As coisas nunca estiveram melhores.

Se por um lado Devil May Care se mostra um episódio bastante ágil, dando continuidade aos acontecimentos da Finale da temporada passada e da Premiere, por outro ele também dá continuidade ao clima emocional e reflexivo do episódio anterior, com um foco diferente. Ainda não sei se esse lado dramático foi algo apenas desses dois primeiros episódios, ou se a ideia é realmente ir explorando os personagens dessa forma durante a temporada. Mas de qualquer forma, foi outro bom episódio.

Depois de passar um longo tempo trancado no Impala, Crowley volta para ser torturado pelo tédio se não passar a lista de chamada dos demônios. Acho engraçado pensar em como o roteiro consegue arranjar desculpas para não matar Crowley mesmo quando ele está capturado e indefeso. Não que eu esteja reclamando, afinal, quero Crowley vivo até o fim da série. E não esqueceram que Crowley quase foi curado, o que é mais uma prova de que o enredo de Supernatural permanece amarradinho, e isso ainda está afetando ele. A humanidade de Crowley ainda existe, em algum lugar, e eu ainda não faço ideia de como isso será explorado.

Outro infernal que retorna é Abbadon. Não entendo qual é a real necessidade dela precisar ressurgir o mesmo corpo que estava antes se existem tantos receptáculos vazios por aí, e entendo menos ainda o corpo já se reintegrar com o rosto maquiado e unhas pintadas. Mas tudo bem, já que o que realmente importa não é como ela voltou, mas sim que voltou. Depois de Guerra Civil no Céu, vemos uma início de uma Guerra Civil no Inferno, caso Crowley se liberte logo dos Winchester para disputar com Abbadon pelo poder. O discurso de Abbadon para os demônios foi cheio de convicção, porém mais inteligente ainda foi a velhinha pedindo provas da morte de Crowley. Essa aí sim sabe que está em Supernatural, a série em que a morte nunca é certa e muito menos definitiva.

Outra coisa difícil de se definir é Kevin. O garoto mostrou sinais de amadurecimento no final da temporada passada, mas nesse episódio foi facilmente manipulado por Crowley. Não acredito que a mãe dele esteja viva, e, como Dean disse, mesmo se estiver viva, está morta. O drama só foi válido porque foi bem trabalhado nos diálogos, tornando-se o plot com mais carga dramática do episódio. O que Dean fala no final, sobre ele já ser parte da família, é pura verdade, porque mesmo Kevin sendo inútil e babaca muitas vezes, ele já deixou de ser um simples personagem e virou elemento da série.

Ver Dean avisando à mais caçadores sobre a queda dos anjos é um artifício simples e inteligente para mostrar a gravidade da situação. A única coisa que ele não avisa é que um dos anjos caídos está dentro do irmão dele. Gostei do fato de, pelo menos por enquanto, Sam ser Sam normalmente e não perceber que há algo de errado com ele. Porém, quando Sam é Ezekiel, o único problema é a atuação de Jared Padalecki. A cena de Dean e Ezekiel conversando após a fuga de Abaddon, possui ótimos diálogos, mas Padalecki enfraquece o texto ao interpretar o anjo com uma atuação robotizada.

Ezekiel (ou “Zeke”, para os íntimos) continua demonstrando ser confiável. O próprio Dean acaba confiando plenamente nele, mesmo sabendo que é difícil poder confiar em alguém. Eu também quero acreditar que o anjo é um dos bonzinhos, e no momento a única coisa que me deixa com um pé atrás é o fato de não ter como saber quanto tempo ele ainda vai precisar ficar no corpo de Sam enquanto ambos se curam. Se Ezekiel, no corpo de Sam, já pôde aniquilar três demônios de uma vez, significa que ambos já estão relativamente melhores. E é estranho até Dean não ter questionado isso.

PS: A história da irmã de Tracy foi interessante, porque é sempre legal pensar que o (quase) Apocalipse deixou muitas consequências.

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