A cidade das referências

Arrow é uma série muito boa e todo mundo sabe disso. O roteiro permanece eletrizante semana após semana, transformando inclusive tramas filler em viagens interessantes. Em ‘Broken Dolls’, muita coisa aconteceu e muitas referências pularam da tela para encher nossas cabeças com teorias e mais teorias. Chegou a hora de conversar sobre as bonecas quebradas dessa cidade…

O caso da semana foi brutal e grotesco, mas serviu para explorar diversos aspectos dos personagens. Começando por Quentin Lance, um simples policial que perdeu tudo e se vê diante de um terror do passado. É nessa situação de impotência que o jogo vira a favor do Arqueiro, agora um aliado importante para Quentin e vice-versa. Além de vingança, o caso Doll Maker é uma satisfação pessoal para Lance. Vide Sara.

O macabro Doll é Barton Mathis, um serial killer obcecado por pele branca de mulheres que usam Mermaiden, um creme baphon e babadon que só as moças ricas podem comprar. A premissa é interessante, assim como a atuação do vilão, mas a lindeza dessa trama está na referência ao mundo da nona arte. Nos quadrinhos, Barton é um vilão criado para o universo dos Novos 52 e possui um papel importantíssimo na revista Detective Comics. Seu passado é, digamos, levemente perturbador: seu pai era canibal e ambos iam “caçar” juntos. O Comissário Gordon mata o Papai Canibal e desperta a ira do filho que, tempos depois, retornar como um assassino que arranca o rosto do Coringa para ajudá-lo a fugir da cadeia. Barton Mathis é membro da Sociedade Secreta dos Super Vilões e usa como máscara a pele do rosto de seu pai. Coisa suave!

As referências continuam com o número do apartamento do personagem, 52, favorito da DC, e o nome de seu advogado. Tony Daniel é o criador do Doll Maker e quem escreveu a Detective Comics #1, onde Barton aparece pela primeira vez. Daniel já trabalhou com Geoff Johns nas histórias dos Jovens Titãs, escreveu diversas histórias do Batman e, atualmente, desenha Superman e Mulher Maravilha dos Novos 52. Arrow toda trabalhada no universo expandido. Muah!

E já que estamos falando de um assassino com vítimas femininas, nada mais delicioso do que falar da Canário Negro, a mais nova vigilante assassina da cidade. Primeiro que ela já chegou abalando ao salvar Oliver com seu Grito Supersônico e, segundo, que despertou toda a curiosidade do Team Oliver. Se antes não sabíamos quase nada a respeito da nova loira, agora sabemos que a vadia só luta com criminosos que cometem crimes contra mulheres, tem uma aliada chamada Sin (Sim, PECADO!), seu QG é numa Torre de Relógio e é integrante da Liga dos Assassinos. Crocância atrás de crocância!

Em relação do Grito do Canário, vi algumas pessoas reclamando que o tal dispositivo supersônico não é como deveria ser nos quadrinhos e blá blá blá. O tal grito, marca registrada da Canário, possui diversas origens e diversas abordagens ao longo da história da personagem. Na próxima review falarei mais detalhadamente sobre eles, mas já posso adiantar que em uma das histórias a Canário não tem o grito como poder, mas usa um dispositivo com o mesmo propósito do usado aqui na série. Nos novos 52, o grito vem das cordas vocais e é tão incrivelmente forte que a vadia consegue até voar! Já imaginaram? Essa, literalmente, pode matar cachorro a grito.

E enquanto ativistas salvam Beagles no interior de São Paulo, vamos falar de Sin, a mais novas integrante do Samba da Cidade Estrelada. Aqui na série a personagem é uma delinquente do Glades, Cindy, que ajuda a nova vigilante. Nos quadrinhos ela é filha adotiva da Canário e garota prodígio das artes marciais. Numa de suas histórias, os integrantes da Liga dos Assassinos acreditam que ela seja uma espécie de ‘Messias’ e deve substituir seu líder morto, Ra’s al Ghul. Felizmente, ou infelizmente, Oliver forja a morte da Pecadora para evitar seu destino de glória e poder. É ou não é uma lindeza toda essa conexão dos personagens? Melhor do que isso é dizer que a Torre do relógio é uma referência ao QG das Aves de Rapina na Torre do Relógio de Gotham.

No QG do Team Oliver, a química foi eletrizante e os personagens evoluíram mais um pequeno passo. Felicity agora toma as próprias decisões para ajudar a equipe e Oliver está cada vez mais consciente de que não pode fazer tudo sozinho. Falando em trabalho em equipe, além do trio oficial do QG, as operações se expandiram com Roy e Quentin. A evolução de Harper é notável e só tem a crescer nesta temporada, assim como a mudança de paradigmas de Quentin, agora em problemas com a polícia. Acredito que em breve veremos Laurel voltando a colaborar com o Arqueiro, principalmente depois que ela descobriu o verdadeiro motivo de sua mágoa de cabocla pelo vigilante.

Dentro dessa trama de equipe e investigação policial, encontramos o Granger Laboratories. Minha piração é longa, mas o nome do laboratório pode ser uma referência a Dawn Granger, o herói Columba (Dove). Nos quadrinhos, Columba é irmão de Rapina e ambos combatem o crime com força, agilidade e recuperação rápidas. Uma segunda versão do Columba podia voar. Você então se pergunta por qual maldito motivo estou falando dessas lindezas. Primeiro que os dois personagens, participaram de algumas histórias das Aves de Rapina. Segundo, o pai dos heróis já foi técnico do Star Labs. Sim, o mesmo laboratório que está desenvolvendo um acelerador de partículas em Central City. E ai voltamos ao Granger Laboratories, provavelmente uma conexão com o Star Labs. BOOM! Seu cérebro ainda está na cabeça?

Espera que a crocância ainda não terminou! Lembra que o Doll Maker usa uma van da Metamorpho Chemicals? Metamorfo é um personagem da DC, também conhecido como Rex Mason, que possui o poder de se transformar em qualquer elemento químico. Nos quadrinhos, um de seus inimigos é Simon Stagg. Simon já foi citado em Arrow, lá no episódio ‘Legacies’, e é dono das Indústrias Stagg, uma das principais doadoras de recursos ao CNRI. No mundo da nona arte, é uma empresa de inovação nas áreas de engenharia, química e genética com escritórios em Nova York, Los Angeles e Metropolis. O que esperar de todas essas conexões, camaradas? Eu tenho certeza de que nada acontece por acaso aqui em Arrow e se tudo se amarrar da forma que estou imaginando, teremos uma excelente segunda temporada. Fico cada dia mais orgulhoso!

Orgulhoso também estou de ver Thea Queen visitar sua Mama Rainha para lhe presentear com um look todo trabalhado na riqueza, afinal não dá para ficar com aquele uniforme HORROROSO ALL THE TIME. Não bastasse quase não ter tempo, afinal precisa conferir cada garrafa de champanhe da boate e não tem funcionários para isso, nossa Cházinha encontra um momento para tirar um sorriso da mãe, que está toda trabalhada no suicídio….

Moira Queen se entregou ao sentimento de culpa para preservar a integridade de sua família e está disposta a morrer para não revelar seus podres. Se tudo que fez foi pela família, não fico surpreso ao vê-la dizer que está mais feliz agora que tem os filhos por perto e a família reunida. Só fico temeroso de que nossa personagem querida, e dissimulada, seja a próxima morte de personagem importante nesta temporada. Os roteiristas já disseram em entrevistas que alguém importante morrerá e, definitivamente, aposto em Moira. Será que teremos forças para vê-la partir? Só fico imaginando Thea… Jean Loring, faça algo, pelo amor da Santa Rainha!

Como estamos nesse clima de mudanças e ações, a família Lance esteve reunida nesse episódio para gerar conflitos, ofensas e, no fim das contas, ajudar um ao outro a encontrar a luz (no bom sentido)! Laurel finalmente entendeu que a culpa da morte de Tommy não é do vigilante, afinal o Aprendiz de Feiticeiro nunca teria ido ao Glades se a futura Canarinha estivesse em casa. Isso muda a dinâmica da trama e provavelmente não teremos mais Laurel caçando o Arqueiro. Enquanto ainda não vemos o desenrolar desse drama, você deve estar se perguntando, desde a finale, o que diabos a advogada teimosa foi fazer no Glades já que sabia que o bairro iria desmoronar. Nas cenas deletadas do box da primeira temporada, vemos que Laurel voltou ao CNRI para salvar o máximo de processos possíveis, afinal todas aquelas pessoas dependiam dos documentos que estavam lá e com o tremor tudo poderia se perder. Mal sabe ela que daria para xeretar os escombros depois, né? Enfim…

Na ilha, Slade continuou sua mágoa com Oliver e Shado e quase despencou do cume de uma montanha (Ai, Nazaré Tedesco!). A trama que caminhava a passos curtos, mas interessantes, deu um salto pra lá de chocante e vimos que o Time sairá da ilha para um passeio. Oliver foi capturado e, até onde sabemos, Slade ganhou algumas queimaduras no rosto. DeathStroke/Exterminador surgindo? Tomara.

O interessante é notar que o barco onde Oliver acordou se chama Amazo, uma pista para o que veremos a seguir. Falarei melhor sobre o assunto quando tivermos mais detalhes, mas já posso adiantar que está conectado com personagens já confirmados para esta temporada….

Por fim, foi um episódio com um clima de tensão forte, ao estilo filme de suspense com serial killer, que trouxe Quentin Lance para a linha de frente e, novamente, mudou a dinâmica das tramas. O roteiro continua consistente e as histórias se conectam com maestria, assim como a edição e a trilha sonora. As referências aos quadrinhos foram o ponto alto do episódio, com uma sambada atrás da outra e um leque de possibilidades extremamente rico. Em comparação com os dois episódios anteriores, a qualidade se manteve. Não tenho dúvidas de que Arrow é uma série muito boa e todo mundo sabe disso.

P.S. Jean Loring, a advogada e amiga de Moira, é a mulher do Átomo, Ray Palmer, nos quadrinhos. Falei dela no episódio ‘The Undertaking’, quando Laurel cita os amigos Ray e Jean.

P.S.2. O código de rádio do Quentin é Delta Charlie 52. Traduzindo: DC 52. #DCComicsAmaOs52

P.S.3. Colton Haynes já foi modelo da Abercrombie. #BeijinhoNoOmbro

P.S.4. Firefly, vilão do episódio ‘Burned’, também é um dos membros da Sociedade Secreta dos Super Vilões, que já contou com Darkseid e Lex Luthor como líderes.

Vou ser uma isca. Essa é a minha vida. Essa é a minha escolha

SMOAK; Felicity. #EsseÉoMeuClubeNextel #Hahaha

Você confere o resultado do Concurso Cultural ‘Coming Back Strong’ no vídeo abaixo.

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