Bom episódio. Pelo menos dependendo do ângulo que for analisado.
De volta essa semana com Arrow acompanhamos a mágoa de cabocla do Capitão Lance e seus incontáveis esforços para a captura do Arqueiro. Espera só um pouco… Acho que não vejo outra forma de iniciar essa review senão com uma confissão. Aí vai: Eu não estou gostando do caminho que o show está tomando. Uff… Bem mais leve agora. Por mais caricatas que essas linhas possam parecer, tenho a necessidade de deixar isso claro para vocês. Como disse na review anterior, acho uma falta de vontade enorme do roteiro colocar o Quentin contra o Oliver. E hoje, especificamente hoje – após dar expediente no escritório mesmo na sexta-feira santa e parar uns minutos para escrever essa crítica a tempo – eu estou tendo algumas dificuldades em fazer um texto imparcial e deixar minhas decepções com a série de lado.
O que foi aquela cena dele apontando a arma para a Laurel? Sério que ele ia prendê-la? Acabar com a carreira da própria filha? Expor para a cidade inteira e levá-la a julgamento? Na boa… Esse não é o cara que abraçou a Sara mesmo depois de saber que ela estava em uma sociedade de assassinos. Isso mesmo, “assassinos”. Tudo bem que ele deve estar sofrendo por omitirem a morte da Sara, que ao saber que Oliver era o vigilante ele reviveu toda a raiva que sentiu quando soube do naufrágio, mas espera aí. O que foi feito das palavras que ele usou em seu discurso no início da temporada? Por mais que me esforce e tente aceitar a postura do Capitão eu não vejo coerência alguma em suas ações.
O simples fato de atribuir publicamente a morte da prefeita ao Arqueiro é uma traição muito maior do esconder a morte de Sara. Quentin esqueceu a honra, consideração, e tudo de positivo que sua relação com o Esmeralda trouxe algum tempo atrás. Ou melhor, a preguiça dos roteiristas, ou a falta de um plot conciso e bem amarrado é que trouxe para um personagem secundário, que conseguiu uma média aceitação pública ao longo das três temporadas, uma postura que arrebenta com tudo que ponderou no passado. Se olharmos a trajetória do personagem veremos que ele foi amaciado aos poucos. Trabalhou com Felicity no fim da primeira temporada e deteve uma das maquinas do Malcolm, foi rebaixado na policia e trabalhou com o Team Arrow para deter Slade, foi condecorado por sua postura na invasão da cidade, subiu de cargo e agora nega tudo que passou esses anos e influência a opinião pública negativamente contra o cara que o ajudou a chegar onde está.
Posso estar pecando como reviwer, mas para não ser injusto com o show e deixar vocês lendo uma série de desabafos, que podem estar sendo influenciados pelo meu humor, resolvi esquecer a trajetória do Capitão Lance na série e analisar o episódio como se o personagem acabasse de aparecer. Public Enemy não foi um episódio ruim. Pelo contrário, a tensão esteve presente do inicio ao fim, as doses de ação, os cortes, diálogos diretos e sequências lógicas, e até o alivio cômico proporcionado pela mãe da Felicity. É por isso que acredito que a única forma de olhar para o capítulo sem torcer o nariz é deixando as atitudes de Quentin de lado. Portanto, vamos lá.
Os esforços de Rá’s Al Ghul, para convencer Oliver a aceitar sua oferta, foram levados ao limite quanto o Cabeça do Demônio resolveu assassinar a prefeita de Starling City e revelar a identidade do Arqueiro para a força policial. Como dito no episódio, o líder da Liga dos Assassinos resolveu usar a cidade inteira como arma e coagir Oliver ameaçando não só a ele, mas também todos seus associados. Rá’s nos dá uma aula de estratégia e como utilizar os recursos do ambiente da batalha a seu favor.
Oliver ficou com duas opções, ou se entregava para a policia e evitava mais baixas de pessoas inocentes, ou aceitava a proposta da liga. A escolha do herói foi se entregar e tentar negociar a imunidade dos seus associados. A ação do Arqueiro é digna de um líder comprometido. Ele inspirou a todos, não forçou ninguém, mas foi responsável para atrair a galera para esse caminho. Deve ter sido uma decisão muito difícil, abdicar de sua causa pela liberdade de seus amigos.
Todos conhecem o conceito de mártir certo? Já usei esse termo antes quando a galera se inspirou em Oliver para enfrentar o Brick. Por definição, mártir é qualquer um que sofre por não renunciar a seus princípios. O legal é que essa palavra ganhou uma conotação altruísta com o passar do tempo e passou a sugerir um exemplo de conduta. Talvez possamos considerar o Sr. Queen um mártir por não se submeter a pressão da Liga dos Assassinos e se sacrificar pelo bem do Team Arrow. Só que o auto-sacrifício inspira, principalmente a alguém que acredita merecer ser preso. Roy não deixou que Oliver levasse a culpa e resolveu ir no lugar dele.
Façamos uma pausa para pensar aonde isso pode nos levar. Com Roy preso, Laurel trabalhará para inocentá-lo e correrá o risco de se expor. A policia sabe, por fonte duvidosas, a verdadeira identidade do Arqueiro e colocará empecilhos no trabalho da defesa. De qualquer forma, o plot principal, aquele que envolve um certo Al Ghul e sua trupe, fica estagnado, já que com o Arqueiro preso, Rá’s não pode usar de seus homens para se passar por ele. A falha no plano do Cabeça do Demônio foi se esquecer que Oliver também possui pessoas dispostas a se sacrificar por ele. Não consigo pensar em nada que ajude o show nesse momento e tudo fica parecendo encheção de linguiça. É simples demais, se cruzarem a ficha do Harper com as primeiras aparições do Arqueiro, verão que enquanto o Oliver aterrorizava os corruptos da cidade o Abercrombie ainda roubava bolsas de patricinhas. Existe álibi o suficiente para que Roy seja desacreditado, porém a sua relação com o Team e o assassinato do policial na segunda temporada podem complicar. Preferia que o Arsenal fosse morto e inspirasse a Thea a assumir o manto da Speed do que fosse para cadeia.
Sem ter por onde atacar é bem provável que Rá’s Al Ghul se vire em direção a Thea. Ele já viu o que Oliver é capaz de fazer para proteger a irmã e acredito que é o caminho lógico a se tomar. O plot da quase morte de Ray Palmer serviu para partir seu coração e mostrar a todos a dor de um “eu te amo” não correspondido. Fica estampado na cara a solução do roteiro para fazer com que Palmer e a loira rompam e o personagem se retire da série para assumir o spinoff. Arrow tem cinco episódios para empolgar, o show tem material pra isso e capacidade de sobra. Nos vimos isso acontecer com TWD nessa ultima temporada, já vimos isso acontecer com Maos na primeira temporada e pode muito bem acontecer com Arrow. Continuo acreditando.
ps1: A mãe Felicity deveria ser personagem recorrente.
ps2: Agora que o Roy parece estar se engajando a galera manda ele para a cadeia? Provavelmente ele será resgatado. Completando o que disse no parágrafo acima, será que o Oliver ficará sem usar o manto do Arqueiro enquanto o Harper está na cadeia. Logicamente o Arqueiro não poderá aparecer, senão toda a culpa retorna para Oliver Queen.
ps3: Gêmeas, sério? A moça fica um ano na ilha com o cara, faz uma tatuagem igual a dela nas costas dele e não conta pra ele que ela tem uma irmã gêmea? A roteiristas, inventem outra forma de nos deixar com a pulga atrás da orelha, por favor, essas piadinhas já cansaram.














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