Supergirl 2×06: Changing

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Com Changing, Supergirl continua sua mensagem de aceitação e esperança, quer você seja gay, alienígena…

Estamos vivendo em um período de grande avanço. Na tecnologia, ciência, interações pessoais. A cada ano novos debates surgem, novas discussões são propostas e novas lutas começam. Grupos estão se unindo com cada vez mais força para combater conceitos danosos, por vezes mascarados de piada e liberdade de expressão. O que antes era considerado “engraçado” hoje é visto da maneira que realmente é. Entretanto mesmo dentro deste momento de esperança que está florescendo, com as minorias ganhando cada vez mais espaço e voz, ainda existem aqueles que mantém como principal missão o cerceamento da liberdade alheia. Poder acompanhar uma série como Supergirl atualmente é um enorme privilégio, especialmente pela maneira que ela aborda estes conceitos mencionados, mas sem nunca deixar de lado uma mensagem de que é possível melhorar.

Para um adulto gay ver como o discurso da Alex foi pensado é extremamente relacionável. Todo o medo, o bloqueio de memórias e comportamentos, tudo isso tem um espaço dentro do imaginário de alguém que, em algum momento, já se pegou pensando a respeito da própria sexualidade. A sensação e a noção de que aceitar a si mesmo é um processo bem mais complexo do que sair do armário para o mundo foi muito bem pontuado pelo maravilhoso texto de Andrew Kreisberg e Caitlin Parrish. E realmente, não é a mesma coisa. O processo mais complicado para um homem gay ou uma mulher lésbica, especialmente quando já não estamos mais na fase adolescente, é o de encarar a própria realidade, de frente. Sair do armário para o resto do mundo é opcional, para si mesmo é mandatório e obviamente muito mais difícil.

Chyler Leigh conseguiu pegar o roteiro e transformar cada atitude em cenas muito próximas do real. Changing pode parecer um episódio sobre um parasita alienígena, mas na verdade é a respeito da mudança interna de cada um. É apenas mais uma vez a série mostrando que consegue utilizar elementos da ficção cientifica para trabalhar temáticas do mundo real e com muita sensibilidade. E é tão emocionante. Vê-la quebrada, totalmente em negação de si mesma após sua primeira desilusão é algo tão relacionável, tão compreensível. O arrependimento por ter se abrido o desejo de voltar atrás, mesmo sabendo que não existe mais essa chance e que voltar seria um erro ainda maior, é tudo tão humano. A sensibilidade do episódio foi simplesmente tocante.

E o melhor de tudo, a relação entre as duas irmãs permanece como uma das joias mais preciosas da série. Kara, como alienígena, sabe muito bem o que significa ter que esconder uma parte de si mesma para se encaixar no que é considerado normal. Sua aceitação, os momentos de carinho divididos entre ela e a irmã, fazem pela produção algo que nenhuma outra produção do ramo já conseguiu fazer em termos de um relacionamento entre duas personagens femininas. Apenas sinto pena da próxima atriz que tiver nas mãos a missão de interpretar a Supergirl. Semanalmente Melissa Benoist está entregando uma vulnerabilidade e força tremendas. Amo quando ela coloca as mãos na cintura para demonstrar sua segurança e como ela consegue ser tão doce e emocional ao lado de Alex, assim como suas interações com Mon-El e a visão do que é ser uma heroína e ter uma missão nobre como algo natural. Tão natural que a única compreensão possível para ela, a respeito de alguém com poderes, é o de seguir o mesmo caminho.

Supergirl -- "Changing" -- Image SPG206b_0193 -- Pictured (L-R): Mehcad Brooks as James Olsen / Guardian, Chris Wood as Mike/Mon-El, and Melissa Benoist as Kara/Supergirl -- Photo: Bettina Strauss /The CW -- © 2016 The CW Network, LLC. All Rights Reserved
Supergirl — Changing

Do outro lado, mais uma vez, acompanhamos a fraca história de James Olsen, agora também conhecido pela alcunha de Guardião. Eu não sei exatamente qual o direcionamento Supergirl pretende para o personagem, mas uma coisa já ficou clara, existe uma falta de cuidado bem grande na hora de desenhar o futuro do primeiro parceiro do Superman. Ter o personagem desenvolvendo o desejo de ajudar pessoas é completamente compreensível, afinal, ele esteve ao lado do Superman, viu em primeira mão como um homem comum pode ser um super-herói, mas aqui, em Supergirl, seu direcionamento é extremamente apressado. Não existiu durante a primeira temporada nenhum desenvolvimento aprofundado que justificasse o desejo de colocar uma armadura e se tornar um vigilante. Existiu sim uma preparação bem grande para que Kara aceitasse sua função como heroína, tudo isso através de discursos como o de Human for a Day, proferido por James para uma Supergirl sem poderes. Lá, faria sentido. Aqui? Nem tanto.

Contudo confesso que é interessante vê-lo agindo como algo além de um interesse amoroso e o mesmo vale para Winn. Só que novamente a série peca com seus dois personagens ao encontrar histórias que simplesmente não se encaixam com o caminho traçado por cada um. Qual o motivo para retirar Winn da CatCo, colocá-lo no DEO apenas para fazer dele, mais uma vez, o cara que abandona o emprego que tem para ajudar um herói em ascensão? É necessário que o roteiro faça mais, mas mesmo assim é interessante ver a ótima química de Mehcad e Jeremy em tela, ambos tem um potencial bom para cenas mais cômicas e de amizade.

Changing é a prova definitiva de que as chamadas séries de super-heróis podem e devem ser mais do que apenas releituras de histórias em quadrinhos, cujo destaque é a ação e efeitos especiais. Por trás de cada página, da televisão, de uma grande tela de cinema, existem pessoas. De certa forma existe uma conexão que vai muito além do mero escape do mundo real. A necessidade de se conectar é bem grande e produções do gênero também podem convergir assuntos sérios e reais para sua audiência. Amo estar vivendo em uma época em que uma figura feminina é empoderada, em que meninas e meninos, homens e mulheres, independente da raça e orientação sexual, poderão enxergar a si mesmos dentro de um mundo de fantasia e ter a noção de que apesar de existirem muitos parasitas espalhados pelo mundo, ainda é possível encontrar algo bom. Supergirl continua me surpreendendo semanalmente e a mensagem que a série passa é o verdadeiro símbolo a ser seguido.

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Easter eggs e outras informações de Changing

– Winn e James se chamam de ‘Superamigos’. Superamigos é o nome da animação da DC em parceria com a Hanna-Barbera.

– Guardião foi criado por Jack Kirby e Joe Simon, em 1942, na revista Star-Spangled Comics #7. Durante os anos vários adotaram a alcunha de Guardião. O mais conhecido atende pelo nome de James Jacob ‘Jim’ Harper e é um clone de James Harper. Jim trabalhou ao lado de Superman e também como chefe de segurança do projeto Cadmus. Fazendo a conexão com a série, o debut de Jim foi em Superman’s Pal, Jimmy Olsen #135, de 1971.

– Existem três versões do Parasita na DC Comics. A primeira é a de Raymond Maxwell Jensen, criada por Jim Shooter e Al Plastino. Sua primeira aparição foi em Action Comics #340, em 1966. Raymond trabalhava em uma estação de pesquisas quando decidiu abrir um container, achando que lá existia algo valioso. Acontece que no recipiente existia lixo tóxico coletado pelo Superman durante suas viagens no espaço. A cada toque ele conseguia absorver memórias e poderes de suas vítimas.

– Também temos a de John Ostrander e Joe Brozowski, que atende pelo nome de Rudolph Jones. Seu debut foi em Firestorm #58, de 1987. Jones trabalhava como zelador no laboratório S.T.A.R. Manipulado por Darkseid, ‘Rudy’ abriu um recipiente e foi contaminado por uma estranha radiação, se tornando o Parasita.

– E por último a dos Novos 52, de Aaron Kuder. Joshua Michael Allen foi introduzido no reboot em Superman V3 #23.4 em 2013. Joshua trabalhava como entregador em Metropolis quando uma gripe alienígena o conferiu os poderes do Parasita.

– “Eu vou pegar o alienígena. Você a garota”.

– Alex chorando sua primeira desilusão amorosa pós compreensão da própria identidade sexual. Não chora, Alex. Você chora eu choro.

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– Essas garotas Danvers adoram partir meu coração.

– Por outro lado, compreendo Maggie completamente. Geralmente a ideia é de que alguém na fase da Alex quer descobrir o mundo, beijar todas as bocas. A insegurança para começar algo sério é bem grande mesmo.

  • Carlos S.

    Nesse episodio que eu fui lembrar… o que aconteceu com o Maxwell Lord? Falaram dele nessa temporada?

    • Bruno Sousa

      Realmente… Aparentemente o ator não quis se mudar para o Canadá, para continuar as gravações.

    • Yara Regina

      E eu trouxa, imaginei que Max e Alex teriam um caso.. kkkkkkk Uma pena ele não ter aparecido, gostava do jeitão dele, tomara que faça uma participação ainda na 2° temporada!

    • Supergirl esqueceu Maxwell Lord no churrasco.

    • Mich

      boa pergunta, nao consigo nem lembrar a ultima aparição dele na primeira temporada hahaha

    • Tiago Lima

      Não foi falado nada sobre ele nessa temporada, mas a Lena Luthor está fazendo a mesma função.

  • Marcelo

    Vontade de abraçar a Alex 🙁

  • Karlo Moreira

    Eu tbm entendo muito bem a Maggie, mas fiquei com pena da Alex.
    Mais um excelente episódio.

  • Yara Regina

    Nesse episódio o que eu percebi foi os personagens se descobrindo! Sejam pra ser heróis ou “saindo do armário” tudo foi muito bonito de se ver, cada vez mais Supergirl me surpreende.
    Sobre o Guardião: incrível que gostei da aparição dele (não a forma conduzida de chegar até aqui)mas será o caso de amar e odiar um ator por sua interpretação… #aguardemos
    Mon EL- Não sei muito bem sobre sua raça, mas aqui na terra ele é bem idiota apesar de já dar sinais que será herói em breve…
    Maggie – fiquei com pena da Alex mas achei compreensível o fora!
    Gente, gostei dos efeitos especiais do parasita, CW mandando bem!
    Tadinho do meu marciano favorito… 🙁
    Mais um ótimo episódio para uma ótima temporada até aqui!

  • Sthefani Cordeiro

    “Supergirl continua me surpreendendo semanalmente e a mensagem que a série passa é o verdadeiro símbolo a ser seguido”. Essa frase resume bem meu sentimento com SG. Como essa série tem me deixado feliz. E que atrizes são a Chyler Leigh e a Benoist. As cenas delas foram tão emocionais, que nem tenho palavras. Ótimo episódio e ótimo texto.

  • Ronaldo

    Supergirl está indo muito bem, as pessoas que criticam a série realmente não tem prestado atenção na profundidade que o roteiro tem. Os efeitos do parasita ficaram muito bons, a CW faz milagre tem ora.

  • wesley

    Supergirl , foi e continua sendo a maior surpresa se tratando de série nos últimos anos (pelo menos pra mim) , CHANGING é um dos melhores episódios de toda a série , as mudanças dos personagens sejam pra heróis , ou se assumindo , foram sutis , bem feitas , é bom quando uma série da qual vc não esperava nada te surpreende dessa maneira , Chyler Leigh e a Benoist ótimas atrizes , elas conseguem passar as emoções de uma forma mais crua , mais real , realmente será uma pena pra atriz que pegar a Supergirl pra interpretar num futuro próximo , pq será difícil passar a força que a Benoist traz pra personagem …

    quando ao James Olsen , personagem FRACO , HISTÓRIA FRACA ,
    será que dá pra trocar o Mehcad Brooks pela CALISTA FLOCKHART pra gente ter a CAT GRANT de volta ???

  • Gabi Xavier

    Eu não sou aficionada por séries de super-heróis, mas Supergirl me conquistou por dois motivos: a doçura da protagonista, que é própria da Melissa Benoist, e a relação de amizade, respeito e carinho entre as irmãs Danvers. Talvez por isso eu considere esse um dos melhores episódios da série até agora.

    Eu fico muito feliz que, nessa segunda temporada, Supergirl tenha decido explorar e dar camadas de profundidade a Alex, o outro lado dessa relação fraternal. Conseguiu também aproveitar o talento da Chyler Leigh, que está entregando atuações impecáveis e tocantes nessa nova jornada da personagem.

    Sim, Supergirl fala sobre heroísmo, preconceito, igualdade de gênero, e muitos outros temas, mas também é uma série sobre família. E isso torna o episódio dessa semana ainda mais importante, porque é na família que muitos LGBTs buscam apoio e segurança, mas encontram rejeição e sofrimento. E em tempos tão sombrios, em que um discurso de “proteção da família” é reiterado por homofóbicos saídos de todos os cantos do mundo, o abraço emocionante das irmãs Danvers, ao final do episódio, vem nos lembrar o que constitui verdadeiramente uma família.

    Diego, parabéns pela review, sensível e muito bem escrita.

    Ps. O episódio foi tão bom que eu tolerei o Guardião, rs. Acho que, mesmo apressado, o arco do James Olsen pode trazer algumas boas surpresas.
    Não chora, Alex. Você chora eu choro. (2)

    • Tina Lopez

      Passei pela mesma situação da Alex, só não me assumi pra minha família (todos homofóbicos), contar pra garota que estava afim dela, ela me rejeitar, espalhar para todo mundo, ter que aguentar comentários homofóbicos, a ultima cena em que ela se senti humilhada ….aconteceu comigo e depois de quase 10 anos a sensação ainda persiste…chorei muito vendo a todas as cenas e depois chorando de novo a ver no youtube videos “reactions” onde alguns héteros fizeram piadas e julgaram pelo esteriótipo e os gays dizendo “também aconteceu comigo” e chorando…Ao contrario da Alex ,eu estou sozinha !!!!

  • Jackson Douglas

    Como é lindo ver a evolução de Melissa, de Glee para Supergirl!

  • Fábio Santos

    Algumas considerações sobre a Kara nesse episódio:

    1) Bêbada consegue extrapolar seus níveis de lindeza e fofura;

    2) Se ela lutasse como treinou com o Mon-El, evitaria várias surras;

    3) Como ela chegou voando de cima pra baixo em um estacionamento subterrâneo? Ela é o bichão mesmo. rsrs

    E aquele vilão só pra encher linguiça…

  • Diogo

    Episódio bacana, mas espero a morte do Jimmy no fim da temporada. Personagem chato, desnecessário, que deixa a série pobre. Quero mais evolução do Winn (esse sim é maravilhoso), e adorando Mon-El na série, espero que não o tornem um vilão.

    • Luis Fernando

      Putz, odeio series de heróis com apenas um herói. São poucas que combinam assim. Para mim, quanto mais heróis, melhor. Por isso seja muito bem vindo The Guardian.

  • Amanda Morais

    Gentemmm que episódio foi esse?! Maravilhoso!! Estou cada dia mais encantada com a série. Eu estava completamente enganada quando pensei que mudar de canal seria danoso pro programa, mas até agora só tive boas impressões da season 2. E eu que quase deixei de acompanhar depois daquela season 1 + ou -.
    Diego, belas e sábias palavras!!!!

  • Luis Fernando

    Foi um episódio maravilhoso, Supergirl esta sendo a melhor série de heróis/mutantes da atualidade. Gostei do Guardião, ele com aquela moto no final pareceu um Kamen Rider. E eu amo ver as duas irmãs conversando uma com a outra, seja momentos felizes ou tristes.

    • Luan

      me lembrou Faiz ou Blade

  • henriquehaddefinir

    Supergirl é simplesmente incrível e ver a série ser analisada com essa sua inteligência e sensibilidade me deixa comovido. Parabéns, Diego.