Juntando todas as peças.
Praticamente toda criança já montou um quebra cabeça. Além de ter a habilidade de manter os pequenos em silêncio por horas (seus pais com certeza adoravam isso), o jogo estimula o raciocínio e a concentração. Visualizar diversos montantes, que inicialmente parecem ser desconexos, apresentando sua devida importância no quadro geral sempre me deixava empolgada e orgulhosa.
Após várias investigações e progressos independentes sobre o paradeiro de Will e as circunstâncias peculiares que promoveram esse evento, todas as histórias de conectam e cada informação colhida se mostra vital ao total entendimento do caso.
O episódio já começa de forma eletrizante, com o governo perseguindo os meninos. Toda a construção da cena foi sensacional, indo de um momento mais calmo entre Mike e Eleven para a sensacional cena da van indo pelos ares. A atitude de Lucas salvou a pele de todos, o que deixa claro a fidelidade e a força do grupo. As pazes entre todos só reforçou o que já havia sido iniciado no episódio anterior.
Interessante perceber como a série vem deixando cada vez mais claro os perigos que circundam todos os personagens. Se antes, o perigo real era mais associado à Joyce, agora todos estão expostos. Esses riscos já foram percebidos nos últimos episódios através de Nancy, Hooper e Jonathan, mas foi a primeira vez que realmente senti medo pela vida das crianças.
Enquanto os meninos corriam por suas vidas, Hooper e Joyce trocam preciosas informações com Nancy e Jonathan. Enquanto o xerife e a mãe de Will tinham alto conhecimento sobre as atividades do Laboratório Hawkings e sobre Eleven, os jovens apresentaram a pequena (e traumática) experiência no mundo invertido e alguns adendos sobre a criatura.
A utilização de todos os dados, até daqueles que se pensava serem irrelevantes (vide o depoimento de Troy) foram cruciais para que Hooper, Joyce, Nancy e Jonathan pudessem ajudar no resgate da trupe infantil. Os únicos problemas foram as formas utilizadas para que todos os plots se unissem. Forçaram uma barra, mas releva-se.
O brilho do episódio, porém, foi toda a construção do tanque de isolamento improvisado para o aumento do alcance dos poderes de El. Todos tiveram sua importância, desde Dustin, que apelou para a chantagem emocional com o Mr. Clarke e já ganhou meu coração, ao Hooper, que usou sua influência para disponibilizar o local e o sal, MUITO SAL.
Além disso, pôde-se ver interações entre personagens que pouco, ou nunca, interagiram até o momento. Nancy/Mike e Hooper/Jonathan protagonizaram momentos sutis, porém interessantes para se criar maior conexão entre eles. O momento sublime foi, contudo, a união das duas melhores personagens da série: Joyce e Eleven.
É incrível o quanto um bom ator/atriz pode fazer em pouco tempo. A conversa entre as duas foi de uma sensibilidade magistral, pois El estava bem fragilizada e Joyce conseguiu passar toda a confiança e conforto necessário em pouquíssimo tempo. Eleven vê em Joyce uma figura que ela nunca visualizou antes, com um amor que ela não consegue entender direito, mas sabe que é muito forte. O amor maternal que Winona consegue transmitir em sua interpretação é de um poder extraordinário, fazendo a preocupação por Will ser sentida através de cada olhar sofrido, da voz falhada e esganiçada, da expressão corporal envergada e do oposto disso toda vez que ela consegue se comunicar com o filho.
Eleven, por sua vez, parece estar a cada vez mais desconfortável, cansada. A culpa sentida por ter realizado contato com a criatura está atingindo o limite físico e mental da menina. A utilização constante dos poderes também não tem ajudado, me deixando realmente preocupada com o destino da garota ao fim da temporada. O grande desgaste que ela sofreu para achar Will foi tocante e traumática, mesmo com o suporte de Joyce, porém deu a força necessária para que Hooper decidisse ir novamente à instalação governamental. E é melhor eles darem um jeito de entrar pelo portal, pois Will não deve ter muito tempo.
Nancy e Jonathan também querem terminar o serviço e veremos se conseguem, enfim, matar a criatura. Alguém aposta nesses dois? rs
Depois de 6 episódios, várias tramas independentes e diversos objetivos, Stranger Things finalmente reúne seu forte elenco para a derradeira reta final.
Familiar Things
– A perseguição inicial foi claramente uma homenagem à ótima cena de E.T. (1982).

– Quando Nancy entra em contato com Mike, pode-se perceber um livro na estante. Great American Ghost Stories, escrito por Hans Holzer, foi uma boa referência à literatura mais sensacionalista da época. O livro, porém, foi publicado em 1990…rs.
– As referências à Star Wars: Lando Calrissian (típico X-9 de SW) e I don’t feel good about this (remete a clássica frase I have a bad feeling about this).
– The Thing novamente referenciada. Dessa vez, parte do filme é mostrado.
– A relação de Mike e Eleven lembra muito o filme My Girl (1991).
– Dessa vez, vamos de dicas mais gerais. Para Ver: Star Wars (IV, V e VI), Twin Peaks (1990), Back to the Future (I, II e III) e Dungeons & Dragons (1983). Para Ler: The Hobbit, or There and Back Again (1937).
– R.I.P. Barbara.
















