
O fim que não justificou os meios.
Spoilers Abaixo:
Tá, não é fim mesmo, eu sei (ou sim, se tivermos sorte), mas bem que poderia ser. Afinal de contas, o que Alcatraz fez por nós nessa temporada, ou mesmo nessa season finale? Do pouco que tivemos em mãos para analisar a série, o que sobrou de realmente interessante? O que sobrou de realmente eficaz? O que ficou de realmente sedutor?
E esse primeiro parágrafo já denota o meu desejo de ignorar completamente o penúltimo episódio. Um Garrett Stillman regado da mesma inércia de sempre, apenas servindo de condutor para os eventos do finale.
Toda vez que eu vou assistir um episódio, fico com um caderninho do lado, anotando em tópicos as partes dignas de análise na review. Talvez uma maneira eficiente de falar sobre esse penúltimo episódio, seja dando um upgrade nesses tópicos, a fim de ser conciso e direto, já que a divagação é complicada numa obra tão rasteira.
- Jump
A´lá Bella Swan, Lucy sai do coma e retoma sua posição na equipe. O segredo sobre ela ser um dos 63 já é desperdiçado nos primeiros minutos. Ela não sabe responder nada, e quando indagada sobre como seria a experiência do salto no tempo, rebate com um discurso cafona e piegas que não nos interessa nesse momento.
- Em Alcatraz QI acima de média é normal
Garrett é mais um na lista de prisioneiros super relevantes para os roteiros. Embora a série nos informe que TODOS os prisioneiros desapareceram, ninguém se lembra de pelo menos comentar que tem muita gente pra ser encontrada, e que não necessariamente seja tão genial ou importante aos propósitos da conspiração. Esse tipo de detalhe torna o enredo mais crível e cabível de identificação.
- Ghost, Hauser e a Sala
Mais um souvenir da dramaturgia nos informa sobre os prisioneiros que teriam “morrido” e “voltado”. Informação solta no ar, já que não se conecta a nada do que vimos nos eventos seguintes. Desconectadas também, estão Lucy e Rebbeca, que perdem minutos falando sobre um Hauser que não nos apetece, e que virou um homem que não expressa emoções sobre coisa nenhuma (o que poderia dar um puta personagem, mas não dá). E que finalmente encontra a tal sala.
Aí passamos para o último episódio. Aquele que devia nos dizer: Sim, estávamos enrolando, mas olha aí como somos interessantes.
Antes então de um comentário direto sobre as “respostas”, vamos repassar as perguntas:
- Porque os prisioneiros desaparecem?
- Porque eles saltaram no tempo?
- Como os prisioneiros passaram a ser recrutados?
- Porque Tommy Madsen?
- Porque Lucy é um alvo?
- Porque os prisioneiros recapturados são devolvidos a uma réplica da prisão?
- Qual a ligação do Diretor com isso tudo? Ele criou o sistema ou se aproveita dele?
- O que aquelas chaves abrem?
Essas foram as que eu consegui lembrar. Claro que a gente sabe que as respostas todas não podem ser dadas de cara, mas é sábio dar algumas, que ajudem a responder outras, e que levantem novas. Dessa lista, quais foram respondidas?
Apenas uma. Flertamos com a número 1, com a 4 e com a 7, mas respondida mesmo, só a 8. E quando aquela porta se abriu, o que vimos não foi nem de perto, uma informação que nos ajudasse a desvendar os itens restantes. O que vimos foi uma nova declaração, e que não soa tão interessante como deveria.
A prata coloidal serve para rastrear os prisioneiros.
Tá aí. Essa é a grande revelação do Season Finale de Alcatraz.
O grande acontecimento? Rebbeca entre a vida e morte. E sinceramente, Who Cares?
O episódio foi numa crescentes de tosquices simplesmente devastadora. Desde o batido recurso do “Tantas horas antes”, até o retrato falado do invasor sendo feito nitidamente por uma garotinha que o viu de longe, no escuro, e de relance.
E aí, quando falam do salto no tempo (que agora chamaremos de Jump, como o Soto fez questão de ordenar) me aparecem com teorias geotérmicas que acabam totalmente com o charme da coisa.
Sobre os personagens? Meu Deus, que tristeza… Soto tem um momento de rebeldia com Hauser que poderia dar pano pra manga, mas que acaba na mesma linha “coito interrompido” que foi delineada até aqui. E Tommy… Bom, Tommy é o Elo Perdido, pelo jeito. Ficamos sabendo sobre ele, o que já sabíamos. Ele trabalha para o diretor. De novo mesmo, só a informação de que ele teve o interesse em salvar Ray do “experimento”.
No momento do clímax, o interior da sala nos enche de esperanças… Todas em vão, porque o que nos dizem é tão pouco. Poderiam não ter nos dado nada. Isso é permitido se a jornada é poderosa. Mas a jornada de Alcatraz não chegou nem perto disso. Nos deram uma informação pobre, envolta em diálogos falsos sobre uma segurança dramatúrgica que eles não tem. Tudo coroado pela aparição daquele homem, que se não foi ridícula, foi dispensável. Esse final poderia ter justificado todas as curvas até aqui, mas não foi isso que aconteceu.
Com mais uma terrível maratona de dois episódios seguidos (o que não acontece com séries boas), Alcatraz se despede tosca e insignificante.
Eu sinto pelas palavras duras, mas não posso evitar. O que vimos não foram conjecturas de uma mente ranzinza (como alguns gostam de anunciar), mas um fato. Totalmente movido a engano.












