Flechas, Bumerangues e… Velocidade.
Para quem assistiu o episódio de The Flash essa semana podemos dizer que o episódio de Arrow foi mais do que uma continuação do melhor Crossover entre séries de heróis dos últimos tempos – ta… Eu ainda gosto do Besouro Verde na antiga série do Batman – e para quem não assistiu a série do corredor escarlate… Tudo bem, a habilidade dos diretores em desenvolver o episódio a partir do cliffhanger do capítulo anterior de Arrow (com a primeira aparição do Capitão Bumerangue), serviu para não deixar os telespectadores totalmente perdidos. Só aconselho a quem não assistiu “Flash vs Arrow” a assistir e se deliciar com o a beleza do episódio.
Em “The Brave and The Bold” a referência mais forte do episódio de Flash foi a repentina aparição de Caitlin e Cisco em Starling City e de cara pedindo para conhecer o esconderijo do Arqueiro. Como ambos os personagens estiveram presentes na temporada passada de Arrow já não são estranhos ao público do Arqueiro. A interação dos cientistas de Cental City e Felicity é incrível e o alívio cômico trazido por eles para Starling da tons mais claros a escuridão da cidade. Ambos são grandes adições a qualquer equipe de combate ao crime e quando se juntam a Srta Smoak o potencial é elevado ao quadrado. Agora pensem comigo. Se a química das equipes é tão grande assim, quão interessante é a união dos personagens principais?
Uma das características que mais gostei no episódio foi que mantiveram as particularidades originais dos personagens no que tange a seus ideais e personalidade. Todas as vezes que O Arqueiro Verde e Flash se unem nos quadrinhos, as histórias tendem a caminhar para o conflito. Na série os métodos utilizados por Oliver chocam Barry. O que é compreensível, visto a história pessoal de cada personagem. Enquanto o Sr. Allen conviveu com o trauma de infância após presenciar a morte de sua mãe e ter o pai preso, o Sr. Queen viveu a vida de playboy e foi transformado em uma arma pelos infortúnios da vida. Nos próprios flashbacks do episódio, podemos ver de onde o Esmeralda tirou suas habilidades em interrogatórios. A personalidade do Arqueiro foi construída através de um direcionamento sombrio onde a misericórdia era uma fraqueza e podia custar a vida de muitas pessoas além da própria. Foi aí que ele aprendeu que medidas drásticas são necessárias diante de pessoas que não respondem a outra linguagem senão a violência. Já a personalidade do Escarlate foi edificada através do trauma e do sofrimento. Barry conseguiu buscar a luz e a esperança em seus poderes, seja ajudando outras pessoas ou na possibilidade de resolver o mistério em volta da morte de sua mãe.
Sobre o vilão Digger Harkness o Capitão Bumerangue (retratado em Arrow com uma ótima interpretação de Nick Tarabay o eterno Ashur de Espartacus) tenho que ressaltar que apesar de ser um vilão característico de Flash o Australiano é que tem a maior probabilidade de ser encontrado combatendo outros heróis. Assim como na série, Harkness também é associado ao Esquadrão Suicida na Nona Arte. E sua relação com a Força X nas telas fica mais estreita com a convocação do personagem para o futuro filme do grupo. Não acho exagerado dizer que Harkness foi o melhor vilão da temporada até agora e digno de um episódio crossover. O cara conseguiu forçar todas as habilidades de ambos os heróis. A cena dele invadindo o QG da Argus foi feita de maneira a valorizar suas habilidades e demonstrar o tamanho da ameaça que o personagem representa. Um ótimo vilão para um ótimo episódio.
A forma positiva e otimista com que The Flash se apresenta pode dar a impressão de que se trata de um personagem ingênuo e isso acaba por refletir em sua equipe e em seu show como um todo. No diálogo no Verdant, Caitlin e Cisco estão chocados com a gravidade do ferimento de Lyla e acabam por notar a diferença entre enfrentarem meta-humanos utilizando os poderes de Barry e o que o Team Arrow vem fazendo durante os últimos três anos. Como enfatizei alguns parágrafos acima, é mais do que lógico que a personalidade dos heróis influencie diretamente na construção de suas séries. Mas tenho que dizer que a amizade entre o Arqueiro e Flash, além de suavizar um pouco as coisas desperta esperança em Oliver. Não sei aonde isso pode nos levar, já que o tom da temporada é a própria questão da identidade do personagem. Se Barry acredita que Oliver Queen pode inspirar as pessoas, isso pode ser uma deixa para termos Oliver abraçando a carreira política, já que ele já foi prefeito de Starling nos quadrinhos. Meu medo é que essa questão seja usada apenas como mais uma frustração para o Arqueiro e venha a confirmação de que deve abandonar a sua humanidade de vez. Sinceramente prefiro um herói mais sombrio e dedicado a causa e não tenho nenhum problema com os métodos obscuros, desde de que sejam utilizados nas pessoas certas. O problema e que a imagem do herói tende a ser a mais próxima do considerado “honrado e elevado”, nesse quesito Barry pode estar a frente de Oliver, porém é inegável que a postura de um combatente deve ser flexível e acompanhar a gravidade da situação. Saber fazer sacrifícios é inerente a profissão de vigilante, ainda mais sacrificar a si mesmo.
Semana que vem acontece o mid season finale de Arrow e a resolução do mistério da Canário. Já foi anunciado a participação de Rá’s Al Ghul no episódio e aguardo ansioso por cliffhangers gigantescos para 2015 e o deslanchar dessa temporada. Como foi dito pelo Diego na review do episódio de Flash, onde tive o prazer de contribuir com minha opinião sobre a primeira parte do crossover, aqui está a opinião dele sobre o episódio de Arrow.
Parágrafo do Diego, reviewer de The Flash sobre a segunda parte do crossover.
Vim aqui para compartilhar minhas breves impressões a respeito da segunda parte do melhor crossover em duas séries de heróis em exibição atualmente. É gritante como Flash precisa do Arqueiro e o quanto Oliver precisava de um pouco mais de esperança em si mesmo. Se lá em The Flash o ar é bem mais leve, aqui em Arrow tudo vem carregado de uma seriedade e urgência gigantescas. A relação dos heróis é bem próxima a de dois irmãos, e com referências a ‘liga’, que ambos poderão formar mais a frente, tudo se torna um abraço caloroso aos fãs das produções do gênero. Não tem como não ficar orgulhoso de poder acompanhar as duas séries e ver o quão distintas e complementares elas se tornaram. Um vilão saído das páginas do corredor escarlate, encontrando em seu fim o próprio arqueiro esmeralda, a poesia é latente. O humor, a comédia e a leveza que Barry trouxe contrastaram de forma primorosa com o ar mais sóbrio e cruel de Starling City. Afinal, não tem como não se apaixonar por todos os personagens, melhor ainda quando estão juntos e podem oferecer mais do que apenas um gadget novo, mas novas dimensões para duas séries que prometem ficar no ar por muito mais tempo. Tempos esses que serão mais escuros e que estão a caminho. Logo, tudo o que o Arqueiro precisava era perceber que dentro dele, também existe um pouco do sol, um que até então, só pensava ser digno de Central City. E não poderia ir sem antes elogiar o trabalho do Douglas com Arrow. Lá na primeira review do cara eu estava batendo cartão, e continuamos assistindo o crescimento de um grande escritor. Obrigado por me permitir invadir seu espaço e keepupwiththegoodwork!
ps1: Obrigado ao Diego Antunes pela participação na review e pelo elogio. Aprendo muito lendo suas reviews e sou fã desde que conheci o site.
ps2: Barry e Cisco elogiando o uniforme do Arsenal demonstra que o gosto por moda de ambos é um tanto quanto duvidoso.
ps3: E aí? Quem ganhou a luta do final do episódio?














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