É um pássaro? É um barco? Não! É um assassino!

Spoilers Abaixo:

Surpresa por cima de surpresas. É assim que Arrow continua surpreendendo e cativando sua audiência fiel. Estou repleto de palavras sobre ‘An Innocent Man’, então vamos começar a aventura.

Assassinato foi o tema da vez e provavelmente será o grande tema da primeira temporada. A série já mostrou que irá explorar os limites da liberdade de um herói dominado pela fúria da vingança e disposto a ir até as últimas consequências para atingir seus objetivos. Em seu quarto episódio, Arrow explorou novamente o passado associado a ações do presente, construindo uma trama amarrada, bem construída, coerente e repleta de surpresas dramáticas.

Devido aos últimos acontecimentos, resolvi separar um parágrafo deste texto para lembrar e reforçar o motivo da utilização de torsos sarados na série: Oliver Queen é

um personagem comum, sem superpoderes e sem alguma habilidade especial aparente. O que lhe confere os “poderes” necessários para cumprir sua tarefa de vingança são suas habilidades de luta e seus treinos físicos. Portanto, nada mais justo do que apresentar esses treinos na série e, por conseguinte, o resultado desses treinos como recurso estilístico. Não à toa, tal recurso é utilizado em diversos, senão todos, os filmes de ação, incluindo aqueles com Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e Jean -Claude Van Damme (estes dois últimos inclusive já mostraram as nádegas), só para citar alguns exemplos. É óbvio que este mesmo recurso também é utilizado para chamar o público feminino/homossexual para acompanhar a série, assim como mulheres com roupas curtas, apertadas e decotes cavados são utilizadas para atrair o público hétero. Dadas as circunstâncias dos recursos estilísticos utilizados na série e a liberdade criativa que tenho para escrever os reviews aqui no Série Maníacos, que leva em conta toda a minha bagagem profissional e pessoal, os comentários humorísticos a respeito de torsos sarados continuarão se as situações forem pertinentes, como foram até agora. Não acredito que haja cobertura completa de Arrow se os torsos não forem abordados, seja de forma negativa à utilização nas cenas, seja de forma bem humorada ou simplesmente não os citando. Estou disposto a fazer um trabalho completo. E o farei.

Depois dos acontecimentos dos três últimos episódios, chegamos ao momento dos questionamentos filosóficos da série, do desnudamento das máscaras dos personagens repletos de propósitos em suas ações. Assassinato definitivamente foi o assunto do episódio, explorando o potencial destruidor de Oliver e o levando até as últimas circunstâncias para provar que toda ação tem uma reação.

As cenas ambientadas na Ilha Lost da CW mostraram o primeiro assassinato de Ollie, provocado por pura sobrevivência (ou Shengcún para quem preferir). O roteiro impecável de “An Innocent Man” brincou com todas as motivações dos assassinos da série, assim como todas as nuances de um homicídio e suas consequências. Ao descobrirmos mais uma parte da história do passado do Rainha na ilha, com seu mestre Yao Fei, não tivemos nenhuma revelação bombástica, apenas o básico, o esperado: Oliver fez de tudo para sobreviver. Yao Fei, nos quadrinhos, possui o poder de utilizar sua voz para paralisar as pessoas e/ou criar campos de força. Em Arrow, tudo indica que ele não passará de mentor de Oliver e exímio arqueiro e dominador de artes marciais, assim como um habilidoso poliglota, explicando assim a origem dos poderes linguísticos do playboy Queen.

No caso da semana, o poderoso Jason Brodeur usou sua inteligência para continuar a lançar lixo tóxico no Glades e de quebra criar um plano infalível e clichê para tirar sua funcionária dedo-duro, Camille Declan, da parada. Nessa história entra Peter Declan, acusado de matar a própria esposa e ganhador da defesa exclusiva de Dinah Laurel Lance e Arqueiro Verde Melancólico.

Pausa dramática para agradecer a queridíssima Thea Queen pelos momentos mais crocantes e deliciosos do episódio. Além de fazer a sensacionalista e informar o irmãozão do que rolou no mundo dos crimes hediondos nos tempos em que ficou fora, a menina novamente jogou merda no ventilador, não teve dó de colocar o dedo na ferida e provocou o irmão a ser quem ele realmente é perante Laurel. Graças a Thea (impossível escrever esse nome e não lembrar de chá), os pombinhos trabalharam juntos, deram um vislumbre de como pode ser a parceria Lois Lane e Clark Kent, para depois se separar e levar a alegria deste que vos fala.

Os roteiristas não iriam investir na inserção de Laurel no time do Arqueiro neste momento, definitivamente, mas não ficaram acanhados de nos mostrar como essa parceria pode ser produtiva e voltada para o bem geral da sociedade menos favorecida de Starling City. Gostei do que vi, gostei da química entre os personagens e do desenrolar orgânico da trama que os envolveu no episódio. Fico agradecido que os roteiristas tenham lido minha review do 1×03 (cheia de pólémicá) e reeditado o episódio na última hora para incluir o modificador de voz entre os aparatos tecnológicos do Arqueiro. Um verdadeiro privilégio ser consultado por Greg Berlanti, Marc Guggenheim e Andrew Kreisberg semanalmente. Vou começar a cobrar o cachê de consultoria. Fica a dica.

Depois de todo o drama, o clima de casal, a felicidade clandestina e a constatação, por parte de Laurel, de que o Arqueiro vingador é um assassino, tudo se desfez. Voltamos ao zero sem perder um minuto de satisfação com a união do Arqueiro com a Canário. Aliás, o escritório de advocacia em que Laurel trabalha se chama ‘City Necessary Resources Initiative’. As iniciais formam a palavra CNRI, uma brincadeira muito bacana que faz referência à Canário Negro.

Continuando nossa história, John Diggle resistiu ao se tornar integrante do time e só foi convencido quando Oliver Queen lhe disse que matou o assassino de seu irmão. A dica estava plantada como easteregg no peitoral sarado de Deadshot, no episódio passado: uma das tatuagens do Pistoleiro era dedicada a Andrew Diggle. Obrigado Pollyanna Amaro, pela dica nos comentários do review anterior. Não havia reparado no detalhe. O acontecido nos prova que precisamos ficar atentos a todos os detalhes da série. A qualquer momento teremos dicas de acontecimentos futuros. Voltando a Diggle… O drama do ex-guarda-costas durou o episódio só para dar um gostinho de conquista a Oliver e nos provar que Diggle será muito mais do que somente um assistente. Será a pessoa que por ter experiência com a guerra, ensinará Ollie a seguir outro caminho que não seja o que retira pequenos pedaços da alma. John Diggle, camaradas, será o responsável por mudar o destino do Rainha daqui para a frente. E conto com isso. Serão bons momentos.

Quem não pode ficar de fora de toda essa trama sangrenta é a Bitch Queen de Starling City: Moira. A loira fez a dissimulada e tentou, com seus olhos de cigana oblíqua, convencer o marido Walter Steele de que 2,6 milhões de dólares é dinheiro para comprar doce na mercearia da esquina. Nada demais, querido! Imagina… Desviei o dinheiro somente para criar uma empresa fantasma chamada Tempest, com um depósito cuja senha é Robert e que armazena os destroços do Queen’s Gambit, aquele barquinho que meu filho e ex-marido desapareceram no Oceano Pacífico, sabe? Coisa boba, não precisa se preocupar!

O bom é que as coisas estão prestes a ficar complicadas para Moira. Não porque Felicity Smoak fez a engraçadinha e quis ser a menina do fodão da Queens Consolidated, mas logo logo o quebra-cabeças irá ser montado e Walter saberá que sua esposa e o grupo secreto planejaram o assassinato de Robert. E além de estar prestes a ser desmascarada pelo marido, a Bitch Queen também está com o cu na mão porque seu grupinho poderoso já percebeu que todos os que estão caindo do pedestal são integrantes da lista. A famosa lista de Robert Queen que está dando o que falar nos corredores do poder de Starling City. Resta saber se a tal lista foi mesmo feita por Robert ou é somente uma lista dos integrantes do grupo mafioso. Oliver ainda não sabe 1/3 a respeito das ações do pai e esses segredos podem alterar seus planos de vingança. Vamos esperar por mais respostas.

Por fim, e não menos importante, é hora de falar do personagem que ganhou o meu respeito no episódio: Quentin Lance. O detetive provou que é muito mais do que o pai da Canário Negro e conseguiu provas que colocam Oliver Queen como o principal suspeito de ser o arqueiro vigilante. Uma pena que o loirinho não tenha tido tempo para montar sua casa noturna, mas continuo na fé de que os badalos da sociedade fútil rolem soltos nas instalações da boate. Por enquanto, devemos nos preocupar por Oliver estar preso e acusado de assassinato e tantas outras coisas mais. Laurel provavelmente o irá defender e os poderes de Moira também irão interferir nessa maravilha de reviravolta. Sambaram lindo!

Portanto, foi apresentado mais um episódio maravilhoso, com sambadas na nossa cara, diálogos inteligentes, tramas bem desenvolvidas e cenas de ritmo eletrizante. Já decidi que não vou me preocupar exageradamente com o rumo que a série vai tomar, porque os roteiristas já me convenceram de que a viagem nesse novo mundo sem pudores será cheia de surpresas, superações e bons momentos. O próximo episódio, por exemplo, vai mostrar o Exterminador na Ilha Lost da CW e como nosso arqueiro matou seu primeiro adversário, além de atrair as atenções dos vilões da cidade para Oliver. Sem mais spoilers, espero vocês na semana que vem, com os comentários de mais um episódio de Arrow.

Lista de Nomes riscados da lista de Robert Queen:

Martin Somers

Marcus Redman

Adam Hunt

James Holder

Jason Brodeur

P.S. “Você não é um soldado. É um criminoso, um assassino.”, DIGGLE, John.

P.S. 1. Jason Brodeur não morreu, minha gente!

P.S.2. Joanna continua querendo levar Laurel para a vida de caça a homens na ilha de pedra de Starling City.

P.S.3. Laurel não sentiu o cheiro de Oliver ao encarar o Arqueiro tão de perto? Onde foi parar a intuição feminina, coisa e tal?

P.S.4. Big Belly Burguer é o Talon de Starling City.

P.S.5. Felicity Smoak, sua linda!

P.S.6. Assistam Universal Soldier (1992) com Jean-Claude Van Damme. E me sigam no twitter para mais detalhes.

P.S.7. O nome do Queen’s Gambit, pode ser traduzido como Gambito dos Queen. Gambito, no português, de acordo com o dicionário Michaelis, significa: 1. Lance no jogo do xadrez em que se sacrifica uma pedra para obter vantagem de posição ou 2. Artimanha própria para derrubar o adversário. Muitíssimo bem pensado, não é?

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