Horror e tristeza.
Muitas vezes demoramos algum tempo para entender a verdadeira importância de um personagem e o quanto gostamos dele. Anna é adorável com sua generosidade, seu carisma e romantismo – e toda a sua consideração por Lady Mary – tornando impossível conter a indignação na frente do monitor e não esbravejar de raiva por tudo que se sucedeu. Apesar de Donwton Abbey se passar na década de 20, neste episódio levantou uma discussão muito pertinente – e infelizmente muito atual. Desde os homens das cavernas, a mulher é tachada como “sexo frágil” e tantas e tantas vezes isto é a mais pura verdade. Mas sigo me perguntando, como um “bicho homem” é capaz de uma atitude tão desprezível?
O entretenimento também serve – muitas vezes – para reflexão e ainda bem, né? Diante do horror que aconteceu com Anna neste episódio, só nos resta refletir. O estupro existe desde que o mundo é mundo, assim como o preconceito, a ganância, a sede de poder e por aí vai – ou seja, o mal existe desde sempre. Mas o que me indigna é saber que existe uma “tolerância” para este “mal”, seja ele qual for – pois sempre vai existir alguém para te dizer-que-aquilo-que-você-fez-não-foi-algo-tão-ruim-assim. Acredito que todos em algum momento da vida já falaram algo assim para alguém – por amor, por piedade ou simplesmente por enxergar o mal como “bom”. Será que se não fôssemos tão tolerantes o mundo não seria bem diferente? E será mesmo que o mal é mais compensador que o bem? Porque olhando o mundo lá fora, às vezes penso que uma imensa parte desde mundo pensa desta forma. Será que estou exagerando? Será que não seria o momento de tolerar menos o mal e tolerar mais o próximo? Deixo esta reflexão para vocês também.
Falando novamente sobre Anna, todos os motivos que a levaram a não falar para Mr. Bates sobre o estupro são completamente aceitáveis. Mas infelizmente, acredito que nenhuma mulher possa se recuperar de algo assim tão terrível sozinha. Com certeza, este fato irá transformá-la, trazendo amargura e tristeza a sua vida. Esta história ainda vai nos render fortes emoções – e só nos resta ficar torcendo para que em algum momento nossa querida Anna consiga se recuperar completamente.
É claro que o episódio teve muitas outras histórias paralelas acontecendo e – no geral – me fez acreditar ainda mais que – definitivamente – estamos caminhando para uma excelente temporada. Tivemos hóspedes em Downton e foi muito legal ver a “casa a todo vapor” como Robert afirmou. Episódios como este nos fazem perceber a dimensão do abismo que separa a vida do começo do século passado comparada ao começo deste século – e me faz pensar quanto o ser humano é adaptável as mudanças. É só querer.
Os dias em Downton – no geral – estavam muito divertidos e interessantes. Rose continua flertando com qualquer bonitão que surgir pela frente, Jimmy continua sendo um bobalhão e Mrs. Patmore continua centralizando tudo em si mesma. Já Molesley – finalmente –teve uma chance profissional, mesmo que repentina, mas não gostou muito. Entendo que ele não queira ser um lacaio, mas daí a fazer caras e bocas é demais. Estava com muita peninha dele, mas é preciso ser humilde de vez em quando também. Se liga, Molesley!
E Tom? O que podemos pensar? Sei que ele vai alegar estar bêbado ao ficar com Edna, mas é inegável que rolou uma forte atração entre eles desde quando se conheceram e então acho sacanagem com a moça, por mais que não goste da criatura. E esta história de não fazer parte daquele mundo? Sério? Entendo os motivos, mas neste momento acho tudo um pouco forçado, pois ele já está ali há um bom tempo – suficiente para se adaptar. Obviamente, muitas confusões ainda vão acontecer – principalmente com Edna.
E de novo temos que bater palmas para Violet que finalmente fez Isobel acordar do transe que se encontrava. Perder um filho jamais deve ser algo verdadeiramente aceitável, mas o mundo é dos vivos e não dos mortos – portanto em algum momento temos obrigação de deixa-los partir. E Gregson dando um passo à frente com Robert? Pois é, ele foi realmente esperto e soube “jogar” muito bem, provando para Robert que pode ser um “cavalheiro”. Muitos pontos para ele que subiu no conceito e continua cada vez mais fofo ao lado de Edith.
E Mary? Quem acha cedo demais para ela se encantar por alguém? Não sei se existem regras para este tipo de coisa, mas não podemos esquecer que estamos em 1922 e este súbito-provável romance – com certeza – vai dar muito pano para manga. Mas é preciso admitir, Lorde Gillinghan é bem interessante e existiu uma química muito boa entre eles. É esperar para assistir as “cenas dos próximos capítulos”!
Bem, mais uma vez fomos presenteados com um excelente episódio, nos fazendo circular pelos mais diversos sentimentos, desde a alegria até a repulsa e indignação. Ótimo trabalho do roteiro, da produção e deste elenco maravilhoso. Faço uma menção especial a Joanne Froggatt por sua fabulosa interpretação nos entregando todo o desespero do seu personagem. É um verdadeiro privilégio assistir uma série tão bem escrita e produzida como Downton Abbey!
PS. Será que Robert e Carson nunca vão se modernizar? Que duplinha, hein? Mas foi muito engraçado ver a cara do Robert quando Cora o obrigou a sentar ao lado da cantora… hahaha…
PS. Como será que se joga aquele joguinho de carta que mais se grita do que se joga? Parece divertido…
PS. Farpas continuam saindo para todos os lados entre Mary e Robert quando se fala sobre o futuro de Downton…
PS. Ri muito do estúpido tombo do Jimmy!
PS. Quando será que Alfred vai ter uma chance como Chef? Ele tem tanto talento…















