Home Reviews Nashville 2×22: On The Other Hand [Season Finale]

Nashville 2×22: On The Other Hand [Season Finale]

5
Nashville 2×22: On The Other Hand [Season Finale]

Somente os inteligentes enxergam o óbvio.

Essa não foi uma season finale como outra qualquer. A ausência de uma iminente surpresa ou poderosos cliffhangers para alguns pode ser um grande pecado, mas não podemos afirmar que tais recursos seriam necessários para tornar o episódio interessante, uma vez que nossas expectativas puderam ser correspondidas com a competência habitual da construção do enredo.

Terminamos esta segunda temporada com dois notórios dramas amorosos. No centro de cada um podemos colocar Scarlett e Rayna, as duas detentoras de boa parte da trama. Se por um lado tivemos a entrada de Scarlett no mundo musical, onde a personagem parecia ter se encontrado e deixado de lado sua dependência afetiva, a segunda temporada acabou sendo surpreendente para ela, a partir do momento que a pressão emocional foi maior e consequentemente perdeu cada um de seus alicerces na trama. Scarlett, no entanto, conseguiu dar a volta por cima no final, ao reatar seus laços com cada personagem que a havia sido importante. A influência de Scarlett não parou por aí. Ao seu redor também decorreu as histórias de Gunnar, Avery, a nova personagem Zoey e até mesmo Juliette Barnes.

Nos três últimos episódios tivemos a chance de nos apaixonar novamente pelos romances entre Scarlett e Avery e Scarlett e Gunnar. Analisando separadamente a mágica dos dois casais, podemos acreditar que a cena de reconciliação deste último casal devolveu todo o brilho que fez a audiência adorar Scarlett e torcer por eles, e por um momento, nos fez sentir como se ele sempre tivessem pertencido a ela, tornando o relacionamento entre Gunnar e Zoey quase banal e monótono. Por outro lado, quando Avery e Juliette entraram em sua primeira grande crise, tudo apontava que era o momento de Avery e Scarlett estarem juntos novamente, principalmente após tudo o que passaram. Surpreendentemente o caráter e a cumplicidade dos dois levou a relação a outro nível quando Scarlett apoiou e incentivou Avery a estar com sua namorada, mesmo que Juliette não merecesse. Decepcionantemente esta foi a ultima cena de Scarlett na temporada, deixando o arco do futuro da personagem, que iria embora de Nashville, completamente aberto e sem quaisquer vínculos significativos com a história.

No lado de Rayna, podemos afirmar que esta foi uma temporada muito difícil para a querida rainha. Este ano Rayna passou pela morte do pai, conflitos com a irmã, a revelação da verdade a filha e Deacon, uma turbulência em seu aparente ótimo relacionamento com Luke e a tensão de uma carreira por um fio. Tudo isso se apresentou como grandes desafios para a personagem, que mesmo assim não se deixou abalar e saiu com grande estilo de quase cada uma dessas situações, exceto Deacon. A recaída do relacionamento dos dois é uma questão ponderável desde o primeiro episódio da série e já poderíamos imaginar que alguma hora seria um assunto reabordado. A pressão de Maddie pela aproximação com seu novo pai foi fator favorável a colocar Deacon novamente na disputa por este coração exaustivamente concorrido. É muito difícil apontar a decisão que Rayna deveria tomar, pois virar as costas a um homem que foi tão incrível para ela seria uma decisão de arrasar o coração de qualquer um, sem falar em como poderia comprometer sua carreira. Por outro lado, Rayna e Deacon são como um casal da novela das 20h: sabemos que ficarão juntos. Por esse motivo não gosto muito das chances de Luke, embora ache que ele seja o último que mereça sofrer nesta história. Deacon, por outro lado passou de um alcoólatra desgovernado para um pai de família. Seu discurso impecável se materializou em tudo que Rayna quis ouvir por toda sua vida , e neste momento, existe até uma pontinha de torcida, afinal todos amamos uma superação. É inegável que o personagem conseguiu reverter a imagem que sempre nos colocava com o pé atrás entre confiar e não confiar, se tornando assim digno da aprovação do público para ser aceito por Rayna.

Enquanto Luke e Deacon continuam na briga, Teddy parece cada vez menos importante. Sua passagem nesta temporada foi pobre e cansativa, uma vez que o personagem se limitou a concorrer fracassadamente com Deacon e distribuiu rancor para todos os lados. Teddy parece também ter perdido a preferência da filha mais velha, como temia, e podemos concluir pelo claro sinal de decepção que a filha sentiu quando Luke pede a mãe da mãe em casamento. Maddie lamenta por Deacon e não por Teddy. Por fim, somente restará a filha mais nova, que parece começar a dar seus palpites e se opor sobre a relação da irmã com Deacon. Do lado menos glamouroso de Nashville, vimos  também Tandy se perder totalmente na história com a  morte de Lamar, levando Teddy um pouco junto. Se antes a sobrevida dos personagens era chata por ter um plot chato, agora nem isso os dois possuem, o que nos leva a pensar o que estão fazendo ali. Não imagino um futuro cativante para Tandy na história, mas gostaria de surpreender.

As relações amorosas não param nos polígonos amorosos. Will entrou em Nashville sendo um personagem carismático e enigmático, entretanto, já conhecemos o segredo de Will há um bom tempo e ele simplesmente não conseguia sair daquilo, tornando sua relação com Layla Grant a mais desgastada e desnecessária de toda a história. Já conhecemos o potencial de sua esposa falida há algum tempo e sabemos que ela não faz o tipo de pessoa compreensiva e altruísta, podendo assim esperar alguma atitude medíocre de sua parte, principalmente pela vingança de toda humilhação que a sexualidade de Will pode a causar. Will revelar o segredo a Layla não era exatamente o que prende mais a nossa intenção e sim como o mundo reagiria a verdade por trás do cantor em ascensão.

O problema de Will é mais um revés para a futura derrota de Jeff Fordman. Confesso que quando o novo poderoso da Edgehill entrou na história, não esperava tanto desprezo pelo personagem, mas são estas peças fundamentais que nos torna apegados a trama, principalmente quando esperamos tão assiduamente por sua queda. Jeff confrontou e aterrorizou quase todos os personagens que poderia, mas caiu duas vezes aos pés de Rayna.

Juliette ascendeu em Nashville como a grande antagonista a estrela Rayna, mas se alguém esperava que a novata fosse superar a grande detentora do poder, acredito que estão decepcionados até agora. Rayna não só acolheu Juliette, Rayna a defendeu, Rayna a projetou e Rayna acabou com todas as chances de Jeff manipular e a destruir mais uma vez, como aconteceria de costume.

Falamos exaustivamente nessa humilde coluna o quanto Juliette decepciona os expectadores quando mais acreditamos que ela irá finalmente se superar, mas o diferencial desta temporada foi a sua tentativa, mesmo que fracassada. Veja bem, na primeira temporada tínhamos uma Juliette que estava a um abismo da atual. Uma Juliette que jamais daria o braço a torcer ou levaria qualquer opinião alheia em consideração. Claque que ela ainda está longe do ideal, mas com certeza mais receptiva. O problema não é exatamente o que ela faz, e sim o que esperamos dela, pois bem ou mal, acredito que Juliette seja uma das personagens mais querida de todos nós e isso faz com que não desistamos dela. Não ainda. O retrocesso da personagem pôde ser confirmado com as palavras da própria. Devo admitir que quase não sofro muito quando Juliette faz algo desprezível, pois geralmente somos recompensados com ótimas cenas. Assim podemos caracterizar o momento da verdade entre Juliette e Avery, que conseguiu tocar até o pior dos crentes. A pergunta que nos resta é: Avery irá perdoá-la? Não fiquei muito convencida que sim.

Analisando Avery como personagem, já falei algumas vezes o quanto ele mudou, e esse sim para melhor. Avery não costumava ser um personagem muito interessante e até me arrisco a dizer que tinha um alto índice de rejeição, consequente da aprovação de Scarlett. Da água para o vinho, milagres existem. Avery se consagrou como um dos melhores personagens da temporada se encaixando adequadamente em todos os eixos da trama e trazendo empatia, tanto que agora quase questionamos quem merece ficar com ele. Nesta sequencia, também temos Gunnar fazendo com ele uma grande amizade, que parece que estenderá. Gunnar, entretanto, não teve um fim em sua trajetória inconstante, que faz o personagem ser praticamente um quebra galho e sem rumo definido. Se Zoey havia entrado na história para servir de ponte entre o personagem e Scarlett, quase podemos dizer que aos poucos ela conquista seu espaço e consegue ser quase mais interessante que Gunnar.

Nashville tomou proporções diferentes ao colocar Rayna e Juliette do mesmo lado. Gosto de dizer que foi uma decisão acertada e só temos a ganhar com a união das duas personagens mais populares e em totais extremos de realização. Esta season finale foi um bom exemplo de um episódio desenvolvido para fãs. Na última temporada tivemos participações bem especiais, mas que não foram tão bem sucedidas em levantar a audiência da série, e imagino que a intenção tenha sido mesmo escrever para o seu público, e não cativar os novos. É necessária uma identificação predisposta com a série para nos empolgar com o que pode vir, diferente do que a maioria das séries resolvem engatar, mas de forma alguma decepcionou a mim, uma telespectadora nata do show. Devemos ponderar também que sim, é uma decisão arriscada. Será que a base de fãs da série será suficiente para sustentá-la? Esperaremos pelo melhor. Até a próxima temporada.