Revenge. Um sentimento que nos impulsiona a algumas das maiores barbaridades do mundo. Ao longo dessas quatro temporadas de Vikings, contudo, já aprendemos que é um sentimento bastante presente nessa cultura nórdica, justamente em contraponto ao cristianismo inglês, que prega o perdão acima de tudo. O título do episódio, contudo, não poderia ser mais adequado!
Com os preparativos finais para a vingança de Ragnar, pudemos acompanhar uma disputa pela liderança do exército e um crescimento da rivalidade entre Ivar e Bjorn. Ivar se sente “O Escolhido” por seu pai, e quer liderar o exército. Além disso, ele se ressente mais ainda por Bjorn ser filho de quem é. O olhar que ele deu para Lagertha durante a cerimônia deixou claro que se dependesse dele, ela é quem seria sacrificada.
Harald parece ter combinado com Egil para atacar Kattegat durante a ausência dos guerreiros. Começo a me perguntar qual a história de Egil? Será ele filho de alguém que foi prejudicado por Ragnar? Além disso, fomos apresentados à princesa Ellisif, supostamente a mulher que motivou o norueguês a se tornar um conquistador. Não está claro para onde essa ponta da história vai levar, mas acredito que no momento de cisão maior entre Harald e Bjorn/Lagertha, a princesa Ellisif terá um papel preponderante.

Curioso também o casamento de Ubbe com Margrethe. Não pela cerimônia e pelo casamento em si, mas pela relação que eles desenvolvem com Hvirtserk. Ubbe já havia comentado sobre partilhá-la com seus irmãos, mas após o casamento essa relação parece ter sido oficializada. Forma-se um triângulo amoroso que, ao contrário do que Ubbe e ser irmão afirmaram, pode gerar atrito e ciúmes dentro da família. Aliás, é impossível não pensar na proposta que Ragnar e Lagertha fizeram a Aethelstan lá no início da série! Aparentemente, segundo esta série, os vikings eram bastante propensos ao velho ménage à trois!
O Ritual
Voltando para os preparativos, Lagertha garantiu que o sacrifício fosse realmente especial para os bons ventos do Grande Exército: um Earl. Não qualquer Earl, mas justamente o que parecia apoiá-la no trono de Kattegat, Earl Jorgensen. A chuva de meteoros que aconteceu pode ser recebida como um sinal de que os deuses receberam a mensagem. As cerimônias de Vikings são muito interessantes por nos mostrarem muitos dos costumes daquela sociedade, e a forma como lidam com vários fatores, como a morte. Realmente fascinante.
Aliás, um comentário: desde o episódio anterior, Lagertha está sempre com aquela coruja branca em seu ombro. As corujas são animais muito ligados à sabedoria e à morte, e essa espécie em específica, Coruja-das-Torres, é conhecida em algumas partes do Brasil é como Rasga-Mortalha: se ela passar pela casa de alguém cantando (justamente um barulho estridente, como se estivesse rasgando uma mortalha), é porque alguém ali vai morrer. Acredito que não é demais entender que justamente os dois aspectos que circundam a coruja também estão muito próximos de Lagertha: a sabedoria que ela parece estar aplicando no governo de Kattegat, e a sua própria morte, que também não parece distante.

Retornando ao ritual, a ausência de Bjorn e Astrid foi imediatamente notada, e as palavras de Lagertha na cama deixaram claro que ela já sabe do que está acontecendo. A sequência sincronizada entre o sacrifício e a relação, contudo, conecta imediatamente para um dos acontecimentos mais clichês das produções audiovisuais: uma vida é tirada ao mesmo tempo em que outra é concebida. Vamos ver se isso realmente será confirmado ou se foi apenas uma pista falsa.
A Invasão
Enquanto os nórdicos terminavam todos os preparativos, na Inglaterra as coisas parecem bem paradas. Tanto Ecbert quanto Aelle sabem que serão atacados, mas enquanto um está velho e parece não se importar francamente com isso, o outro age com uma arrogância curiosa. É a confiança provinda da ignorância. Aelle não faz ideia do que os nórdicos são capazes e a fé em Deus reforça ainda mais esse sentimento. O único que parece realmente preocupado é Aethewulf, que finalmente revelou para seu pai o seu ressentimento pela falta de carinho que os dois tiveram. Fico curioso se ele descontará um pouco dessa raiva em Alfredo, no futuro, mas acredito que ele também não vai ficar por muito tempo para contar história.

A invasão é brutal, e se os nórdicos já ficam em frenesi durante as batalhas, a vingança de Ragnar atiçou os sentimentos mais profundos entre os envolvidos. Não só os seus filhos, mas Floki estava irreconhecível. Ivar desfilando com a sua biga (obrigado à leitora Deborah, que me corrigiu ao chamar o transporte de Ivar de charrete!) impôs muito respeito e também pareceu um incentivo interessante para os seus comandados.
> Desventuras em Série: Crítica!
Com essa diferença de forças era óbvio que os guerreiros da Nortúmbria não teriam nenhuma chance, e é engraçado perceber que nas cenas pós-batalha Bjorn e companhia não estão nem sujos, como se aquele embate tivesse sido absurdamente fácil para eles.
VINGANÇA

A Vingança dos filhos de Ragnar foi pesada, dura e sanguinolenta. Levados por Aelle ao ponto exato em que Ragnar morreu – e me pergunto o que aconteceu com o corpo e mesmo com as serpentes que estavam no poço? – Bjorn aplica no Rei a conhecida técnica “Águia de Sangue”, que chocou tantos fãs no final da segunda temporada. É curioso perceber como cada filho tem uma reação diferente à sangrenta técnica. Enquanto Bjorn e Sigurd parecem enojados com o que vêem, Ubbe e Hvirtserk parecem apreciar muito. Ivar, por outro lado, fica fascinado com a égide de Aelle definhando até a morte. Esse acontecimento deve reverberar de forma bem forte entre os cinco irmãos, e suas vidas devem tomar caminhos bem claros daqui em diante. Quais caminhos cada um vai tomar?















