
Seguindo por um caminho sem nexo.
Spoilers Abaixo:
Definitivamente, eu não concretizei o objetivo de oferecer a vocês duas reviews distintas sobre os episódios de Bones das últimas semanas. E eis que apresento aqui um texto duplo sobre os dois últimos episódios que foram ao ar. Eu poderia dizer que a falta de oportunidade acabou por impedir da realização deste texto anteriormente, mas a verdade é que o que se apresentou ausente foi em elaborar uma forma de expor um texto extremamente crítico e sem qualquer ponto positivo visto nestas duas últimas semanas.
Começando pelo que, sem dúvidas, ganha o posto de pior episódio da temporada The Survivor in the Soap apresentou uma sequencia de redundâncias e analogias sem conexões. Para um episódio que se embasou a um assunto extremamente crítico e delicado, (a guerra civil em Serra Leoa e a geração de soldados crianças). Um tema que não precisava de audácia ou perspicácia, apenas coerência. Não foi ao menos capaz de expor esta última, além de fracassar na transmissão de emoção e envolvimento ao telespectador, e o pior de tudo, o episódio de estruturou em uma considerável presunção.
E para aqueles que se assustem com o excesso de crítica, na verdade admito que não é o bastante para descrever a minha insatisfação e decepção com uma série que eu tanto gosto, mas que, definitivamente, mostrou sua postura de não acreditar na sagacidade dos fãs…
Como já comentado, o episódio se focava em tratar sobre a geração de meninos soldados em guerras civis ocorridas principalmente no continente africano. E ainda que a ideia buscasse expor os traumas causados em pessoas que sofreram tamanha barbárie, o episódio fracassou piamente em exibir esta emoção e consequentemente, não atingiu a comoção do telespectador. Tudo isso, simplesmente, porque ao decorrer do roteiro se esqueceram de enfatizar as dores da vítima para expor em primeiro plano as mensagens subjetivas da “grandiosidade” norte americana em auxiliar a população nas guerras. Decidiram por se esquecer do caso e envolver os Estados Unidos em seu manto de plenitude e soberania, como o grande “santo pacificador” da sociedade, apresentando momento onde o mundo é uma barbárie e os cidadãos e a nação estadunidense é a grande “mãe salvadora” que enxergar os desfavorecidos dando-lhes auxilio para recomeçar.
Ah! Pelo amor de Deus!
Se você não está cansado da abordagem desta perspectiva, arcaica e defasada, eu estou. E não apoio a abordagem deste assunto por esta margem.
Os Estados Unidos não foi o único país a oferecer asilo aos refugiados da guerra civil em Serra Leoa, na realidade quem coordenou este processo foi a ONU, e o país foi só mais uma no meio de tantas nações que concedeu auxílio a mais de 2 milhões de refugiados.
Assim como, ainda que na primeira guerra do golfo (citada por Arastoo), os Estados Unidos tenha sido apoiado por nações europeias e estados árabes para iniciar a guerra contra o Iraque, todos nós sabemos que sua intenção não era de conceder a paz à sociedade daquela região. Como também em 2003, a “retomada” desta guerra pelos Estados Unidos, ignorando as resoluções do Conselho de Segurança da ONU e realizando o maior bombardeio da história, não foram ações que surgiram do interesse em auxiliar os desfavorecidos que sofriam as consequências da guerra…
É lógico que não irei me prolongar em uma causa política, mas gostaria de expor um trechinho desta história que constantemente é deturpada pela mídia estadunidense, e não há dúvidas do quanto isto me deixa irritada. Mais ainda quando a sua posição de presunção diante destas guerras é posicionar o país como o grande herói salvador do mundo no momento de desespero… O que seria aquele contexto onde Booth consegue prender Joseph Mbarga por crimes de guerra enquanto a vítima é morta por um advogado inescrupuloso que deu asilo político a um criminoso de guerra, senão expor o fato de que a nação (representada por Booth) é uma grande mãe se preocupando com a causa de todos, enquanto o advogado representa uma ação espontânea e sem controle, de alguém que se preocupa consigo mesmo e por isso deu asilo político a Joseph Mbarga, e como este mesmo advogado não representa a imagem da “generosidade” o rumo de seu personagem é ser preso por assassinato, pois assim “estamos fazendo justiça a todos”.
Pior do que um plot revoltante como este é perceber que os temas abordados ao pano de fundo eram inconsistentes e repetitivos, como o relacionamento de Cam e Arastoo ou a retomada de uma conversa chata e sem qualquer evolução sobre as férias de Brennan e Booth, ou ainda, a discussão sem fundamento de Hodgins e Arastoo.
The Survivor in the Soap é a representação de tudo o que não se espera assistir ao buscar uma série de entretenimento, pois apresenta uma estrutura redundante, mal elaborada e sem qualquer criatividade. Determinando que a série encerraria sua oitava temporada com mais qualidade se este episódio tivesse sido riscado de sua lista, pois para mim, ele representou um desperdício de 42 minutos.
…
Mas… Precisamos seguir em frente e almejar por dias melhores. Ainda que este não tenha vindo com The Doom in the Gloom. Outro filler fraco e sem oferecer qualquer envolvimento ou evolução ao telespectador.
Ainda que tenha apresentado um inicio curioso e diferenciado com a exploração de expor a maneira como a vítima morreu, esta ousadia se demonstrou absurdamente estúpida quando adiante se desperdiça mais de dez minutos do episódio tentando desvendar um ponto do caso que o telespectador já conhecia desde o primeiro minuto do episódio, (o fato de que a porta possuía uma armadilha). Eis uma fuga ao básico sobre o roteiro de uma investigação criminal que tende ao fracasso, pois se já sabemos o que os personagens procuram não há envolvimento ou curiosidade com o desenvolvimento da trama.
E este foi o grande desastre, pois o que realmente faltou foi uma pouco mais de entretenimento e envolvimento para um episódio que não possuía a intenção de conectar pontos ou evoluir o seriado a season finale, o mínimo que ele poderia oferecer era um bom caso. Mas realmente a história de pessoas que aprendem a sobreviver em um mundo que tende a se acabar? Muito se graça.
Muito mais sem qualquer emoção foi trazer o personagem de Daisy a este contexto enfadonho. Não havia como aproveitá-la e qualquer oportunidade que tínhamos da exploração do humor escorria por água abaixo com sua expressão de tristeza após o termino do relacionamento do Sweets, (outro foco repetitivo). Este foi outro personagem que também não entendi muito bem a sua história. Se a mudança era para apresentar um ponto evolutivo e dizer que ele superou o término de seu relacionamento com Daisy, aquelas duas mulheres que vieram buscar sua mudança destrói qualquer perspectiva de evolução alimentada por todo o episódio, e definitivamente não foi engraçado.
O único momento que salvou um episódio extremamente chato foi o instante em que Booth desvenda o mistério da armadilha na porta e vai visitar o laboratório, além de participar de uma das experiências de Hodgins. Isto sim! Foi algo aproveitável e bem criativo, escapando do rotineiro, e sem dúvidas o melhor a ser visto em The Doom in the Gloom.
A verdade é que mais do que dois episódios ruins, Bones demonstra instabilidade na apresentação de episódios com qualidade. Depois de uma sequencia com uma curva que segui do ótimo para o bom, tivemos uma exposição do péssimo. Isto é decepcionante para os fãs, e mais ainda quando segue para o fim da temporada.
Eu confesso que me retive a não ver vídeos promocionais dos próximos episódios, com a expectativa de ser surpreendida com algo muito impressionante nesta reta final de temporada, a ponto de trazer envolvimento e ansiedade para a próxima. Pois pior do que perder a emoção de acompanhar a nona temporada da série é saber que seguindo por este caminho ela tende a ser a última e pode ser um fiasco.














![Bones 12×12: The End in the End [Series Finale]](https://seriemaniacos.tv/wp-content/uploads/2017/03/Bones-12x12-218x150.jpg)