Supergirl 2×03: Welcome to Earth

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Supergirl volta a tratar assuntos importantes através de alegorias em “Welcome to Earth”.

Durante sua primeira temporada Supergirl atacou, quase literalmente, os problemas envolvendo o machismo e o tratamento da mulher nas mais diversas esferas da sociedade. Utilizando a temática de uma super-heroína, o aspecto central da série em seu ano de estreia foi o do empoderamento feminino, a sua importância e também a luta para seu reconhecimento. Por alguns episódios o roteiro não poupou esforços para demonstrar a bandeira que estava levantando, para o desagrado de alguns. Lentamente a série foi deixando de lado o discurso mais agressivo e buscou incorporar a luta que estava representando através de um subtexto, em alguns casos bem nas entrelinhas. Em seu terceiro episódio, de uma já muito competente segunda temporada, Supergirl voltou a abordar temas importantes, com mais maturidade, mas ainda se aproveitando do seu habitat natural, de super-heroínas e alienígenas, para passar sua mensagem.

É notória a nova carga de confiança que Supergirl desenvolveu como série em seu segundo ano. Por esse exato motivo o tema de imigrantes mascarado em uma abordagem de alienígenas não pareceu, em nenhum momento, como algo forçado ou sem justificativa. Também é importante perceber como o atual período norte americano influenciou Welcome to Earth. Enquanto políticos defendem a criação de um muro para barrar a entrada de imigrantes ilegais, outros assistem sem nada fazer enquanto centenas morrem afogados em barcos no oceano. Substitua o muro por um DEO, um barco por uma nave espacial, e a discussão de Supergirl passa a representar um espelho da nossa sociedade atual. Dentro da proposta de uma série ambientada em um mundo fantástico, a pegada mais politizada é o ponto mais forte da produção, assim como outras séries e outras mídias também já se aproveitaram do seu universo para abordar tais assuntos, como por exemplo, Star Trek, Battlestar Galactica e X-Men.

Supergirl --- Welcome to Earth
Supergirl — Welcome to Earth

Mas claro que um dos grandes destaques do episódio foi outro e precisamos falar sobre Lynda Carter, sua importância para a mitologia da DC e também a relevância de termos em uma série tão engajada no empoderamento feminino, uma presidente mulher em 2016. Para nós brasileiros pode não parecer muita coisa ter uma mulher como chefe de Estado, mas para o público norte americano é, especialmente hoje enquanto eles passam por um dos cenários políticos mais caóticos já vistos, graças a participação do “outro babaca”. A série não poupou esforços para aproveitar o máximo possível de Carter, forçando Melissa Benoist a explorar toda a sua veia cômica nas interações entre as duas.

É notável como a série abraçou a oportunidade de ter a Mulher Maravilha dentro de um episódio centralizado em colocar nas mãos da presidente do país a decisão de abraçar imigrantes, independente de seu planeta de origem. Também é através dessa abordagem que a profissão da Kara como repórter finalmente demonstrou todo o seu potencial. No passado teríamos Kara agindo como assistente e heroína, hoje já podemos vê-la acompanhando os mais diversos assuntos, incluindo a trama recorrente do episódio, de maneira mais aberta. Limitar CatCo foi o passo mais importante que a série deu durante sua transição de emissoras, mesmo que James Olsen ainda continue sem muito o que fazer ou qualquer motivo para existir na série, o que é uma pena.

Supergirl --- Welcome to Earth
Supergirl — Welcome to Earth

Quem também conseguiu um destaque maior neste episódio foi Alex, assim como a sua recém-explorada sexualidade, algo muito importante para todo o contexto da série, que trata e sempre tratou dos mais diversos tipos de mulheres em um mundo habitado por super-heróis e vilões. Graças a inclusão de Maggie Sawyer (Floriana Lima), tivemos não apenas a introdução de uma personagem saída da importante mitologia da Batwoman, heroína lésbica da DC e que quase protagonizou um casamento gay na DC Comics, mas também a inserção de uma mulher latina em uma série que até então só possuía protagonistas brancas.

E dentro do novo prisma criado pela série que conseguimos um panorama maior para uma personagem tão relevante, mas que até então só estava funcionando como apoio para a Supergirl. Alex começou a série como uma pessoa disposta a qualquer recurso para proteger a irmã e desempenhar o seu trabalho no controle de ameaças extraterrestres. Hoje a personagem já possui novas nuances e o roteiro tratou de explorá-las. Ao incluir Maggie, uma policial latina e gay que se identifica com o tema de isolamento devido ao status de “diferente” imposto pela sociedade (alienígena também é o nome utilizado para imigrantes nos Estados Unidos), a série expandiu e muito as possibilidades para ambas as personagens, tanto a veterana quanto a novata. E eu não poderia estar mais orgulhoso da produção. Também é evidente que a energia de Lima casou muito bem com a de Leigh, promovendo uma nova faceta para uma mulher até então tão séria e que só mostrava um lado menos soturno ao lado da irmã.

Supergirl --- Welcome to Earth
Supergirl — Welcome to Earth

Muita coisa importante aconteceu em Welcome to Earth, de um jeito que apenas Supergirl consegue fazer. A presença de Mon-El, a revelação de que seu mundo já não existe como ele se lembrava e toda a sua relação com Kara, potencializaram a carga dramática necessária para os próximos episódios da série. E toda a dicotomia entre Kara, uma kryptoniana que mantém memória de sua passado em outro planeta, mas que viveu a maior parte do tempo na Terra, com um homem que não tem nenhuma empatia pela Terra, demonstrará um contraste interessante. Não bastando a inclusão de uma nova personagem feminina para um potencial par romântico com Alex, a série também tratou de incluir em seu universo uma das personagens mais amadas pelo público mais jovem da DC, a sobrinha do Marciano, Miss Marte. Com a saída de Cat e a nova posição mais “escondida” de James Olsen, a série optou por começar a aprofundar sua trindade de personagens, Kara, Alex e Hank/J’onn.

O terceiro episódio da série mostrou não apenas a capacidade de Supergirl de permanecer relevante, interessante e divertida sem a presença do primo mais famoso, mas também o de amadurecer seu roteiro, apresentando uma abordagem já característica, mas de uma maneira bem mais centralizada e sutil. A direção de Rachel Talalay e o roteiro de Jessica Queller e Derek Simon discutiu temas importantes, mas sem deixar de lado o charme da produção, ou a sua alegria em detrimento de um assunto mais sério. E o resultado foi um episódio importante, bem balanceado e fundamental para a segunda temporada de Supergirl, aquela do autoconhecimento e descobertas pessoais.

Easter eggs e outras informações

– M’gann M’orzz, também conhecida como Miss Marte, é o nome da personagem criada por Geoff Johns e Tony S. Daniel, para Teen Titans Vol 3 #37, de 2006. A personagem ganhou grande legião de fãs por causa da animação Young Justice. Nas histórias em quadrinhos ela é uma marciana branca, uma raça de guerreiros responsável por dizimar os marcianos verdes e levar o planeta Marte ao status de deserto. Em Justiça Jovem ela é sobrinha do Marciano/Caçador de Marte, J’onn J’onzz.

– Lynda Carter, ou como é conhecida em Supergirl, Presidente Olivia Marsdin, é a atriz mais importante para a história da DC Comics na televisão. Durante os anos 70 ela interpretou a Mulher Maravilha na série homônima, por quatro anos. A atriz também já fez uma participação em outras produções da DC para a televisão. Em Smallville ela interpretou Moira Sullivan, mãe de Chloe, a melhor amiga de Clark Kent.

– Maggie Sawyer é a primeira personagem fora da mitologia do Superman e com grande relevância a ser introduzida em Supergirl. Sua versão mais conhecida na nona arte é aquela apresentada em 2011, nas páginas de Batwoman Vol 2 #1. Sua primeira aparição, porém, foi em Superman Vol 2 #4, de 1987. Nascida em Star City, Margareth Sawyer trabalhou como policial em Metrópolis, cidade do Superman, mas foi transferida para Gotham. Em Gotham Maggie se envolveu romanticamente com Kate Kane, a heroína mascarada conhecida como Batwoman.

– Em sua primeira história nos quadrinhos Maggie estava sendo chantageada por Lex Luthor, que a ameaçou de revelar sua orientação sexual para o mundo. Interessante como hoje uma abordagem do tipo soa como algo ridículo frente aos avanços que já fizemos, mas de uma maneira triste, ainda pertinente em muitos locais.

– “Você precisa ver o meu outro jato”. Eu vi o que você fez aí, Lynda Carter.

– Quando Kara é atingida pelas rajadas de fogo ela gira rapidamente para apagar as chamas. Essa foi uma referência a maneira que a Mulher Maravilha se transformava em sua série.

– Este foi o primeiro episódio da série a não ter Cat Grant (Calista Flockhart).

– Além de Supergirl, a diretora de Welcome to Earth, Rachel Talalay, também dirigirá um episódio de Legends of Tomorrow e The Flash.

– “Como alguém ainda votou no outro cara?”.

– “Eu voei aqui… em, em um ônibus”. Ainda melhor em guardar sua identidade secreta do que Barry Allen.

  • Yara Regina

    Simplesmente amando os novos episódios de SuperGirl e quase tive um ataque com as referências… Episódio muito pertinente no contexto atual!

  • carla machado

    Este episódio deveria ser chamado de Welcome to Tinder!!!
    Foram três casais de uma vez!! Pah!!

    • Gabriel

      E só um deve ter um relacionamento amoroso.

    • Não vou negar, gosto assim.

  • Sthefani Cordeiro

    Sem dúvida nenhuma, essa é a série que mais me empolga no Universo DC TV atualmente. Contextualizada e com um roteiro afiadíssimo. Como sempre, gostei bastante da sua review. Confesso que fiquei com medo da mudança de canal, mas olha a série amadureceu e melhorou em vários quesitos. Amei esse episódio!

  • Kelly

    Você precisa ver o meu outro jato”. Eu vi o que você fez aí, Lynda Carter.

    Todo mundo comentando isso mas eu não faça ideia de qual é a referência. Ajuda aí porfa!

    • Thay

      Lynda Carter interpretou a Mulher-Maravilha, a Mulher-Maravilha tem um jato invisível. (:

    • A Thay já respondeu aqui embaixo, mas é por causa da Mulher Maravilha mesmo, Kelly.

  • Marcos Bastos

    Saudades da Cat Grant… Mas to amando cada vez mais a série. Do meu ponto de vista, Supergirl está no patamar de The Flash (quase superando). A original, Arrow, infelizmente é a pior do Arrowverse

    • Na minha opinião Supergirl já superou The Flash, é muito mais competente em criar histórias com superpoderes e utilizar seus coadjuvantes.

      • Marcos Bastos

        É verdade, amo como os episódios fluem, não é maçante como Legends e Flash está se tornando. E essa temporada está muito superior a primeira

  • Bel Ribeiro

    – “Você precisa ver o meu outro jato”. Eu vi o que você fez aí, Lynda Carter.

    Eu gritei.

    • Gabriel

      E bem sacana da parte dela. Se o jato é invisível como ela verá? XD

    • Eu pausei a cena e voltei, porque meu sorriso abriu de orelha a orelha.

    • Germano

      Sim, me vibrei quando ela disse isso!

  • Gabriel

    “alienígena também é o nome utilizado para imigrantes nos Estados Unidos”.

    Mesma coisa em português.

    http://media.tumblr.com/tumblr_lhxe65zTTb1qgsmk4.png

    Deixe-me ver algo:

    Miss Martie — [X]
    Kid Flash — [X]
    Artemis — [X]
    Red Arrow — [X]
    Superboy — [O]
    Robin — [O]

    Só mais dois…

    • É mesmo, Gabriel, mas não é tão comum aqui quanto é lá fora. Para nós o que predomina é o ‘gringo/gringa’ mesmo. hehe

  • Pati Melo

    Supergirl é de longe a série que mais me trás alegria no momento, essa é a série que eu queria ver na season 1. Adorei os novos personagens, super curiosa para ver o desenvolvimento de todos, principalmente Mon-El que é um grande paralelo para a Kara, já que ele é um refugiado que se lembra do seu planeta de origem, diferente do Clark que dexou Krypton quando bebê. E claro muito interessada em Maggie Sawyer, achei super legal que a Chyler mencionou no painel de Supergirl que adoraria ser Batgirl e trouxeram a namorada da Batwoman para série, não é a mesma coisa claro, mas um detalhe legal. Kara me representou demais nas interações com a Lynda Carter, eu tb quase teria uma coisa se conhecesse a Mulher Maravilha em pessoa.

    • Supergirl está mesmo incrível, Pati. Obrigado pelo comentário.

  • Mari Martins

    OMG! Nem li o review acima, só vim dizer que não vou deixar esse site em paz, até que ele volte com as resenhas do arqueiro! O ep dessa semana foi MARAAAAAAA! Talvez o mais empolgante desse recomeço. Como vão ignorar essa quinta temporada tão boa? -.-

  • Só um adendo em todas as versões a Megan na verdade é uma Marciana Branca, que repudia a filosofia bélica e a violência de sua raça. Portanto ela prefere viver como marciana verde. O que leva o J’onn a tratar ela como “sobrinha” para diminuir as perguntas sobre ela.

    Sobre a Maggye. Eu achava que quem acabaria sendo par da Alex seria a Lena Luthor. Mas pelo visto a L.L vai ser uma mistura de Cat Grant com Maxwell Lord.

    • Lena Luthor ainda é a grande incógnita, eu acho que é muito difícil terem colocado a atriz nesse papel para não fazer dela uma vilã, então acho que será menos Cat e mais Maxwell Lord.

  • Marcelo

    Tiraram a melhor personagem da série, mas é aquele ditado…

    • Não foi a gente que pediu…

      • Marcelo

        Eu particularmente perdi 50% da vontade de assistir a série, tomara que a série me conquiste de outra fora pq eu era/sou apaixonado pela Cat.

  • Ronaldo

    Das séries de herói da DC atualmente, supergirl é a que está se saindo melhor. Queria muito a batgirl, o estilo dela atual nas Hqs combinaria muito com a série.

    • Batgirl que começou no DCYou e está atualmente em Rebirth é a cara da CW…

  • gabix

    Não sei se estou sofrendo um lapso de memória, mas o que aconteceu com o Maxwell Lord? O ator não renovou?

  • Suzy

    Pra mim a melhor série da DC atualmente, além de fofa é consciente e afiada. O tema de tolerância, preconceito foi muito bem usado, dos 3 lados: extremistas pacifistas, extremistas separatistas e os que ficam no meio.
    Outra coisa legal é que a série mostra que a Kara não é perfeita, ela teve que lidar com o próprio preconceito dela, mas ela tem força suficiente para reconhecer e pedir perdão.
    Sei que o propósito da série não é dar um par pra ela, mas eu gostei muito da interação dela com o Mon-El, pra mim foi mais química em 1 episódio do que com o James em 1 temporada.
    Ah, melhor parte do episódio, ver o Ajax dando aquela olhadinha pra outra alienígena, rsrsrs.

    • Bate, Suzy o/
      Para mim Supergirl também está como melhor série da DC no momento.

  • Maria José Tagarro

    De todas as séries atuais, a que mais gosto é de Supergirl. Está conseguindo até superar The Flash que era a minha favorita. Arrow é sem comentários, urgh, LoT não assisto.
    Sinto falta da Cat, James ainda consegue ser muito desnecessário! Mon-El teve mais quimica com a Kara em um único episódio do que o James em uma temporada inteira.

    • Eu tenho medo dessa química da Kara com o Mon-El, sabe? Preferia ela sozinha.

  • Vitória Martins Souto

    Supergirl está ainda melhor do que Flash e as outras da DC!

  • Andréia Viana

    Os pontos positivos dessa nova temporada de Supergirl foram Winn ter ido para DEO, ele se encontrou lá, tem mais utilidade lá e vai poder ajudar Kara mais facilmente, o Superman, pois o Hoechlin me surpreendeu, foi muito bem, fez o Superman clássico, leve. Mas Kara regrediu muito, infantilizada, parece que a CW quis apagar tudo o que foi feito antes na série, a personagem sempre teve uma aura mais leve, alegre, mas nesses episódios, foram mudanças bruscas, ela conviveu um tempão com a Cat, uma pessoa super desafiadora e não aprendeu a se defender, a se posicionar, parece uma adolescente descobrindo seu caminho, sendo que já passou por tantas coisas, essa desconstrução dela não me agradou.
    Sobre o James, acho muito bom ele vir a ser o chefe da CatCo, ele já se impôs sobre o Snapper, foi uma cena muito boa e espero que a partir daí ele tenha o devido espaço.