Arrow continua entregando ótimos episódios e com Who Are You? não foi diferente.
Como é bom ver Arrow fazendo pouco, mas entregando muito. Após o episódio anterior e com a revelação de que Laurel, aparentemente a “nossa” Laurel, não estava morta, dizer que os ânimos se encontravam a flor da pele é pouco. Como era esperado e seguindo a promessa feita pelos produtores de que a personagem realmente havia morrido, tivemos uma montagem interessante e que centralizou em um trio todo o enlace da trama recorrente da temporada, mostrando, inclusive, que é possível dar destaque para Felicity sem puxar para o alívio cômico ou o romance.
O roteiro foi inteligente e extremamente rápido em resolver a situação do retorno da Laurel. Diferente do padrão ‘novelesco’ em que a gêmea má assume a identidade da boa e vai, lentamente, prejudicando quem a acolheu, não foi este o caminho escolhido pela série. Toda a construção prezou pela resolução rápida e pelo desenvolvimento da imagem de Oliver Queen como um herói, alguém que está preocupado em salvar a “alma” de outra pessoa. Tudo bem, o rosto da tal alma a ser salva é o mesmo da mulher que ele amou, mas é exatamente o tipo de comportamento que eu espero de um vigilante do calibre do Arqueiro Verde. Importante também o excelente timming, se considerarmos que há menos de um mês (dentro da contagem da série) Oliver estava fantasiando seu casamento com Laurel – e não Felicity.
Muito mais adulta, a série está desenvolvendo muito bem o drama de seus personagens. O sustentáculo da série ainda é composto por Oliver, Felicity e Diggle, mas também é válido observar como a produção está conseguindo dividir seu roteiro entre duas histórias diferentes, sem que nenhuma delas termine cansativa. Empregar o promotor para tentar ajudar John na prisão foi muito bom. A atitude incorpora um personagem recorrente com um principal, dando relevância para ambos e profundidade para a história. É algo que me faz ansiar por mais, ao contrário de simplesmente desejar pelo fim.
Quem também recebeu uma dose cavalar de bom enredo e motivação foi Felicity. Depois de ter retornado para a temporada como uma ferramenta do roteiro para tiradas cômicas e também para desenvolver um romance enquanto o mundo desabava, vê-la assumindo as rédeas da situação é excelente. Felicity é uma líder, seu período como ‘Torre de Vigilância’ a permite ditar movimentos, dar ordens. Também é condizente perceber que Oliver reconhece a parceira exatamente pelo que ela é, mesmo discordando de seu julgamento. Ele não a proíbe de comandar seu time (até porque o time é só foi montado por causa dela) e mesmo com o embate filosófico entre ambos, tudo termina de uma maneira extremamente madura e com pontos válidos para ambos os lados. Não é infantilidade dele, ou dela, muito menos alguém tentando provar um ponto para o outro e “vencer”, são ideias válidas e eles entendem que são.
Até mesmo o personagem menos aproveitado da série, até agora, apareceu com uma história interessante. Rene Ramirez, o Cão Raivoso, é um personagem muito complexo. Já Curtis peca por nunca ter uma posição realmente boa dentro do time. O drama pessoal do Sr. Incrível é muito bom, mas funciona totalmente desconectado do time e do que está acontecendo na história. É bom vê-lo assumindo que apanhar sempre não está o ajudando moralmente, mas é melhor ainda quando a parceria com Rene o impulsiona a fazer algo, a trazer o seu drama pessoal para dentro da história, com relevância. Ainda acho que o personagem não funciona muito bem dentro da ação, mas já fico feliz por não torcer por sua morte imediata em um episódio da temporada.

Na verdade o que Arrow fez com a imagem de uma versão de outra dimensão é algo bem mais profundo, apesar de também superficial, se comparado ao que Flash apresentou em sua segunda temporada. Muito mais do que apenas uma versão má da Laurel da Terra 1, a Sereia Negra é um produto de decisões erradas tomadas por circunstancias que diferem da experiência de Dinah Laurel Lance que conhecemos e que foi morta por Damien Dahrk/embolismo. Claro que o roteiro poderia ter ido além e realmente criado um contato entre Laurel e Quentin, mas neste momento seria extremamente cruel, para ele – talvez delimitador para ela. Em uma futura história eu até consigo ver acontecendo e o que a série fez ao abrir o precedente, é louvável.
O potencial para uma história mais complexa e rica ainda existe. Não consigo retirar da cabeça que o Arrowverse irá, em determinado ponto, tentar voltar com o seu Esquadrão Suicida. Definitivamente a série conseguirá um resultado superior ao apresentado por Ayer no cinema, não tenho duvida e a oportunidade existirá mais cedo ou mais tarde. Talvez sem a Arlequina, agora que a Margot Robbie criou a versão definitiva da personagem, mas com certeza com um posto separado para que a Sereia Negra assuma o lado feminino do time. Sem Amanda Waller, porém, fica a dúvida a respeito de quem irá tentar controlar o bando de criminosos. É um tiro no escuro antecipar um movimento como esse, mas faz total sentido, especialmente quando analisamos as declarações de Wendy Miracle, a produtora executiva da série. Redenção? A estrada foi apresentada, só falta começar a trajetória.
Para terminar também tivemos algumas informações a respeito do interessante passado de Oliver na Rússia. Neste momento a inclusão de Talia Al-Ghul dentro de Arrow, mas em um flashback, é arriscado, porém também bem interessante. Não me recordo com precisão, mas tenho uma fraca noção de que Oliver não expressou conhecer ou ter ouvido falar da Liga dos Assassinos até a inclusão de Sara, na segunda temporada e da trama mais ampla com Ra’s durante a terceira. Por isso o terreno precisará ser explorado com cuidado. Contudo é algo muito bom porque inclui dentro da história do passado um elemento altamente válido e que definitivamente chama a atenção para o que está acontecendo lá. Sem mencionar que a personagem está sendo interpretada por Lexa Doig (Andrômeda) e fica praticamente impossível errar assim. Pelo menos é o que eu espero e também o que o histórico de Arrow em seu quinto ano vem demonstrando.
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Easter eggs e outras informações de Who Are You?
– Então o Prometeu conseguiu retirar a Sereia Negra da prisão do laboratório S.T.A.R. sem deixar rastros. Será que foi usado um dispositivo para criar interferência na câmera ou o cara simplesmente é mágico? Tipo um Merlyn? Entendeu?
– Curtis perguntou se sua contraparte na Terra 2 poderia ser heterossexual. É uma conexão interessante, já que a versão do personagem na nona arte não é gay.
– Laurel ‘Sereia Negra’ diz para Oliver que “uma vez que você deixe a escuridão entrar ela nunca sai”. Durante o episódio Birds of Prey a Helena disse (quase) a mesma frase para a Laurel da Terra 1.
– Relembrando um easter egg de The Flash, na Terra 2 o Oliver Queen morreu e quem voltou da ilha foi seu pai, Robert Queen. Sua morte motivou a Laurel a se mudar para Central City e ser bombardeada pela explosão do acelerador de partículas dos laboratórios S.T.A.R.
– Talia Al Ghul é a filha mais velha de Ra’s Al Ghul, o líder da Liga dos Assassinos e personagem recorrente durante a terceira temporada de Arrow. Ela teve sua primeira aparição em Detective Comics #411 de 1971. Talia chegou a se relacionar amorosamente com o Batman e do relacionamento dos dois nasceu Damian Wayne, atual Robin.
– A personagem que fechou o episódio se chama Tina Boland e ela não tem uma contraparte nos quadrinhos. Tão pouco assumiu o manto de Canário Negro.
– Katie Cassidy (Laurel Lance/Canário Negro e Sereia Negra) está listada como personagem regular em todas as séries do Arrowverse. Sua primeira aparição foi durante o crossover entre as 4 séries, Supergirl, Flash, Arrow e Legends of Tomorrow, mas ainda limitada a produção do Arqueiro Verde.














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