inimigo a ter exatamente a ideia que ele esperava. Se Aethewulf se mantivesse ali, ele perderia os soldados aos poucos, até o momento em que estaria em clara desvantagem. Tendo a ideia que teve, ele entrou alegremente na armadilha que Ivar preparou.

O que dizer então sobre a direção dessa batalha, um trabalho primoroso de Ben Bolt? O grande desafio de uma guerra cinematográfica é a quantidade de ações acontecendo de forma simultânea, até por isso, a maioria prefere justamente se focar em um único personagem, que é quem acompanharemos ao longo daquele confronto. Michael Bay, por exemplo, transforma suas cenas de batalhas em um caos total, com cortes extremamente rápidos, câmeras tremendas e pouca nitidez sobre as ações que acontecem. É uma forma válida de representar a guerra, apesar da dificuldade que isso proporciona para o entendimento do que aconteceu. Nessa luta, Ben Bolt conseguiu definir o local em que a batalha aconteceria, e fazia transições fáceis de entender, à medida em que nós acompanhávamos a movimentação dos nórdicos, a defesa dos ingleses e o ataque dos primeiros, de forma muito coerente. Em nenhum momento ficamos em dúvida sobre o que estava acontecendo, ficamos em dúvidas apenas, assim como Aethewulf, sobre as intenções de Ivar, que, quando reveladas, são imediatamente entendidas e se tornam genial no mesmo instante. Assim como Floki, todos ficamos mesmerizado com a sagacidade que o guerreiro teve para elaborar aquela estratégia. Genial, e provavelmente foi exatamente isso que Ragnar viu no guerreiro, uma inteligência muito acima de seus irmãos!

Nós ficamos tão mesmerizados quanto você, Floki! Vikings - On The Eve
Nós ficamos tão mesmerizados quanto você, Floki! Vikings – On The Eve

Ivar é um personagem que pertence ao campo de batalha, basta reparar como, quando ele está em sua biga, ele se torna mais alto que seus irmãos, uma mensagem muito clara de que, diferente das tarefas domésticas, essa é uma arte que em que ele é diferenciado, e domina de forma absurda. Foi uma belíssima batalha e uma belíssima construção. Independentemente do Season Finale, que tem tudo para ser incrível, On The Eve já entra na lista dos melhores episódios de Vikings sem sombra de dúvidas. Que trabalho!

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PS: Justo quando a Torvi estava se tornando um personagem legal!

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