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Continuum – 1×03: Wasting Time

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E se você tivesse que se adaptar à realidade de 65 anos atrás?

Spoilers Abaixo:

Era inevitável que haveria um episódio sobre a adaptação de Kiera aos dias de hoje. E não tinha como não ser engraçado vê-la tentando se ajustar num mundo totalmente diferente do seu. Primeiro, começamos com o bluetooth, ferramenta simples que serve para disfarçar a invisível tecnologia dentro do cérebro dela e o visível fato de que ela sai conversando sozinha por aí.

Segundo, entram os costumes atuais. Foi muito bom vê-la sempre desajeitada diante das brincadeiras e sarcasmos, e ainda ter que receber lição de Alec sobre como jogar pedra, papel e tesoura.

Alec, óbvio, se divertiu pra caramba com a situação (“Pronto. Você passou de louca para uma jovem profissional em movimento.”), como deveria mesmo. Aliás, falando nele, é fato que ele continua sendo a melhor coisa e a maior promessa de Continuum.

Sua família também merece destaque aqui, com a reunião que seu padrasto promove na sala de estar. O discurso dele, falando de como eles são escravizados pelos donos da tecnologia, aliado com o descontentamento de Alec sob os olhares atentos de seu irmão Julian, é, certamente, um motivador (ou talvez o berço) do Alec de 2077. Então, supondo que neste tempo ele mesmo seja um vilão, um dos membros do governo das corporações, que acontecimento fez com que ele fosse além da discordância e passasse a agir exatamente (e radicalmente) ao contrário de sua família?

Deixando um pouco de lado o mistério sobre a verdade (ou as verdades) de Alec e indo para a nova aventura do Liber8, encontramos uma possível referência à Fringe. Ao retirarem a glândula pituitária de pessoas vivas para sintetizarem o hormônio do crescimento em uma droga metabólica poderosa, com a finalidade de obter “super-soldados”, é fácil de nos lembrarmos do 1×02 de Fringe, o “The Same Old Story”. Nele, Walter comenta que ele e William fizeram uma teoria visando criar soldados para a guerra por meio da glândula pituitária, com a pessoa nascendo e chegando aos 21 em três dias.

Aqui em Continuum o soldado em questão era Travis Berta, que deve ter participado de um programa militar onde ele precisava do esteroide sintetizado. Acontece que, com a suposta morte de Edouard Kagame, Travis se tornou o líder do grupo. E com sua morte iminente, Matthew Kellog, o vigarista, o engenheiro social, que mente sempre que seus lábios se mexem, viu a brecha para lançar a discórdia no grupo.

Para um grupo terrorista tão “forte” e convicto de seus ideais, foi muito fácil para Kellog espalhar confusão e levar Curtis à morte. Sendo Sonya tão próxima de Travis e a mais antiga do grupo, por que ela não assumiu o posto de líder na frente de todos enquanto cuidava de Berta? Por que toda essa falta de comunicação? E se todos ali conheciam bem a astúcia de Kellog, por que ainda davam ouvidos a ele?

As mesmas perguntas servem para Kiera. Ela sabe muito bem como o Liber8 é perigoso e como Kellog não presta. Ela mesma o descreveu no início do episódio. Então por que ela não o matou ou o entregou para ser preso? Ele estava lá, amarrado e indefeso, só esperando o veredicto dela. E de repente ela decide que vale fazer um acordo com ele? Se naquela hora ela achou os argumentos dele “convincentes”, era bom lembrar que ele mente sempre que mexe os lábios.

Isso sem contar que o fato do grupo ter deixado ele para trás não significa que, de fato, ele foi deixado para trás. Travis não matou Kellog por causa do “juramento” entre eles, mas pode ter dado à ele a tarefa de ficar com Kiera. Ou eles simplesmente iam arriscar que os dois morreriam naquela explosão?

Wasting Time termina com Kiera roubando o pedaço do dispositivo da viagem no tempo, que era evidência na delegacia. Talvez seja pela “parceria” com Kellog que ela espera obter mais respostas sobre o objeto, mas duvido que ela consiga arrancar alguma verdade dele. Afinal, ele já deixou bem claro para ela, em alto e bom tom que Matthew Kellog não se importa com ninguém.

Observações:

– O episódio fez não fez referência só à Fringe, mas também ao visionário escritor britânico, Herbert George Wells, no nome do falso universitário que Kellog usou para distrair Kiera. H. G. Wells, como é conhecido, escrevia romances de ficção científica, dentre eles o referenciado em Wasting Time, o livro A Máquina do Tempo (The Time Machine), de 1895.

– Carlos mentiu para seu chefe, por Kiera, sem motivo aparente, confiando que ela contará “tudo” para ele depois. Isso se chama confiança cega, início para o surgimento de outros sentimentos cegos também.