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Crítica: Bird Box, é melhor ler o livro!

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Crítica: Bird Box, é melhor ler o livro!

Adaptações sempre são muito difíceis. Quando um material é adaptado de uma mídia (como um livro) para outra (como filme) ele deixa de ser determinada coisa para se tornar algo novo. Por isso, é até mesmo complicado fazer comparações, contudo devemos faze-lo. Bird Box sofre, não só porque ele é ruim como adaptação do livro homônimo de Josh Malerman, como também porque ele é ruim quando analisado de forma isolada.

Bird Box nos mostra um mundo devastado, onde as pessoas, por algum motivo não muito bem revelado, se suicidam quando abrem os olhos e enxergam uma criatura misteriosa. Eles não podem sair de suas casas, ver o céu, o sol ou nada disso. Neste meio está a nossa protagonista, Mallorie vivida aqui por uma inspirada Sandra Bullock. Mallorie está a poucos meses de dar à luz quando essa epidemia começa, após voltar de uma consulta e presenciar o suicídio de sua irmã, ela termina presa em uma casa, com diversos outros personagens, que só estão lá para morrer.

É comum adaptações terem determinadas licenças poéticas digamos assim, quando algo fica de fora, um personagem é incluído ou excluído, qualquer modificação em relação ao material original. Muitos dos elementos presentes no livro até que estão no filme, que peca muito na condução da sua história. Apesar da premissa talvez simplista, Bird Box possui uma história de difícil adaptação, principalmente porque os antagonistas, os monstros da história são “inadaptáveis”, porque eles nunca são mostrados ou vistos e quando falamos do livro esse aspecto da história é muito bem compreendido. Mas como passar isso para as telas, sendo que um filme é uma mídia, essencialmente, visual?

Bird Box
Bird Box

Um Lugar Silencioso, filme de Jonh Krasinsk e um dos melhores desse ano, consegue isso de uma forma excelente, já que muito pouco é visualizado dos monstros do filme. O problema é que, comparado a direção de Krasinsk, a de Susanne Bier é muuuuito preguiçosa. A diretora opta por narrativas convenientes e pelos caminhos mais fáceis e termina que a grande ameaçada do filme é representada, literalmente, pelo vento.

Além disso, a decisão de contar a história em duas linhas temporais, no filme, causa uma considerável quebra de narrativa. A empatia pelos personagens não é muito grande, principalmente porque a segunda linha temporal é um grande spoiler da primeira, então nós como espectadores já vamos praticando o desapego com a maioria deles.

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Por conta disso, Bird Box não funciona em nenhuma das frentes. Quando analisamos o filme como adaptação, percebemos que todo o sendo de urgência e de perigo presente no livro não está no filme e isso é uma perda deveras significativa uma vez que muita coisa, inclusive os monstros do qual falamos, é subjetiva. Quando analisamos o filme isoladamente, como um terror, suspense ou “filme de monstros” ele também falha e peca muito, uma vez que a sua narrativa não tem originalidade, a empatia pelos seus personagens é difícil e o filme como um todo, apesar do seu elenco, não possui nenhuma memorabilidade. Eu, definitivamente, fico com o livro.