“Em Nome da Honra” tinha grandes responsabilidades. O episódio precisava concluir o arco do protagonista, que assumiu papel de figurante nas últimas 3 semanas, lidar com o “Hype” criado pela própria série, além de deixar pontas soltas para o futuro da franquia no Disney+, mas o final de “O Livro de Boba Fett” acaba sendo um reflexo bem interessante da temporada como um todo e sua jornada irregular. O episódio começa com a chegada de Grogu na oficina de Peli Motto em Tattooine, e a rapidez com que o assunto se resolveu me surpreendeu bastante. Parecia natural que a escolha da criança ficaria como um gancho para a terceira temporada de “The Mandalorian”, mas é impossível não ficar feliz ao ver Grogu usando a armadura de Beskar. Há de se ver como Luke será usado daqui pra frente, visto que o interesse em se mostrar o começo de sua Academia Jedi são claros.

Mas a parte principal do episódio é evidentemente a esperada Guerra entre Boba Fett e o Sindicato Pyke. Para começar, a entrada surpresa de Boba e Mando após a hilária leitura do tratado pelo Twilek é bastante empolgante. A inclusão dos “Droides Escorpião” foi outra ótima sacada. As máquinas tem o famoso escudo de energia bastante usado nas “Prequels”, que sempre deram trabalho para os Jedi, e também o fazem aqui. Porém, apesar dos bons momentos, a direção de Robert Rodriguez é bem irregular em alguns pontos. Assim que a “Gangue da Motoca Colorida” (que é um ponto negativo por si só) e o Povo de “Free Town” entram no confronto, têm-se bons minutos de um tiroteio repetitivo que não apresenta qualquer senso real de perigo. A Cinematografia do episódio também deixa muito a desejar, principalmente vindo dos dois últimos episódios, que tiveram visuais belíssimos. Eu entendo que Tattooine é um planeta desértico e naturalmente monocromático, mas as próprias artes conceituais no fim do episódio mostram que é sim possível fazer algo visualmente mais interessante ali. No fim, tudo ficou muito com cara de série de Tv mesmo. Não chega a ser algo “nível CW”, mas fica bem abaixo do padrão de “The Mandalorian” por exemplo.
Falando agora dos pontos altos do episódio, é impossível não se emocionar com o pulo energético dado por Grogu ao reencontrar Mando. É o ápice da fofura em Star Wars. Porém, o momento mais marcante do capítulo é sem dúvidas a cavalgada de Boba Fett no Rancor. A sequência de certa forma compensa pela falta de combate corpo a corpo por parte do protagonista. O Duelo final entre Boba e Cad Bane também é digno de ser mencionado. A tensão não existe necessariamente por medo da morte de Boba, mas sim pela de Bane, que apesar de fazer o papel do vilão aqui, ainda é um personagem querido pelos fãs das séries animadas, e teve um fim mais precoce do que eu gostaria, apesar de fazer total sentido narrativamente. Não é segredo que a “reimaginação” de Fett feita por Jon Favreau, Robert Rodriguez e companhia não agradou a todos. A calmaria, paciência e sabedoria que o Caçador de Recompensas demonstra durante a temporada não condiz muito com aquela personalidade mais brutal e assertiva com que os fãs se acostumaram, mas apesar dos apesares, o momento final em que Boba usa seu Cajado Tusken para dar o golpe final em Bane funciona como uma pequena redenção. Resolve tudo? Não. Eu ainda gostaria que o personagem tivesse sido trabalhado de outra forma? Sim. Mas já que o rumo escolhido foi este, o ponto final até que é satisfatório.

O maior problema é como a série vinha criando uma expectativa muito alta para o final da temporada, que não é ruim de maneira alguma, mas cai em um lugar comum. Foi muito terreno preparado para algo que não inova ou impressiona. A tal “Guerra” acaba sendo mais uma batalha local do que qualquer outra coisa e os “grandes momentos” soam por vezes repetitivos. Quantas vezes já não vimos Grogu salvar o dia com a Força, por exemplo? A mensagem que a obra passa é a de que a União faz a força, que Boba não teria conseguido vencer se não fosse por toda a ajuda que teve, mas será que esta mensagem era a certa para ser usada em uma história do Boba Fett? Será que uma moral tão bonita realmente combina com o personagem? Eu acredito que não, e a prova disso é a resposta muito superior dos fãs com os episódios focados em Din Djarrin, que por sua vez tem uma personalidade e conflitos muito mais coesos e interessantes. No fim, “O Livro de Boa Fett” termina como esperado, com um episódio seguro, nada inovador, mas que se salva devido a alguns ótimos momentos isolados. Agora é esperar para ver o que será feito com o personagem a seguir, já que aparentemente a audiência não foi alta como esperado, o que deixa uma renovação para segunda temporada incerta, apesar da clara intenção dos realizadores em contar mais histórias com Boba Fett, Fennec Shand e companhia… Só por favor, chega de Motoca Colorida! É tudo que eu peço.