Porque seu pênis está no celular de uma garota morta?”
Desculpem os que ainda não viram graça na série ou que acham que ela não é tudo aquilo que venderam ou que é só mais uma série procedural, eu preciso discordar completamente de vocês. Se nos outros episódios eu ainda estava meio receoso em confirmar que a série é envolvente, e boa de verdade, é com esse quarto episódio que eu afirmo: se você ainda não pegou amor por HTGAWM pode começar a refletir com sua consciência porque a trama só melhora.
Bom, vamos ao episódio, e lembrando que todo mundo tem o direito de odiar ou gostar de uma série (ou do seu reviewer) – e acho que todo meu amor está nas tramas jurídicas e na força das personagens. Primeiro de tudo, preciso falar de algo que permeou a série toda, mas que neste episódio estava bem aflorado (e engraçado): as tiradas de todas as personagens. As piadas rápidas, dentro do contexto são ótimas, e vão desde “- A sua bunda não está doendo? – Quem disse que é na minha?” até “essa foi a primeira vez que você acertou o meu nome”. Dão um riso leve dentro do episódio, enquanto a tensão está no ar. Aquelas durante a conversa no escritório entre os cinco estagiários eu achei fenomenal
A festa do homem morto no tapete está chegando! Sete semanas só! E vimos que o quinto aluno não morreu, não foi abduzido, nem nada, ele só não foi chamado para cometer um crime com a galera. (Tadinho, ele perdeu o rolê). Ele vem querendo o troféu de volta, que já começamos a identificar que é uma zona esse tal prêmio; passa na mão de todo mundo. O cara morto no chão e o coxinha batendo na porta querendo entrar na cena do crime não impediram Connor de fazer graça, ou de demonstrar o seu visível desconforto com a situação.
Connor é uma personagem interessante. Ele tem um autocontrole e uma autoestima muito elevados, contudo no desespero ele fica descompensado. Nem toda sua sedução ou seus planos maquiavélicos conseguem acalmá-lo. Foi perceptível que ele não é mal, ele só busca de meios alternativos para conseguir aquilo que ele quer, e quando alguma coisa foge ao controle ele fica totalmente perdido. Assim aconteceu quando o Paxton suicidou, e também daqui há sete semanas com a visita inesperada ao Oliver (que estão aparentemente separados desde então).
Já que citei Paxton, vamos ao caso da semana. Um caso interessante para compensar o da semana passada. Maureen Trudeau é uma toda poderosa diretora de uma empresa que mexe com ações e mercado financeiro. Ela estava sendo suspeita por insider trading, que é um crime contra a economia pública, pois a pessoa utiliza de informações que ainda não são do conhecimento geral, para suas movimentações financeiras a fim de obter vantagens e lucros ilicitamente. E, para melhorar a sua situação, ela tem uma sextape com o dono da empresa farmacêutica envolvida no rolo.
Desse modo, ela tem todas as suspeitas recaindo sobre ela apostando que utilizou de informações privilegiadas para se dar bem. Só que dentro do seu quadro de 52 funcionários existiam alguns traidores por lá. De todas aquelas pessoas que ela dizia ser como uma família para ela, assim não parecia muito para eles. O grande traidor era seu próprio agente, o Paxton, mancomunado com mais dois ambiciosos do escritório, que caiu nas graças de Connor numa quarta-feira a noite sem nada para fazer.
O que ninguém esperava era que o garoto assustado acabaria com tudo se jogando da janela após ter sido descoberto. Achei a cena dele falando as coisas para a patroa meio forçada, sei lá, podia ter passado um pouquinho mais de verdade, achei meio automática a leitura do roteiro pelo ator. Tanto que no começo, eu achei que era um discursinho barato, do tipo “Você nunca me deu valor, eu precisava te mostrar quem eu era” e nunca esperaria sua morte logo depois.
Foi um caso da semana, em que não precisamos utilizar os passos para se livrar de um homicídio, mas aprendemos mais uma lição magistral de Annalise Keating no episódio dessa semana: como fazer uma testemunha confessar um crime. O jeito que ela conduziu as duas entrevistas e também a sala de aula foi alucinante, e fez com que as suas mentiras (ou omissões da verdade em momentos pontuais) desarmassem as outras mentiras, no caso das testemunhas/suspeitos/criminosos. Tanto do cara que cheirava cigarro como daquela loirinha chata. Muito boa a sequência.
Voltando ao caso principal, tivemos uma boa reviravolta no caso de Rebecca. Annalise, em posse do vídeo da confissão da menina, mostrou para o juiz que ela fora coagida a confessar. Benditos olhos se revirando antes de falar alguma coisa, de acordo com o depoimento escrito. Assim, o magistrado abriu um inquérito para investigar essa suspeita, e diminuiu consideravelmente o valor da fiança. Valor este, conseguido pelo escritório, e a menina já está de volta para a casa.
O mais legal dessa parte foi que o vídeo foi conseguido por outra vertente da história. Bonnie viu Nate entrar no carro de Sam. Em outras palavras, a sócia loira viu o detetive amante da Viola entrar no carro do marido dela (que é o mesmo que está morto enrolado num tapete daqui sete semanas). E com isso, Bonnie acreditava, e foi reclamar com o chefe de Nate, que o detetive estava investigando o outro suspeito sem a devida autorização. Assim, na milésima chantagem que a série mostra (não mostrando, de fato), a loira pega a confissão para assistir.
Bonnie não contou nada dessa técnica para Annalise. Até porque desconfiaria mais ainda, pois para ela, Nate não investiga mais Sam, pois ele tinha todos os álibis perfeitos. Não teria real motivo. Na verdade o motivo era ver onde ele estava naquela tal noite que ele não apareceu nem na faculdade nem no estacionamento, pelo GPS do carro. Mas, além disso, outra coisa que chama a atenção desse silêncio, é que lá no primeiro e no segundo episódio, Bonnie também mostrou certo relacionamento a mais com o marido da chefe. Aí temos um novelo muito emaranhado para desenrolar.
Por fim, Wes que foi retirado do caso de Rebecca no começo do episódio por ter dado conselhos não tão bons (ou amadores demais) para a menina, já voltou com tudo para o time de pupilos de Annalise. Ele ganhou a confiança e a senha do celular que nunca descarrega da vizinha-encrenca. É ele quem será a ponte entre os advogados e a cliente daqui pra frente, e já vimos o quanto ele foi além dessa relação apenas profissional. O que ninguém esperava era a foto do Sam pelado no celular da menina morta. Como o marido irá explicar isso?
Aqui, perto já de finalizar, precisamos comentar a frieza no olhar de Annalise e a interpretação de Viola Davis na última cena se desmontando de todo o seu pedestal de advogada poderosa. Ela tirando a peruca e a maquiagem com um olhar distante e com ódio enquanto espera para tirar a limpo a história com o marido da foto no celular mostra o quão duro esse caso será para ela, envolvendo os dois lados da vida dela. O pessoal e o profissional. E aqui, deixo minhas apostas, para o que talvez já fosse óbvio, mas Viola marcará presença nas categorias de atuação na próxima temporada de prêmios com toda certeza.
Entre as metáforas do caso da semana e do desenvolvimento do caso principal, temos um Asher que gosta de brincar de espião e que com certeza será uma pedra no sapato dos amigos estagiários, pois ele sabia que estavam ali. Temos também a referência da sextape da mulher da empresa com a foto do maridão pelado e a história do Wes ter sido um traidor no começo da história e o caso da semana justamente se tratar de traição no trabalho de equipe. Foi um ótimo episódio, o melhor de todos até agora em minha opinião. Com uma trama ágil, envolvente e crível, na medida em que a boa dramaticidade-pastelão permite e que também não abrimos mão. Não vejo a hora da pergunta lá de cima ser respondida. E ver o desenrolar de todas as outras coisas nas próximas sete semanas ficcionais.
E ah, Direito das Obrigações é chato mesmo. Se fosse prova minha, eu também iria atrás de um resumo dos bons. Até semana que vem.













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