O povo da Netflix realmente não está de brincadeira. Stranger Things chegou com a premissa de encantar os fãs da década de 80, com milhares de referências e uma estética que se assemelhasse ao máximo dessa época. Após 4 episódios, pode-se constatar que a promessa foi cumprida e temos referências e inspirações oitentistas para todos os lados. Da abertura aos créditos, tudo remete aos anos 80. O que, pelo menos eu, não esperava era essa ousadia criativa dos irmãos Duffer.
Enquanto a história estava se encaminhando para um lado (Will e Barb mortos e na consciência da criatura), esse episódio colocou todas essas teorias por terra e entregou 50 minutos eletrizantes e bem esclarecedores.
Os primeiros minutos se encaminhavam para sepultar de vez qualquer possibilidade de Will ainda estar vivo. É interessante como os Duffer ficam brincando com todas as pistas mostradas até o momento, deixando o expectador confuso e até em dúvida do que é real ou ilusório. Joyce, por exemplo, está realmente presenciando eventos sobrenaturais, porém fiquei na pensando se a manifestação era mesmo de Will ou da criatura, fingindo ser o menino.
Curiosamente, a resposta para a morte, ou não, de Will veio da investigação de Hopper. O xerife tem sido um dos melhores personagens da série, sendo uma figura que acredita em fatos e comprovações, mas que também segue seus instintos. Também é linda a sensibilidade que ele apresenta, como na cena em que precisa dar a notícia do falecimento do Byer para a mãe. Bom ver que todas as peças começam a fazer sentido e que teremos o esperado confronto entre o Laboratório e a polícia de Hawkings.
Falando no laboratório, o desenvolvimento e as respostas aos vários questionamentos que foram surgindo com os episódios estão ocorrendo de forma vagarosa, porém gradativa. Se inicialmente só se sabia que essa organização é do governo e que se realiza vários experimentos em humanos, agora já se pode ver que a criatura, que está ocupando parte da instalação, é de certa estranheza para eles. Isso é um bom indício de que esse ser não é parte de um dos experimentos dessa organização.
Por outro lado, tanto Nancy quanto Joyce caracterizaram a criatura como um ser humano sem face, o que pode sugerir que este ser tenha sido transformado por experimentos do Laboratório ou ter sido exposto a um fenômeno externo. De qualquer forma, fica claro que todos (nós e eles) estão no escuro.
Na parte High School, também não se pode reclamar. Os dramas adolescentes deram lugar à procura por Barbara e a dinâmica entre Nancy e Jonathan funcionou muito bem. Vejo os dois trabalhando com Joyce para entender melhor a situação das vítimas e tentando achar uma forma de alcançá-las. Bem, no primeiro episódio podemos ver um pôster do filme “O Enigma de Outro Mundo” no porão de Mike. Seria essa uma dica do que encontraremos a seguir?
Até o momento, já tivemos várias mudanças de perspectivas e eixo narrativo. A cena do desaparecimento de Barbara, por exemplo, é extremamente eficaz e executada de forma primorosa, pois consegue registrar um mesmo momento de 3 pontos vista distintos (Nancy/Barb/Jonathan). Trabalhando essas viradas constantes de percepção, a direção promove uma interação mais natural entre os personagens, unindo as emoções dos 3 ao mesmo momento narrativo. Espetacular.
Esse mesmo recurso é utilizado novamente em “The Body”. A procura por Will culmina em uma das melhores cenas da série até o momento. Temos Winona interpretando Joyce de forma memorável e um elenco infantil de dar inveja ao Spielberg, ambos procurando Will, porém de formas diferentes. Mike e Eleven continuam carregando os momentos dramáticos do grupo, enquanto Lucas e Dustin são os típicos desajustados que tem medo de tudo e servem exclusivamente como alívio cômico. Os poderes de El ganham cada vez mais importância na história e parecem ser a verdadeira chave para encontrar Will.
Joyce, por sua vez, continua implacável em sua busca pelo filho. A resiliência dela é extraordinária e a cada cena parece que ela chega ao limite para salvar Will. Meu coração realmente se apertou quando ela meteu a marreta na parede, em vão. A maior preocupação é sobre a saúde mental dela, afinal de contas, Lonnie voltou e sabemos que a relação dos dois é pra lá de conturbada.
Enfim, chegamos a metade da temporada e todos estão envolvidos diretamente na procura por Will e Barbara. Falta pouco para termos as respostas e o embate de forças na cidadezinha parece inevitável. E que continuemos nesse nível fantástico, Dona Netflix!
Familiar Things
– Só pra registrar, El apresenta poderes telecinéticos, telepáticos e sérios problemas de temperamento quando acuada. #X-MenFeelings
– A cena em que o Hopper fala da filha me deixou bem pensante. Primeiro, pensei que fosse um flashback. Depois, achei que ele estava perdido nas ilusões. Fui trollada duas vezes pelos Duffer.
– A maior referência foi, sem dúvida, de The Thing. Sendo assim, VEJA THE THING.
– Toda uma geração foi vingada quando Troy se mijou no meio do colégio. Que momento, senhoras e senhores.
– Achei essa aparição do Lonnie mega avulsa.
– El e Mike estão atingindo picos de fofura no meu computador. Que casal fofo, gente!
– A criatura que está na instalação é a mesma que está com Will e Barbara?
– Quem percebeu a referência ESCRACHADA no momento em que Joyce manda o Will fugir da criatura? Manda aí embaixo seu palpite.















