A fórmula de How To Get Away With Murder seguida cartesianamente em Call It Mother’s Intuition.

Nossa série querida tem uma fórmula, e ela segue toda a semana. A sorte nossa é que essa fórmula é de sucesso. O meu medo é que um dia ela venha a se desgastar. Primeiro, temos sempre uma cena intensa e épica coordenada como uma mestra perfeita por Viola Davis. A cena desta semana foi a dos alunos jogando na cara da professora todas as coisas que eles ainda têm em dívida com ela. Tal como uma terapia do confronto (sdds Toma lá dá cá e a terapia da Dra. Perci), todos os alunos foram e jogaram na cara dela verdades e segredos de toda a história da série. E as caras e bocas de sua reação eram críveis e sensacionais, como alguém que não sabe o porquê está fazendo aquilo, mas deve fazer aquilo. Viola é demais, em mais um episódio.

Mas, é nesse ponto que temos a outra vertente da fórmula de sucesso que está essa temporada: saber usar da sua própria história e dramaturgia até aqui como gancho de roteiro. Sempre digo, em comparação a uma outra série deste nosso mundo maníaco, que Friends nas últimas temporadas nem tinham muitas piadas de efeito do roteiro, mas o carinho que temos com as personagens e a noção de toda uma história interna que conhecemos até as suas temporadas finais, conseguimos rir de referências e apenas expressões. Tal qual aqui em HTGAWM entendemos toda a dor das personagens que vivemos com eles há 37 episódios. Sabemos o quão difícil é para Oliver querer um novo amor, mas sentir na pele um preconceito por ser soropositivo, mas isso não precisa estar explícito no roteiro. Sabemos o quanto Bonnie é submissa a figura de Annalise, capaz de esquecer sua noite de amor com Frank, trocando juras de um futuro utópico, enquanto manda o rapaz para fora de sua casa histérica e sem desnecessária reação. Sabemos o quanto Wes foi taxado pela turma e achava que nunca teria chances com Laurel. E tudo isso não precisa ser explícito porque conhecemos todos aqueles personagens, e caminhamos com suas histórias até este ponto.

O que me dá medo é que a série não está criando novos problemas e situações para termos essa característica nas futuras temporadas. Parece que estamos usando um trunfo muito cedo. Não temos nenhum personagem novo na temporada, além de Drake e a diretora. E se Drake ainda pode estar morto debaixo daquele lençol, não vejo muito além de cenas de humanização da Annalise com as cenas da diretora (ainda não gravei o nome dela). Ela está lá para conferir se Annalise vai às reuniões do AA, mas também tem seus problemas com álcool, pergunta para a advogada sobre o porquê do advogado para Wes, e ganha a sua própria indicação. Temos uma personagem que faz um papel de escada para Annalise, ou ser simplesmente incrível ou ser humana dentro de todas as suas mazelas, enquanto ela não está comendo salgadinhos que não faziam parte de sua dieta, enquanto estava com Frank. Não vejo um futuro para a diretora, e gostaria que a sua relação com Annalise fosse mais tensa, ou mais trágica. E Drake, bom, ele tá lá, roubando as falas de Connor.

Drake não tem carisma para tomar o lugar de Connor e todo o apego que os fãs têm com o casal Coliver, que finalmente reataram neste episódio. E é aqui a terceira vertente da fórmula, que ao meu ver, não me faz tanto sucesso, mas parece ser o enfoque dessa temporada: todos os love dramas. Entre o elenco jovem regular, os seis formam três casais reverenciando a matemática básica de fim de novela brasileira. Toda tampa tem sua panela, e assim seguimos a vida. Isso me incomoda porque nas outras temporadas, os alunos tinham plots mais intensos e me agradava mais. E, por mais que Shonda não seja a showrunner, e sim Nowalk, não podemos esquecer que este é um discípulo daquela, e todo esse amor de Connor me remete aos dramas que estou vivendo em minha recente maratona de Grey’s Anatomy ainda no começo, mas já perdi vários personagens/pacientes carismáticos que aprendi a amar pelo caminho e sofri com a perda. Já disse aqui e repito que gosto muito de Connor, e tenho medo desse roteiro querendo me dizer que ele morreu. A cada episódio que tiramos alguém da berlinda é doloroso saber que não é meu favorito. Em minha esperança, eu sigo o ator no instagram, e ele ainda está com a barba e o cabelo do personagem, e as gravações dos próximos dois episódios já devem ter acabado, então ele tem que continuar com a cara de Connor para o ano que vem. Não sei se isso é apenas uma perfect illusion, mas é uma teoria.

E por fim, na nossa fórmula de sucesso, permanecemos com os flashforwards, inspirados em Damages e toda a sua excelência, que HTGAWM usa com emoção e pontualidade da edição. Sabemos aqui neste episódio que Annalise foi presa pelos crimes de incêndio proposital e homicídio. O que será que Annalise apronta em duas semanas para a sua casa? Ela não tem mais tanto arquivo para ser queima de arquivo, nem álcool para que seja inflamável seus armários. Não peguei ainda a ideia sobre o que está sendo escondido ali. Wes aparece mais uma vez como traíra ao grupo, repetindo seu papel de ingratidão das outras temporadas (seja com Rebecca ou com o tiro), e entrega Annalise por imunidade no caso de Mahoney e na sua leviana e idiota mentira em depoimento. Wes está vivo, infelizmente, e sobre para nós na nossa possibilidade de estarem mortos: Frank, Nate, Connor e Drake. Não vejo Bonnie falando no celular no hospital sobre Laurel, nem com Connor (se não ela avisaria Oliver), nem com Drake (só se ela tiver mais algum caso com outro aluno, mas mesmo assim, não precisaria falar para ele sobre se está tudo bem com Laurel). Então vou ser óbvio e dizer que ela fala com Frank, prefiro acreditar que Connor não está morto e que Drake morrendo não trará nenhuma revelação chocante ao roteiro, então minha aposta fica em Nate.

Já que Nate agora está com uma rival de Annalise, isso pode resultar em alguma briga ou confronto da promotora com a nossa advogada, e ele encontrou Wes no tribunal, e ficamos com uma cena meio tensa sobre confiar ou não em Annalise. E ah, também entenderíamos o desespero de Annalise ao chorar por ter visto o morto. Agora, depois de todas aquelas verdades vomitadas em Annalise pelos alunos, porque ela chamaria todos daqui duas semanas numa noite, não chamaria a Michaela, e sairia de casa, deixando Laurel e o morto por lá? Ainda não captei essa mensagem, amado mestre.

Entre a fórmula perfeita da temporada: VIOLA DAVIS + USAR DE SUAS PRÓPRIAS NARRATIVAS DE DRAMA SEM CONSTRUIR MAIS + LOVE DRAMAS + FLASHFORWARDS, é claro que cabem ainda casos da semana inspirados como uma mãe que se envenena para manipular seu bando de filhos mimados e sem perspectivas de futuro, mas que não vale mais que essas três linhas, nessa análise que você está lendo. Somente uma observação à performance arrasadora de Laurel e mais uma vez de Karla Souza, na sua interpretação e destaque merecido nesta temporada. E também cabe uma visita surpresa de Frank na casa de Laurel perguntando se está realmente agora apaixonada por Wes. É tão incrível a cena final deste episódio, que já estou esperando um épico episódio na semana que vem, para nos deixar atônitos para saber quem está morto daqui duas.

> Veredito da 3ª temporada de Black Mirror!

Por fim, eu gostaria de dizer: “I choose you Hack-a-chu!”.

Artigo anteriorThe Crown 1×03: Windsor
Próximo artigoAtlanta 1×10: The Jacket [Season Finale]