Será que a missão de trazer Frozen para Once Upon a Time, foi uma boa ideia?

Bom, acho que antes de responder essa pergunta precisaremos analisar um pouco a que essa quarta temporada de OUAT veio. Antes disso, preciso fazer um panorama geral do que foi a segunda parte da terceira temporada. A carinhosamente chamada 3B, propôs e entregou muito mais do que a série vinha demonstrando e capengando durante uma temporada e meia. Os rumos estavam acertados, tudo caminhava, mas ainda estávamos, assim como os habitantes de Storybrooke, presos em uma maldição de repetição do tempo. Se para eles nada mudava em anos, para nós, tudo se repetia naquele momento.

Porém, isso não foi ruim. Raramente séries conseguem um novo fôlego depois de praticamente reciclar tramas e plots de temporadas passadas, vide The Vampire Diaries. Não é fácil agradar a crítica e aos críticos (nós), especialmente quando tudo soa estranhamente familiar. O esforço da equipe acaba sendo questionado e tudo começa a ficar preocupante. Eu disse nas minhas reviews da temporada passada que essa quarta temporada seria o verdadeiro teste de fogo da série e que somente agora veríamos do que os redatores seriam capazes, depois de recobrar a consciência e acordar para a realidade do que dá certo e do que definitivamente não dá em OUAT.

Pois bem, “A Tale of Two Sisters” não impressiona, mas também não decepciona. É um episódio que brinca bem com o hype em cima de Frozen e ao mesmo tempo deixa bem claro, essa história é sobre Storybrooke e seus habitantes. Isso me deixou extremamente feliz. Imagino que acabaremos acompanhando a historia de Elsa e Anna de uma maneira menos destacada do que muitos pensaram. E isso é muito bom.

Frozen foi uma animação que me conquistou inicialmente pela sua música ‘Let it Go’ e só depois pela história e personagens. Gostei muito do que fizeram e da ideia de que o amor não é uma porta aberta para qualquer estranho que apareça, aspecto por muito tempo adotado pela Disney ao retratar suas princesas e consequentemente o desejo de suas mulheres. Logo, imaginar que o amor a primeira vista não é lá esse paraíso pintado e que o filme que poderia acabar girando ao redor desse ponto, acabou se mostrando um drama familiar. E não é isso que Once Upon a Time prezou desde o princípio?

Entendo então que a proposta de trazer a animação para a série não foi errada e (como já disse antes), o momento oportuno realmente é esse. A ideia da adaptação não foi aproveitar apenas uma boa história, mas trazer o público de um para o outro e o resultado refletiu na audiência de maneira bem visível.

Como primeiro episódio da temporada esse ‘Conto de duas Irmãs’ não deve ser considerado forte. Ele apenas apresenta as novas personagens, mostra para onde estamos indo e apesar de tentar centralizar as duas, acaba elucidando outros aspectos.

A começar por Regina, aquilo que todos nós tememos, assim como as pessoas que a amam é que seu lado sombrio tome conta novamente e que a Rainha Má volte a superfície. E isso me incomodou um pouco, na verdade, me incomodou muito. Já passamos por tanto ao lado de Regina, já a vimos crescer tanto, ora, na temporada passada ela quebrou a maldição com um beijo de amor verdadeiro, quer prova maior de redenção? Mas não, nos fizeram passar por 40 minutos de questionamento. Eu acredito piamente na bondade da Regina e esse processo de aceitação dela com seu novo Eu deveria ser menos galgado em dúvidas e mais no processo de aprendizagem que não terminou na 3B. Infelizmente, como está, fica a impressão de mais uma reciclagem de plot desnecessária, sem o mínimo caráter de homenagem.

Regina é má? Regina é boa? Regina está magoada e vai matar todo mundo? Regina está feliz com a vida e vai transformar areia em algodão doce? Quem é Regina? Em quatro anos a resposta já deveria estar bem clara, mas não é isso que nos deram nessa season première. Colocaram a personagem mais interessante para agir por debaixo dos panos com um plano de vilania e extrema burrice. Será que isso faz parte da maldição de se considerar parte da família Uncharming? A burrice toma espaço? Regina trazendo o final feliz para os vilões, não vê o quão errado tudo pode sair? A única coisa boa foi a volta de Sidney e de Giancarlo Esposito para a série, nunca pensei que sentiria tanta saudades desse espelho recalcado e apaixonado.

E em meu coração, esse conto pode ser separado para duas irmãs. Regina e Emma. Não tem como não adotar o título para ambas quando a cena das duas dividindo conselhos e sofrimento através de uma parede parece algo tão fiel a tudo o que elas já passaram juntas. Mais do que mães do mesmo filho, Regina e Emma são, no coração, verdadeiras irmãs. E me desculpe você, que escreve fanfic das duas se pegando debaixo da ponte dos trolls, a irmandade ali está cada vez mais forte.

Já jogando a bola para o próximo personagem de destaque do episódio, Mr. Gold. Olha, ainda estou tentando entender o que de bom rendeu das interações dele com a BelleZZzZZz, mas de uma coisa eu tenho certeza, o chapéu de Fantasia aparecendo me deu mais calafrio do que toda a sequência da Elsa Soares andando e deixando um rastro de lesma pela cidade. Desse núcleo nada é certo e a única coisa clara é a chatice da Belle se estendendo por mais um ano, mas ainda quero ficar de olho, Carlile não decepciona e sei que ele tem muito a oferecer para a série.

Agora, sei que nada, realmente, nada aconteceu com a família Uncharming que seja relevante considerar. Apenas que, Emma e Hook não podem cair nesse marasmo de casal entediante que tem medo de se abrir para o mundo. Eu até entendo a Emma querer proteger o Henry, afinal, até pouco tempo o garoto estava prestes a chamar um macaco voador de pai, mas com o Hook? O cara que recebeu uma maldição do lábio envenenado por causa dela? O príncipe Charles dessa Leia? Que não deixem esses dois se tornarem os novos Snow e Charming, não tenho forças para isso.

E por falar em não ter forças, não tenho forças para comentar o quão simpática foi Arendelle. Apesar da trama batida do segredo, achei interessante ver que os flashbacks serão centrados nesse núcleo “desconhecido”. E pasmem, preciso mais daquela Rena que já merece um Emmy e daquele Troll fofo que até recebeu bons efeitos, se pensarmos no padrão da série, claro.

Considero que para um primeiro episódio, a Tale of Two Sisters fez bem. Dosou a entrada das irmãs e de Kristoff (me chama de rena e me leva pro estábulo, seu lindo) e ao mesmo tempo mostrou quem manda realmente na série, Regina e Gold. Ainda temos um caminho longo pela frente, mas não consigo deixar de imaginar boas saídas para a série, se o roteiro e o texto não deixarem a peteca cair. Confesso que alguns momentos do episódio me deixaram um pouco entediado, mas nada que não fosse rapidamente contornado, quer seja por um gigante de neve, ou pela possibilidade de Regina trazer a Malévola de volta. Nos padrões de Once Upon a Time, dou a nota de um singelo 8,0 para esse 4×01.

Ps. Ar de Frozen, mas alguns efeitos dignos de Frôze, a prima pobre.

Ps². A RENA conseguiu bater o Henry no quesito atuação. Campanha iniciada: MAIS RENA, MENOS HENRY.

Ps³.Você tem SETE anões e decide colocar o Soneca para dirigir? Próximo passo, colocar o Atchim para separar farinha na… Padaria. Esse povo precisa ser estudado, sério.

Ps4. Emma, explica pro Hook o que é Netflix, minha filha, a cara que ele fez não remete ao que você realmente tinha em mente.

Ps5. Imaginando a torta de climão que não vai ser acompanhar a Elsa Soares andando episódios e mais episódios sem tirar aquele VISHtido. Que dor.

Ps6. Mais dor ao imaginar que o orçamento inteiro da temporada foi direcionado para esse episódio. Olaf será um copo de raspadinha, anotem.

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