
O fim de uma era!
Spoilers Abaixo:
Muito mais do que um final de temporada, o episódio de True Blood exibido esta semana pôs fim a uma era: a de Alan Ball à frente da série. A mente idealizadora do projeto sai do comando de sua cria – permanecerá com um título qualquer muito mais representativo do que outra coisa – e ambos, criador e criatura, seguirão caminhos opostos de agora em diante. Sendo Alan Ball o gênio que já conhecemos de outros trabalhos realizados, é certo que essa separação será boa para ele, que poderá finalmente respirar novos ares e permitir aflorar sua criatividade em outros rumos que não sejam o de Bon Temps… Para True Blood, no entanto, não dá pra saber se este divorcio será bom ou ruim, mas é certo de que o que a série mais precisa neste momento é respirar novos ares.
Essa necessidade de True Blood de se renovar é tão grande que até a Season Finale deixa essa impressão. Como já havia comentado na minha penúltima review, pela primeira vez chegamos a um final de temporada sem nenhuma trama resolvida. Antes, True Blood fazia de seus finais de temporada meros episódios introdutórios para o próximo ano da serie, tendo resolvido a maioria de suas tramas nos dois episódios anteriores. Desta vez foi diferente. Tudo aconteceu nesse ultimo episódio, ou nem mesmo aconteceu, como em algumas tramas.
Por um lado, essa multiplicidade de acontecimentos foi boa, por dar um ótimo ritmo ao episódio, entretanto, se considerarmos que o principal mote dessa temporada era os saguinistas e a seita de Lilith e que essa trama simplesmente não teve qualquer explicação, ficando esta para a próxima temporada, percebemos como foi prejudicial empurrar tudo para o ultimo episódio. Eu, pelo menos, me senti enganado por assistir 12 episódios em busca de uma resposta e esta não vir.
Para aqueles que costumam dizer que eu critico gratuitamente a série e que não tenho argumentos, deixo claras algumas dúvidas que queria ver respondidas: o que é Lilith? Se ela de fato existi, qual o seu propósito? O que tem naquele sangue que justifique as atitudes de Bill, Salomé e Cia? Qual a intenção existente por trás de fazer os vampiros dominarem a Terra? Bem, posso continuar aqui eternamente. A verdade é que essa história levantou muitas questões e não respondeu nenhuma, pelo contrário, adicionou novas questões. E antevendo as críticas que certamente virão, já vou avisando que sei que uma série pode dividir suas tramas em varias temporadas, o que eu afirmo aqui é que ALGUMAS RESPOSTAS são necessárias. LOST fez isso muito bem por 5 temporadas. Essa necessidade de se resolver alguma parte da trama desenvolvida numa temporada se faz ainda maior em uma série de TV a cabo, cujas temporadas são menores e, consequentemente, ela fica muito tempo fora do ar, The Killing é um bom exemplo de série que irritou o público por esse motivo.
Mas depois eu volto a comentar sobre os acontecimentos na AVL. Primeiro vou fazer um apanhadão das tramas menores, começando pela de Alcide. Pena ela não ter se interligado com a trama principal para ter maior importância, uma vez que toda a caminhada do personagem nesse quinto ano até se tornar o líder de sua matilha foi muito bem construída. Se de alguma forma tivesse se interligado aos outros acontecimentos da série, teria dado uma utilidade maior para este acontecimento.
Uma curiosidade gigantesca que tenho é o carinho que os roteiristas possuem pelo Andy, que sempre encerra uma temporada com perspectivas de novas historias para o próximo ano, pena que invariavelmente elas são pessimamente desenvolvidas. E agora isso se repete. Tirando a bizarrice absurda da fada parindo no meio do Merlotte’s, nada me animou muito no fato de darem meia dúzia de fadinhas pro Andy. Aliás, essa cena toda só serviu para aproveitar melhor Lafayette e Arlene nessa Season Finale.
Já Jéssica, infelizmente, só figurou no episódio e Pam também, com a diferença de que suas frases de efeito sempre a fazem roubar a cena. Falando nisso, Tara encerrou bem sua participação na temporada, pela primeira vez, ao não negar o sangue e se mostrar uma legítima descendente de Eric Northman. Só achei bizarro o romance dela com Pam. Além de quebrar um pouco a magia por trás da relação entre um vampiro e seu maker, achei um tanto quanto forçado, uma vez que não tinha sentido qualquer ligação sexual entre elas até a Jess comentar. Para mim, foi forçado.
Chega a hora então de se comentar as principais tramas: as fadas e a AVL. Quanto à primeira, fui surpreendido com a agilidade com que se encerrou. Fiquei até meio dividido, pois acho que um personagem com a grandiosidade de Russel Egdington merecia uma morte melhor, entretanto, acho que um dos únicos acertos do roteiro da série nos últimos tempos foi não esquecer a vingança de Eric pela morte de sua família. Era o final mais adequado a Russel, morrer pelas mãos de Eric, e isso é inegável, mas não sei se a forma como foi executado foi a melhor.
Fato é que, com a morte de Russel, tudo começou a se encaixar e a trama fluiu de maneira mais clara, no momento em que Eric e Nora se unem a Sookie e ao Jason para invadirem a AVL e “salvarem Bill de si mesmo” (palavras do próprio Eric). Fato é que Bill não queria ser salvo e já tinha arquitetado seu plano para se livrar de Salomé e beber sozinho o sangue de Lilith.
Dessa historinha toda que contei – de maneira bem reduzida – poucas coisas me chamaram atenção: a primeira delas é a importância do “triângulo” Sookie Bill e Eric, uma vez que para convencer Bill a mudar de ideia, Eric achou por bem incluir a garçonete na história. Outro ponto é perceber o quanto esse triângulo deixou de ser amoroso, tanto no encontro de Eric e Sookie – depois dele salvá-la de Russel – quanto na conversa da moça com Bill na AVL. Percebi uma incômoda falta de emoção. Não que o discurso final de Bill para a moça não tenha sido comovente, só não foi carregado do sentimento que antes aflorava entre aqueles três. O terceiro ponto foi perceber que o grande protagonista da série atualmente é Eric. Já sabia que ele havia superado Bill como personagem masculino há algum tempo, mas até Sookie dessa vez ficou à sombra do vampiro… Foi ele quem matou Russel, ele quem arquitetou a invasão da AVL, ele que teve a iniciativa de “salvar” Bill, foi em razão dele que Sookie teve mais importância… Ou seja, me chocou que eu ainda não havia constatado que True Blood gira em torno de Eric agora.
Por fim tivemos a absurda cena de Bill bebendo o sangue de Lilith, morrendo e nascendo de novo. Não consegui compreender absolutamente nada daquilo e mesmo assim fiquei decepcionado. Não pelo que aconteceu em si – porque como disse, não sei o que foi – mas sim porque, por um minuto imaginei que Bill teria morrido, e por mais que essa ideia fosse aterradora, também seria genial. A série vai se renovar na mão de um novo showrunner na próxima temporada – posso estar enganado, mas acho que Alexander Woo assume o posto – e seria bombástico a morte de um protagonista. Não é nada contra Bill, que melhorou bastante como personagem depois de virar rei, mas TB precisa de algo que balance suas estruturas e, por um momento fugaz imaginei que isso ocorreria, mas eis que Bill renasce como “Nova Lilith” e tudo vai por água abaixo.
Agora é esperar a sexta temporada e ver que surpresa a série nos reserva sem seu mentor. Nem sei se eu ainda estarei firme com ela até lá, mas espero que sim. E, se minha esperança se confirmar, voltaremos a nos ver nesse mesmo site, nessa mesma review, em junho/julho de 2013. See ya people!
P.S.: O surto do Jason é tão bizarro, mas tão bizarro que preferi nem comentar. Digam o que vocês acharam aí nos coments que eu só consegui achar tudo ridículo e sem noção. Um retrocesso.
P.S. 2: Rolou uma decepção de ver que Luna e Sam nem tiveram tanto destaque assim na trama da AVL, mas na única cena importante que tiveram, Luna disse ao mundo todo quem são os vampiros, e a AVL, como entidade, agora deve perder sua força e a guerra com os humanos, se intensificar. Boa! Será que a moça morreu? Depois dessa acho que ela merece mais um tempinho de mosca com o Sam.
P.S.3: Penso que a única estrutura intacta e que ainda funciona na série é o trio Eric-Sookie-Bill. É incrível e sempre me surpreendo como o quanto as cenas com os três fluem com uma delicadeza absurda. Stephen Moyer, Alexander Skarsgard e Anna Paquin têm uma das melhores químicas da TV e muitas vezes fazem milagre com o texto que lhes é dado. Pena a interação entre os três ter sido tão reduzida nessa temporada.
P.S.4: Acho que eu demorei muito para perceber isso, ou então demorei muito para dizê-lo em voz alta: mas é bem ridícula aquela Lilith ensanguentada… Vergonha alheia total! Mais ridículo ainda é a Lilith 2.0, versão Bill.