Arrow 5×01: Legacy [Season Premiere]

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Honestamente? As últimas duas temporadas de Arrow não marcaram o melhor momento para a série do Arqueiro Verde. Enquanto o produtor executivo e parte do elenco culpam Flash e Legends of Tomorrow pelos problemas enfrentados durante o terceiro e quarto ano, é de senso comum entre os telespectadores que os pequenos desvios criados para impulsionar as novas produções da casa foram os menores dos problemas enfrentados. Com um roteiro pouco flexível e algumas decisões questionáveis, a série que a grande maioria mais ama odiar está de volta e dessa vez com a proposta de voltar às origens, sem superpoderes e com os dois pés plantados no chão – ou o máximo que um universo compartilhado em que viagem no tempo e homens que soltam fogo pelas mãos existem possa oferecer.

E para continuar mantendo a honestidade com vocês, eu até que gostei deste primeiro episódio. Legacy não representa a força que a série um dia já teve e está bem distante das duas primeiras temporadas, mas aquela pequena luz no fim do túnel começou a brilhar. A série ainda tem muito o que provar, novamente, para voltar a representar a força que tinha durante o seu segundo ano, de longe o favorito do público e ainda defendido como a prancha de salvação da série. Contudo os problemas criados pelo terceiro e quarto ano ainda existem e permanecem sugando uma boa quantidade de ar do roteiro, deixando-o, por vezes, quase sufocado na tentativa de correção do trajeto. E apostar na imagem do ‘Legado’ foi a saída mais fácil para justificar algumas mudanças.

Entrando dentro do episódio encontramos Oliver Queen dentro do mesmo problema criado após a morte de Laurel e o ataque de Damien Dahrk. O time não existe mais e o Arqueiro Verde está, sozinho, lutando para proteger Star City, tanto burocraticamente como prefeito, quanto heroicamente como Arqueiro Verde. É uma dinâmica muito interessante, especialmente por causa da possibilidade de trazer uma interação maior do Oliver com o restante do mundo, tirando da série a imagem claustrofóbica e com apenas um tom que ela adotou no passado. Tanto que um dos melhores momentos foi a decisão de criar uma força tarefa especial dentro da polícia de Star City, garantindo também uma cena realmente tensa no final do episódio e de relevância. Mas principalmente o que mais enriqueceu Legacy foi poder ver o personagem lidando com problemas que não eram apenas seu, minando o egocentrismo e deixando o protagonista com cara de super-herói de verdade.

O maior problema, porém, é a reversão de Oliver para um ponto que eu já imaginava superado. Seu comportamento de voltar a matar vilões é um retrocesso muito grande para a história, especialmente porque o tema foi muito debatido e discutido na série. Por causa da morte do Tommy, Oliver deixou de matar os bandidos da cidade. Após o assassinato de Laurel, ele decide voltar. O que acontecerá na próxima vez que um inimigo ceifar a vida de algum integrante do time? O discurso moral precisa ser mais forte, especialmente porque nós perdemos tempo acompanhando este discurso ser definido. E realmente se transforma em perda de tempo ao ver o trabalho de anos sendo redefinido após a constatação de que a série está sem foco e precisa, de certa forma, trazer a aura que a fez respeitável no passado, com a imagem de sangue e o som de pescoços se partindo.

Arrow -- "Legacy" -- Image AR501d_0205b --- Pictured (L-R): Stephen Amell as Oliver Queen and David Nykl as Anatoly Knyazev -- Photo: Bettina Strauss/The CW -- © 2016 The CW Network, LLC. All Rights Reserved.
Arrow — “Legacy”

A série ainda mantém elementos que fazem dela uma grande promessa. Ela tem em sua estrutura pontos que transforma Arrow em uma adaptação com grande potencial, mas que está sendo desperdiçado porque alguém decidiu o rumo que a produção deveria tomar, independente do resultado. E a maior prova desta constatação é a presença dos flashbacks, ainda existentes graças a obrigatoriedade criada pela contagem de cinco anos que o herdeiro da família Queen ficou ausente. Apesar de um pouco melhor ambientado neste ano, com a Rússia, a fórmula simplesmente não funciona mais como deveria. Imaginar que mais uma vez estaremos visualizando um paralelo entre passado e presente é pedir muito da audiência. E estes elementos que não funcionam, não precisam existir. Toda a ambientação, o clima clube da luta, a busca pela justiça através de qualquer meio necessário, não é algo novo, nós já vimos. Casa bem com a trama atual, mas demonstra um período estacionário.

Contudo eu vejo um esforço grande do roteiro em criar algo diferente para a quinta temporada. O primeiro indicador foi o romance, ou neste caso a falta dele. Nós sabemos que o público da emissora demanda um tipo de história que a série já desgastou, mas existem formas inteligentes de trabalhar o amor entre heróis. Colocar Felicity em um relacionamento com outro homem é um caminho que não soluciona os problemas da série, não faz muito em termos de longo prazo, mas funciona para trazer uma nova dinâmica, assim como o possível surgimento de um novo time.

E por falar em novo time, esta é outra proposta que demonstra um aspecto da série que está ficando um pouco cansativo. Cada vez mais temos a inclusão de novos personagens, tirando o foco do personagem central e o direcionando para caminhos menos interessantes. Por enquanto tudo é apenas uma promessa, mas o legado da Canário, assim como a volta de Laurel Lance em um flashback para amarrar as pontas da promessa que Oliver fez em seu leito de morte, apontam que a série jamais será novamente apenas sobre o Arqueiro Verde e que o manto de tutor continuará existindo, mesmo que a história perca um pouco. E até mesmo a ideia do líder e da criação de uma família ‘Arrow’ é algo que guarda potencial, se bem trabalhada.

Claro que não poderia deixar de falar a respeito do Antagonista, Tobias Church. Anunciado como o responsável por trazer a série de volta para o seu eixo “pé no chão”, Church vem com uma pesada missão, reestruturar a linha de vilões da série. Para um primeiro episódio a sua presença ainda está esparsa, mas imagino que o roteiro irá trazer mais do personagem nos próximos episódios. A impressão é que Arrow está procurando trazer um tipo de vilão inspirado em Demolidor, abocanhando uma parcela do público que clama por uma pegada mais similar a criada pela Marvel e a Netflix. Tobias é muito mais direto e menos misterioso, algo que a série nunca trabalhou com tanta liberdade. Sem um panorama sobrenatural para desenvolver e com um tipo de antagonista que quer dominar o cenário criminoso da cidade, parece que finalmente termos algo diferente para a série neste quesito, mesmo que o tal arqueiro misterioso ainda ameace a estabilidade dessa nova possibilidade.

Se teve uma coisa que Legacy demonstrou e que mostra uma grande evolução para Oliver, é a sua recém adquirida capacidade de mudar do opinião rápido, algo que até então levaria, pelo menos, uns dois episódios. Como retorno para seu quinto ano, aquele que também nos presenteará com o centésimo episódio da série, Arrow voltou com um tipo de abordagem diferente, apesar de ainda demonstrar o mesmo tom. Reitero minha visão de que a série mantém ótimos pontos e possibilidades, podendo se transformar novamente em algo relevante para o mercado e com impacto real no universo que ela criou, o Arrowverse. Existe espaço para o Arqueiro Verde neste mundo, só falta os criadores deste espaço aprenderem a conduzir sua própria cria através deste atraente mar de meta-humanos e alienígenas.

Easter eggs e outras informações

– “Você quer ajudar? Faça uma doação para o departamento de polícia”. Oliver Queen mais bem humorado e soltando frases menos engessadas. Gostei.

– Não entendi ainda como funciona a dinâmica do apartamento. Merlyn comprou o loft para a Thea, que depois convidou o irmão para morar lá. Então Oliver e Felicity empurraram a Thea para fora e agora a Felicity mora no apartamento com o novo namorado. Não faz sentido nenhum.

– Trama da bomba nuclear, alguém lembra?

– Tivemos o retorno de Lonnie Machin, o Anarquia, um dos melhores vilões que a série teve na quarta temporada e o pior utilizado, de novo.

– O personagem que apareceu com máscara do Jason de hockey é conhecido como Wild Dog. Criado em 1987, sua história é parecida com a de outro personagem que está na série, Curtis Holt. Jack Wheeler foi um estudante universitário com uma bolsa de estudos recebida por causa do futebol, mas precisou abrir mão de tudo após um ferimento, se tornando um mecânico. Sua trajetória é repleta de perdas e tragédias, algo que o forçou a tomar ação e se transformar em um vigilante.

– Tivemos também outro nome conhecido das histórias em quadrinhos, Konstantin Kovar. Kovar é pai do Estrela Vermelha.

– O homem que Felicity se refere como “senhor óculos de ski” é na verdade o Vigilante. Um anti-herói criado para as páginas de Novos Jovens Titãs.

– As cidades Hub City e Bludhaven foram mencionadas. Nos quadrinhos elas são, respectivamente, lar do Questão e do Asa Noturna.

  • Marcelo

    Eu continuo pq eu não abandono pela metade, mas tá complicado viu.

    • Marcelo

      Somos dois, só de ver o promo do 2 episodio ja deu uma desanimada.

      • Marcelo

        Depois da morte da Laurel eu desanimei muito era a personagem que mais me fazia assistir, mas vou dar mais uma chance rs,

      • Mari Martins

        Pois está redondamente enganado. O segundo EP é mil vezes melhor que o primeiro. Lembra muito o começo da série.

    • Dou

      Se a série tiver 15 temporadas você vai até o fim mesmo não gostando?

      • Marcelo

        15 temporadas é muita coisa kkkk não sou tão masoquista assim. Eu vejo mais de 40 séries e Arrow é talvez a que eu menos anime de assistir desde a 4 temporada, mas como já foi uma das minhas séries favoritas lá na primeira e segunda temporadas eu sempre fico na esperança que melhore. Acho que única série que abandonei pela metade foi DC Legends of Tomorrow e não fez nenhuma falta. E os crossovers com as outras séries do canal também meio me prendem. Mas se nessa temporada eu não curtir mesmo. Adeus

  • Douglas Damacena

    o problema de Arrow é que eles sempre dão aquela luz no fim do túnel,mas por fim é sempre uma miragem,nunca muda ,fazem um pouco de fan service e ta tudo bem,pra mim Arrow ja deu oque tinha que dar.

  • Caio Vinicius Viana Lima

    Já ia perguntar se tinham desistido de Arrow kkkk
    Eu até que gostei da estréia mas é aquela velha coisa!
    Ps. quero Laurel ressuscitada pra ontem…

  • Márcio Lima Pereira

    Vcs já tem alguma ideia de como o flashpoint paradox vai influenciar arrow?

    • Utilizando como base os dois episódios de Flash e este primeiro de Arrow, só existiu uma mudança, o bebê do Diggle e da Layla não é uma menina e sim um menino John Diggle Jr.

  • Vitória Martins Souto

    Eu devo ter sérios problemas, o que me motiva a continuar? Loucura e esperança. Alguém sabe se a volta no tempo do Barry vai mudar algo em Arrow?

    • Fábio Santos

      Até agora mostrou em Flash que Diggle teve um menino, e não uma menina. Viu o episódio de Legends em que eles vão pra 2046 e encontram um arqueiro em Star City que era o filho do Diggle?

      • Vitória Martins Souto

        Lembro, é o filho do Diggle né, agora faz mais sentido!

  • Do you bleed ?

    Diego primeiramente parabéns pela excelente análise,sobre o APARTAMENTO,como Oliver agora é prefeito com certeza ele deve estar morando em outro lugar,e acho q faltou falar sobre as coreografias das lutas,q ficaram ótimas nesse 1o Ep

  • Victor.

    assisto arrow por pura obrigação hoje em dia !

    • Luana

      Caramba, obrigada por dizer em palavras o que eu sinto quando assisto Arrow. OBRIGAÇÃO e um pouco de apego também.

      • Ozório

        Vcs viajam demais. Gastar 42 minutos por obrigação qdo podia estar vendo ou fazendo outra coisa é pra acabar.

        • Luana

          Apego, Ozório. APEGO! Não consegui me desprender da série, sempre foi a minha série favorita desde a season premiere, mas com o tempo fui me decepcionando, desde então vejo mais pela obrigação de um dia ter gostado pra caramba da história.

          • Davy

            A série nas primeiras seasons foi boa mas nada demais, penas nota 7, considerar série favorita é uma das maiores insanidades que escutei nos últimos meses.

  • Felipe

    Já estava pra te pedir para voltar para a quinta temporada, pois lembro que você disse que iria largar as reviews de Arrow. Compreendo o sentimento, pois senti o mesmo e assisti muito sem esperança esse episódio e…achei foda demais. Senti totalmente o clima da 1° e da 2° temporada, inclusive fizeram várias, muitas mesmo, homenagens ao pilot (igual fizeram com flash).

    Sobre voltar a matar, acho que a construção do personagem foi a de entender que ficar no extremo (matar sem medida e nunca matar) é que é o problema.

    Vamos ver, após assistir a premiere de Arrow e Flash as minhas expectativas reverteram

    • Felipe

      *expectativas Inverteram

      • Mayara

        Muito verdade! Muitas referências ao piloto e eu amei!!!!
        E sim, não dá mesmo para ele ser 8 ou 80. Acho que o meio termo é bem mais real num história de um herói sem poderes do que ele ser um “ser-iluminado-que-não-mata-nem-uma-mosca”. Para né!

  • Fábio Santos

    Wild Dog me lembrou Casey Jones, personagem do Stephen Amell em Tartarugas Ninja II.
    A história desse Jack lembrou a do carinha que forma o nuclear junto com o dr. Stein (esqueci o nome do carinha).
    Eu quero o Questão na série. Ou quem sabe uma série só dele. rsrs

  • Mayara

    Que bom que estamos de volta! Finalmente.
    Eu fiquei muito satisfeita com o ep. Acho que foi fiel à proposta de voltar às origens.
    Ter novamente criminosos de rua casa com as HQs e a série precisava muito disso. Assim como ter boas cenas de luta também fez toda diferença. Falta mesmo termos um pouco mais das origens do Arqueiro.

    Usar elementos sobrenaturais (seja magia, poderes, aliens, etc) era importante na temporada passada uma vez que a série faz parte de um universo que aborda esses temas. Fazer de conta que eles não existem sendo que Central City está ali do lado seria chamar os telespectadores de burros e geral iria reclamar (invariavelmente, até porque é isso que gostam de fazer). Eu entendo e fico feliz que isso tenha sido provado e já superado.

    Assim como entendo voltar à questão de matar. Pode realmente parecer um retrocesso, mas eu sinceramente não acho que um herói sem poderes pode dar conta de toda a criminalidade sem matar. Zero mortes é inviável e após uma grande perda na equipe acho bastante plausível ele rever esses conceitos. Sei que ainda teremos debates internos sobre isso e é só o que me chateia, porque se ele assumisse a ideia “vou matar se preciso” e pronto, sem choramingos seria perfeito. Eu não acho que ele seria menos herói por isso, pelo contrário, só o faria mais humano.

    Fora que Oliver como o prefeito bonitão que está sempre atrasado é impagável!

  • Carlos S.

    episodio foi bom, deu uma boa expectativa… os flashbacks ainda são desnecessários, esse lance dele matar depois da ultima temporada perturbando tanto a thea chega ser meio idiota… as as coreografias melhoraram um pouco, tivemos uns bons momentos de ação… continua a pior serie da cw

  • João Paulo

    Não chegou a ser um retorno triunfal de Arrow, e ninguém estava esperando isso, mas foi uma boa Season Premiere.

    Esse recrutamento de uma nova equipe, e o Oliver um pouco mais dark, nos remete a primeira temporada, e traz um refresh que é algo muito bom para a série.
    Fora isso, tivemos os melhores flashbacks desde a segunda temporada, e uma melhora nas lutas, dois aspectos que foram praticamente deixados de lado nas últimas 2 temporadas.

    Mas não achei tudo flores.
    A principio, não vi graça nenhuma nos vilões apresentados. O primeiro, o carinha lá de TWD, achei muito fraquinho ele, e o segundo parece ser mais uma repetição do Malcolm Merlyn da primeira temporada.
    Eu gostei muito do Oliver ter voltado a matar, mas provavelmente teremos mais uma discussão se o Oliver deve matar ou não, toda temporada eles abordam o assunto, e acho que isso já deu.

    Enfim, ainda é cedo para definir os rumos que as coisas tomarão, e espero que eu esteja errado nas colocações que eu coloquei, mas mesmo com esses contras, o cenário é promissor.

  • Ainda nao entendi como o Oliver escapou e o Church nao se preocupou com isso…

  • Mari Martins

    Acabando de ver o segundo ep… É até melhor que o primeiro!

    1 – Até os flashbacks estão bons, saindo da ilha e na Rússia;

    2- Achei bem com a vibe das duas primeiras temporadas;

    3- Só falta ressuscitarem Laurel;

    4- Tb queria Moira Queen e Tommy de volta, kkkk sei que a possibilidade é 0, e nem sem se tem muito nexo, mas sinto saudades desses dois personagens também;

    5- Até as piadas de Felicity estou amando. Se for assim, como amiga apenas, ela pode continuar viva na série (só não pode voltar a namorar Oliver, pelo amor…);

    6- Gostei do nome do vilão;

    7- Assisti o 2 EP dando tanta pausa, pq não queria que ele acabasse logo;

    8- Não acho que Arrow precise ”imitar” nada do Demolidor. As duas séries são boas e, apesar das duas últimas ruins, o Arqueiro pode se inspirar nele mesmo e nas primeiras temporadas para se reecontruir.