A Touch of Evil se faz presente nos habitantes de Riverdale.
Seres humanos são falhos, tão cheios de complicações e quereres que chegam facilmente à exaustão ao discutir e teorizar sobre como ser melhores, de correr atrás da utópica perfeição inexistente na realidade.
Esse segundo episódio de Riverdale (ou Teen Peaks, segundo o leitor Juliano Guilherme) abraça a imperfeição do ser humano e nos trás mais para dentro da psique dos personagens, criando mais laços entre eles e deixando claro que nem todos optam pelo que é certo, quando se tem a opção do que é fácil, afinal, a ética nem sempre é mais forte que instinto de sobrevivência.
A trama, a partir de A Touch of Evil, passa a ser mais fragmentada, mostrando pequenos detalhes de personalidade de cada habitante da cidade a beira do rio Sweetwater e suas diversas reações ao saber do ocorrido com o jovem Jason Blossom. Seu homicídio passa a ser a força motriz na derrubada dos conceitos de certo e errado dos personagens, principalmente sobre a família Cooper, que, cada vez mais, se mostra moralmente trincada pelo ocorrido, mais ainda na figura central da matriarca Alice.
Nesse segundo capítulo tivemos mais um gostinho do que a descompensada mãe de Betty é capaz ao subornar o legista para saber todos os detalhes da morte de Jason. Fica então a pergunta: esse ódio latente se deve apenas pelo complicado termino entre Polly (que, segundo Cheryl, era dependente química) e Jason, que culminou em sua internação numa clinica de reabilitação? O sadismo no olhar da mulher ao ver as marcas no corpo de Jason deixam clara sua satisfação com a violência empregada no assassinato do rapaz.
Ainda falando na família Cooper, tivemos mais vislumbres do destempero emocional de Betty ao tentar lidar com os acontecimentos da premiere e com sua mãe. Claramente nossa loirinha reprime, com ferocidade, um lado perigoso e cheio de ódio, tentando ser uma boa pessoa, mesmo que a vida se encarregue de complicar cada vez mais seus relacionamentos. Seu impulsivo ataque a Cheryl dentro do quarto, como se estivesse num transe assustador, em conjunto a autoflagelação para controlar a raiva, só mostram que Betty é uma forte candidata a se corromper ao longo da temporada, isso se já não estiver corrompida.
Tivemos também um principio de humanização do anticristo, também conhecido como Cheryl Blossom, nesse episódio: ela esconde com todas as forças o que ocorreu no lago Sweetwater, ocupando-se dos mais diversos assuntos na escola, utilizando sua ferramenta preferida: atacar antes que percebam alguma fragilidade. Pode parecer um enorme clichê, mas a realidade é que pessoas como Cheryl existem e são as que mais merecem compaixão, afinal, o ódio que tem de si mesmas é maior do que qualquer outro que possa vir de terceiros.

Seu colapso nervoso no terceiro ato do episódio mostra que algo a atormenta e que a ficha só caiu naquele momento, que a morte de seu irmão é muito mais complexa e implica consequências severas para ela como pessoa pública. Os requintes de crueldade que o corpo de Jason apresentava e a informação de que seu homicídio se deu uma semana após o feriado de 4 de julho, data do desaparecimento, abrem um leque de possibilidades para o que de fato ocorreu. Aqui precisamos buscar entender também o que motivou Cheryl a assumir a culpa do homicídio, fica claro que há pontas soltas demais na história para cravarmos que ela seja a assassina.
Ainda ligado ao crime, temos a reação de Archie – deixando, nesse episódio, o protagonismo a cargo de Betty – e suas decisões equivocadas. Archie é um bom garoto, meio perdido, mas com alguns princípios. Sua ingenuidade ao colocar a Srta. Grundy contra a parede, ameaçando escancarar o que aconteceu entre os dois para toda a cidade e sendo facilmente ludibriado por meia dúzia de palavras doces aliadas a algumas carícias só mostram o quanto o rapaz é falho em seus julgamentos. Os conselhos de Jug sobre como proceder com uma informação que pode ajudar a solucionar a morte de um rapaz nos mostram que a moral de Archie é um tanto questionável quando se trata de algo que ele tenha apreço.
Falando em Jughead, sua relação com o protagonista começa a fazer sentido. Há muita carga emocional e o eterno clichê de ‘amigos de infância separados pelas diferenças sociais’. O lado bom foi ver a realidade com que a ligação dos dois é trabalhada, sempre com alguma profundidade que questiona um ou outro, não se atendo ao popular ignorando o impopular, mostrando a confrontação e os momentos de dúvida e a reconciliação.
Preciso fazer uma inserção aqui de que Cole Sprouse soa tão natural no papel de deslocado quanto uma ave debaixo d’água. Seus melhores momentos, em geral, são os que ele age com mais vivacidade ou em seus voice overs ao longo do episódio, de resto, não convence.

Por fim Verônica, que serviu apenas como muleta para o crescimento de Betty nesse episódio e, apesar disso, teve seus momentos memoráveis, mostrando-se muito madura em meio a uma discussão sobre querer algo e realmente a possuir, sobre nossas ações ao ter que lidar com a rejeição e que, a expectativa que criamos para algo é o que realmente nos decepciona em relação aos outros. Verônica mostrou-se, ao longo dos 42 minutos de episódio, disposta a assumir e consertar os erros que cometeu. Blue Jasmine de Riverdale High continua se mostrando uma personagem cada vez mais instigante e bem construída.
Em termos gerais A Touch of Evil manteve o que propôs no primeiro episódio, segurando o ritmo constantemente e se atendo mais uma vez aos personagens, sem enrolar com as tramas, dando um tratamento digno a elas para não criar situações que se arrastem demais, um baita acerto de roteiro para Roberto Aguirre-Sacasa. A direção de Lee Toland Krieger também foi bastante feliz com diversas escolhas, como a câmera na mão nos momentos de instabilidade emocional.
O saldo do capitulo dois foi bom, então que venha o capítulo três: Body Double.
> Dicas de Séries Imperdíveis!
Segredos à beira do Rio Sweetwater em A Touch of Evil:
– #Berônica is coming.
– Archie não conseguiu falar sobre seu caso amoroso, espero que não demore, afinal, estamos aqui para ver o circo pegar fogo e as consequências de atos impensados na vida alheia.
– Diretor Watherbee é o maior detetive que você respeita. Sabe que tem algo de errado apenas de olhar para você.
– Alice Cooper sempre desconversa quando Betty questiona sobre Polly e uma possível visita a imã. Será que em algum momento descobriremos que a filha mais velha dos Cooper tem muito mais participação no mistério do assassinato de Jason?
– Temos valentão babaca de Riverdale High, atendendo pelo nome de Reggie Mantle. Além de tentar trazer os holofotes da morte de Jason para si, declarando-se como suspeito, sente uma necessidade de cutucar todo mundo. Não gostamos muito dele desde já.
– Kevin e Moose tem tudo para ser uma história interessante: mostrar Kevin plenamente consciente de quem é o outro rapaz e já colocando uma pedra nas esperanças de um tórrido caso de amor as escondidas mostra que o personagem pode ter muito a acrescentar se bem trabalhado.
– Apesar de aparecerem quase como pano de fundo, Hemione Lodge e Fred Andrews podem render algo além de conselhos. Vamos investir, produção?
– Por falar em pais, esqueceram os de Jason e Cheryl no churrasco? Até o momento não sentimos o impacto da morte do rapaz sobre seus progenitores, espero que trabalhem isso no próximo episódio.
– O que Cheryl quis dizer com “Ele deveria ter voltado”? Armação dos gêmeos? Um plano que deu errado? Ritual satânico para ressurreição?















