A surpresa que ninguém esperava.
Bom, vou começar explicando que essa review não está incluindo os fatos do episódio 5.09 ‘The Bear King’. Por uma belíssima decisão (só que ao contrário) a ABC decidiu exibir o episódio da próxima semana logo depois deste, que não tem relação nenhuma com a história de Birth. Por isso, para não deixar a review longa demais, ou sem muito nexo, já que nem mesmo o plot dos dois episódios é igual, decidi separar tudo em dois textos. Afinal, Birth merece um espaço só dele para discussões, ao passo que o outro, bom, vocês vão ver.
Desde o começo da trama da Dark Swan dentro de Camelot e Storybrooke, nós sabíamos que existia alguma coisa, algum plano que impedia a até então alardeada vilã, de realmente cumprir com seu papel de antagonista da temporada. Eu já imaginava que o motivo para tanto planejamento, luta e progresso não seria assim tão ruim. Emma não chegou a desenvolver nenhuma atitude realmente má, com consequências graves, ou que denotassem sua rendição total ao lado negro da magia. Na verdade, tudo o que aconteceu foi bem compreensível. Retirar o coração da amiga do Henry, forçar o Gold a ter um pouco mais de coragem na vida, nada, absolutamente nada pode ser conectado com os feitos de um verdadeiro vilão.
Bom, Birth veio com a promessa de mudar a trama e desequilibrar a balança estável que Emma, até então, julgava ter nas mãos. A começar pela magia que acelerou o nascimento da filha da Zelena com o Robin. Primeiro eu gostaria de demonstrar minha preocupação com o fato da criança ter nascido após dois meses de gestação, graças a magia negra. Segundo: Cadê a magia que tem preço? Acho que foi cortada com o cordão umbilical, não é? Finalmente, entrando dentro do ponto a ser levado em consideração, mais uma vez, Emma estava lá, fazendo o possível para que desprezássemos seu comportamento diferente. Ela queria matar a Zelena, que ninguém suporta, mas antes deixou o bebê nascer. Tirando a parte de matar a Zê, eu aceito.
Com um plot twist interessante, Birth seguiu a dinâmica de Nimue e apresentou um ótimo texto, vibrante e cheio de surpresas no caminho. Só que diferente da transformação da amada de Merlin em Dark One, a do Hook realmente surpreendeu. E faz absoluto sentido, exceto quando não faz mais. Ter aquele desenvolvimento coloca mais uma peça chave no relacionamento de Emma e Hook, que veio sendo construído e desenvolvido com muito mais força neste quinto ano. As respostas que vieram neste excelente oitavo episódio ajudam a compreender o que foi feito durante a sequência de flashbacks deste arco. Contudo, quando somos levados para o presente, fica faltando alguma coisa ali. Não sei ao certo como funciona a dinâmica do Dark One, mas acho que o Hook ter perdido a memória não o isenta de demonstrar poderes, ou ser assombrado pelo poder corruptível das trevas.
Ou seja, quando a trama consegue dar respostas, ela ainda abre outras tantas através de suas resoluções. Não sei se a intenção realmente foi essa, mas uma coisa ficou bem clara, especialmente depois da cena com os anéis, o caminho do Hook para as trevas não será tão lento quanto o da Emma. O bom de Birth é exatamente isso, ele se aproveita de tudo o que já foi trabalhado dentro da série, desde a introdução do Killian no terceiro ano da série, aprofunda estes relacionamentos e constrói uma boa base para entendermos exatamente o local em que estamos agora e para onde a série pretende ir. Claro que as falhas ainda estão presentes, não seria Once Upon a Time se tudo fosse perfeito, mas é tão mais agradável quando o episódio é bom, que fica mais simples deixar de lado os vários pontos de interrogação levantados até agora.

Como era esperada, a resposta para tudo o que Emma fez e pretendia fazer, veio. Ficará bem difícil a julgarem por ela ter agido daquela forma para salvar o Hook da morte certa. Especialmente quando vemos a relação que Hook e Henry desenvolveram em Camelot, além da conexão que o pirata tem com o Neal. Sendo assim, mesmo que o plano final de Emma tenha revelado o seu passo mais dark dentro da capa de Dark One, o fato dela não ter conseguido demonstra que talvez, essa vilã nunca tenha sido realmente uma vilã, só aquela velha fórmula do anti-herói incompreendido, que resolve tudo e ganha o perdão de todos com um sacrifício significativo nos últimos minutos. E como Emma irá se sacrificar? Será que ela acabará no submundo com Hades, presa?
Do outro lado, com os nossos coadjuvantes, algumas coisas boas aconteceram – De verdade só algumas. De resto? Podemos pular para as considerações finais, porque, bom, vocês sabem que quando a série decide dar destaque para Emma e Hook, pouco espaço sobra para o restante. Contudo, Regina e Emma conseguiram passar uma boa cena juntas, nada pesado como Charming e Snow deram a entender, mas um passo importante na amizade das duas. Ver a dor nos olhos da Regina, por estar manipulando a amiga, é sim louvável. Só que, todo mundo preso na árvore, todo mundo reunido na lanchonete da vovó (até os anões que não fizeram nada na temporada), não representa nada significante para o roteiro. Ou seja, apareceram porque os atores precisam honrar o cheque que recebem no final do mês, só isso.
Birth marca a sequência de dois episódios excelentes, seguidos, em Once Upon a Time. Também demonstra que a série tem controle sobre suas tramas, mesmo que algumas vezes ela demonstre um pouco de confusão na hora de entregar o produto que os telespectadores estão esperando. De uma maneira forte, entramos finalmente na reta final para a conclusão do arco Dark Swan, que pecou por não conseguir entregar uma vilã conforme a promessa, mas soube dosar bem a aura de mistério e surpresas. De verdade? Em dois episódios a série conseguiu provar o valor de uma trama inteira, já os pontos fracos, esses vocês poderão ler em Rei Urso.
PS. Provavelmente uma criança de cinco anos de idade planeja a grade de exibição da ABC, o que também explica o nome da emissora.
PS1. “Cala a boca, eu fui uma parteira falsa, eu sei como funciona”. – ZELENA! Rainha da minha vida.
PS2. Dr. Baleia voltou, com cabelo novo e tudo mais. Só se esqueceu de dizer que enquanto esteve fora de Storybrooke, ele viajou para uma terra sem magia, mas com zumbis.
PS3. Sabe o que eu queria? Uma família de Dark Ones. Imagina a cena, Emma segurando a adaga e interrogando qual dos filhos comeu o último pedaço de bolo e devolveu a tupperware vazia para a geladeira.
PS4. “Você salvou minha vida, apagou minha memória para que eu não soubesse das trevas dentro de mim, eu te amo, mas te odeio e não quero mais ser seu namorado”. Senhoras e senhores, Hook.
PS5. Hook, você é um pirata, não um cigano. Pode parar de mostrar essa mão cheia de anéis, por favor.
PS6. Você percebe que tem alguma coisa errada com a série quando o até então mocinho quase estrangula a Snow com um cipó, e você não tá dando a mínima.
PS7. Teria sido muito triste se no exato momento em que o Hook se jogou do telhado, a Emma estivesse refazendo a raiz do cabelo.
PS8. Coitado do Rolland, que vai demorar uns seis anos para descobrir que a irmãzinha nasceu – Acho que o esqueceram em Camelot.














