Cenas de um casamento.

Um ano atrás, nessa mesma época, estávamos acompanhando a finale da primeira temporada e ficamos desesperados com os plot twists que foram se acumulando no episódio, culminando naquele final que não nega ser o ápice dos clichês, mas que foi tão bem planejado que foi perfeito. Pensei que não seria capaz de acompanhar algo superior nessa finale e estou mais feliz do que tudo por ter sido enganado. Se naquela fatídica finale as coisas foram a loucura, aqui o roteiro foi jogado para o alto e as consequências (sejam quais forem) vão movimentar e muito a próxima temporada. Mas comecemos pelo fato mais importante do episódio: O casamento de Jane.

Antes

Segundo a Lei de Murphy (não o Ryan) aquilo que pode dar errado vai dar errado. E foi tanta confusão pré casamento que o sensor de “nuvem negra” no horizonte apitou ali. Foi troca de tese na universidade, o retorno de Luisa (da enésima rehab), o ensaio de casamento com o padre desmaiado, Rafael planejando dizer para Jane que ainda a ama…. Foram muitos fatores que poderiam e deram errado, mas teve muita coisa que deu certo também. Os primeiros passos de Matelio, a promoção de Michael na polícia foram pequenos momentos que compensaram chegar na igreja de ônibus, após 17 longas paradas de apreensão (Rogelio em sua magnânima inteligência deixou um carro da década de 60 ligado com o ar no máximo embaixo do sol de Miami, não tinha como dar certo…). No final das contas e com um momento repentino de ruptura (se aquela cena de Rafael fosse verdade…) a cerimônia finalmente teve início.

Durante

Mesmo com tudo ali, na mais absoluta certeza, fiquei esperando o momento de alguém levantar e impedir a união. O sensor continuava ligado, mas não seria ali, ainda não que ele funcionaria (se é que funcionou…haha). Com 17 minutos de atraso, um padre remendado, uma música de incentivo ao sexo e um apaixonado discurso em espanhol que emocionou a todos, Jane e Michael finalmente trocam as alianças e se casam. Chequei o tempo do episódio (26min e 47seg) e a sensação ainda não tinha passado. Mas tudo foi obliterado com aquela festa criada por Rogelio. Não bastasse a dança mais engraçada de pai e filha ever, tivemos Bruno Mars como o cantor da festa, para delírio da galera (Charo também retornou como uma das madrinhas). Mas com aquela dica do cara da equipe de produção…. Soube ali que o primeiro de muitos acontecimentos chocantes do episódio estava por vir.

Depois e além

Depois da bonança, a tempestade. E veio com tudo que tinha direito essa maré de azar. Não sobrou nenhum núcleo incólume aos plot twists dessa reta final do episódio. Condensando os acontecimentos, tivemos quatro grandes pontos a serem tratados somente na terceira temporada:

1 – Se trair, não engravide: Conselho máximo para Xiomara. Ela protelou durante toda a temporada que amava Rogelio, mas que não queria ter filhos ao ponto de desistir do galã por causa dessa meta. Eis que com essa escapadela com Esteban (que manda nudes descaradamente) acabou acontecendo o que ela mais temia. Prevejo batalhas épicas nos sets da Telemasivo…

2 – O que não mata, paralisa: Que boa coisa não vinha de Anezka isso era certo, mas que ela trocaria de lugar com a irmã, assumindo sua identidade isso foi um tapa na cara de todo mundo. Petra agora vai passar um tempinho presa numa cama de hospital sofrendo de “Sindrome de Lock-In” ou melhor #Petraficada. Mas e quando as raízes do cabelo começarem a aparecer? Será que vai rolar um plot estilo “O Escafandro e A Borboleta”? E será que a paixonite de Anezka por Rafael vai melar com os planos de Magda?

3 – Morte (?) em Miami: O que 100% (ou algo próximo disso) do público temia era que Michael morresse. Pois bem, com a descoberta de que Susanne era a x-9 infiltrada na polícia, o coitado não chegou nem a consumar a noite de núpcias com Jane, foi alvejado ali no corredor mesmo por Susanne. Tenho para mim que ele não morre, mas deve passar um bom tempo hospitalizado e/ou em coma. Jane, vamo tomar um banho de sal grosso porque olha…. Esse fato leva ao último e mais exageradamente e deliciosamente insano twist da série…

4 –  A volta dos que não foram: Susanne era a responsável pelos vazamentos. Fato. Mas que Susanne não era Susanne isso foi algo tão de supetão, tão de surpresa que aplaudo a inventividade dos roteiristas. Juntando 2+2, a pessoa que Derek falava no telefone era ela, mas a “ela” que nos referimos é nossa psicopata favorita, rainha dos disfarces, mais esquiva que Carmen San Diego e mais resistente do que uma barata modificada por raios gama, Rose. Sabe aquele momento em que o queixo cai, a cabeça explode e tudo o que resta a fazer é catar os pedaços do cérebro pelo chão depois da cena? Foi este que vos escreve no final do episódio. As questões se levantaram imediatamente: há quanto tempo ela era a policial? O plano era só adquirir os 200 milhões mesmo?

Fechando com chave de platina (porque ouro já foi superado a tempos) a segunda temporada de Jane the Virgin termina deixando um caminho mais que pavimentado, solidificando a trama com vertentes que dão margens a mudanças gigantes e um ano ainda mais agitado do que o que acabamos de acompanhar. E agora? Como fazer para esperara até a Fall Season e saber o que acontece? Depois dessa finale é uma tarefa hercúlea.

PS 1: Agradeço a quem acompanhou até aqui as reviews da temporada, com os comentários muitas vezes certeiros sobre o que viria acontecer na trama. Até a próxima pessoal!

PS 2: Barraco no casamento. Sempre rola quando é das Villanueva;

PS 3: Eternizando a melhor dança para a posteridade:

PS 4: Baguete na cesta de café da manhã é certeza de segundas intenções…

PS 5: E que venham mais premiações! O Globo de Ouro foi pouco!

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Lucas Fernandes
Cinéfilo, sériemaníaco e designer não praticante nas horas vagas.