
Imagine uma série ruim, que insulta a inteligência de quem assiste, que consegue juntar todos os clichês possíveis de um gênero desgastado e criar um amalgama de mediocridade até então inédito. Sejam bem vindos ao episódio piloto de The Cape.
Spoilers Abaixo:
Tenho que confessar que fui assistir The Cape com o maior preconceito do mundo. Tudo que a NBC usou para divulgar a série nesses últimos meses deixava claro que estávamos prestes a presenciar a primeira bomba do ano. E realmente eles não decepcionaram. Sei que do ponto de vista crítico, assistir algo com preconceito é errado, pois nosso bom senso pode ficar comprometido, mas não se enganem, não existe bom senso que consiga tolerar o nível de patifaria e mediocridade mostrado nesse episódio.
A trama é simples: Vince Faraday é um policial honesto e incorruptível em uma cidade dominada pelo crime organizado e por uma força policial extremamente corrupta. Certo dia o bom policial se vê em uma armação feita por seus inimigos e é falsamente acusado de um crime que não cometeu. Após uma perseguição policial, seguida de uma explosão, Vince é dado como morto. Porém, o policial ganha uma segunda chance quando é acolhido por bandidos circenses, que decidem treinar Vince para que ele possa lutar contra o crime na forma de The Cape, o super-herói favorito do filho de Vince.
Se você não deu risada com esse plot é melhor chorar mesmo, porque é realmente triste. Talvez o maior insulto a inteligência do telespectador seja uma falha grotesca em um ponto chave da premissa acima: Vince é dado como morto, mas não existe corpo. Como uma pessoa é dada como morta, sendo que a explosão que causou a suposta morte foi televisionada para o mundo, mas ninguém encontrou o corpo? Não é como se ele tivesse se perdido no meio do mar. É para a gente assumir que ele foi vaporizado e não sobrou nada? Os furos e erros desse roteiro preguiçoso e feito nas coxas são os menores dos problemas de The Cape. O piloto é didático e cheio de flashbacks e legendas explicativas. É como se fosse a maneira que a produção encontrou de nos chamar de burros e tapados.
Os efeitos especiais são um show a parte. Nem a série mais baixo orçamento da CW tem efeitos tão ruins. A tal capa, que da título a série é vergonhosa. O truque de desaparecer com bomba de fumaça (esse truque deve ter sido usado umas 18 vezes no piloto) é ainda pior. Todas as vezes que a capa é usada, numa falha tentativa de copiar os movimentos do “Spawn” eu tive pontadas de enxaqueca tamanha era a raiva de ver algo tão ruim.
David Lyons, o protagonista da série possui o mesmo carisma de uma maçaneta, o que na verdade acaba combinando muito com a série e poupou algum bom ator de ter encabeçado esse projeto. Até mesmo o ator que interpreta o filho de Vince é sem vida e inexpressivo. E um mundo onde Modern Family já provou que o elenco mirim pode ser brilhante, não existe desculpa plausível para um menino tão ruim ter vaga no horário nobre americano. Gosto muito de James Frain (Chess) e Vinnie Jones (Scales), mas infelizmente esses vilões são os piores papeis de suas carreiras. Pobre Summer Glau. Também gosto dela, mas The Cape é mais um flop na carreira da moça. O personagem dela é bem ruim, uma espécie de hacker/blogueira investigativa/sidekick.
Resumindo, não perca seu tempo com The Cape. É fracasso garantido.
PS – Ok, o anão é maneiro.