Um dos pontos fortes das séries Americanas é o drama policial, muitas vezes acompanhadas de outros elementos que ligam as histórias de uma forma tão única que acaba quebrando a monotonia, a ponto até de não enjoarmos desse estilo tão comum.

Eu, assim como muitos, devo ter assistido ao filme “Alta Frequência” de 2000 cuja a história serviu para o remake da nova série da CW “Frequency”. Eu particularmente adoro o filme, mas fiquei com dúvidas sobre a adaptação da obra para o formato televisivo. Acostumado a ver tantas adaptações malsucedidas atualmente, resolvi apelar pelo fator surpresa e acompanhar o piloto sem nenhuma expectativa.

A CW acertou na escolha do elenco, realmente cada personagem ali carrega uma carga emocional forte – Mesmo não sendo muito desenvolvida no piloto – é possível notar que a série irá mesclar entre o Sobrenatural, o drama e o suspense e é aí que entra “o grande porém”.

O problema é que a CW costuma arrastar suas séries por longas temporadas e isso nem sempre é garantia de sucesso, falo porque não consigo ver essa produção indo muito longe e mesmo que se for por esse caminho, a facilidade de se perder nessa temática – de mudar o passado altera o presente – é muito grande. Afinal, não é qualquer um que consegue escrever sobre isso com a perfeição de uma série de ficção científica a altura.

Por outro lado, o investimento da série, mostra uma pobreza de detalhes que é agoniante de se ver. Envelhecer os atores com maquiagem barata foi muito ruim, era tão visível a falsidade dos efeitos que revirei os olhos por um longo tempo. Isso desconstruiu de certa forma, a dramaticidade em que as cenas se propuseram a mostrar.

Ou seja, Frequency tem a ideia certa, elenco certo, mas o formato errado, com desenvolvimento meio superficial, com orçamento vergonhoso e na emissora errada. Afinal, o remake é bem-vindo, desde que exista base que sustenta a possibilidade dela seguir longe. Afinal de contas, por quanto tempo vamos aguentar Raimy tentando salvar sua família no passado, alterando drasticamente seu presente? Confesso que me dá um desespero quando a história começa a mudar tanto, é quase como Efeito Borboleta, tudo terá uma consequência e sempre negativa no final.

É interessante notar, que “Frequency” é um tipo de produção que nem os próprios produtores sabem o rumo que ela seguirá, justamente por conta da sua temática. É quase uma faca de dois gumes, porque se a receita ter um ingrediente errado, consertar vai ser difícil. Mas como disse antes, eles têm a ideia certa.

Logo de cara sabemos que o pai de Raimy, Frank, tem um inimigo, responsável pela “sua morte” e também responsável por  incriminá-lo. Após a alteração do passado, coube a um novo “Assassino” misterioso, responsável pelo desaparecimento e morte de sua mãe Julie. Ainda não sei se há ligação entre esses dois casos, mesmo que seja possível, mas esse tipo de suspense é o que me faz pensar a possibilidade dos produtores, de mudarem os vilões a cada alteração de tempo, virando um ciclo sem fim dessa busca.

Mas o piloto não é ruim, como disse antes, assisti sem expectativas e mesmo tendo encontrado esses defeitos, o tempo passou rápido assistindo, mas tenho minhas dúvidas ainda. Como ao meu ver, raramente o piloto é suficiente para que eu chegue a uma conclusão definitiva sobre Frequency, continuarei assistindo. Tomara que minhas previsões estejam erradas, porque eu gostaria muito que a série tivesse um desenvolvimento tão bom como o filme, vamos torcer.

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