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Scandal 4×03/04: Inside The Bubble/Like Father, Like Daughter

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Scandal 4×03/04: Inside The Bubble/Like Father, Like Daughter

Agora sim, Scandal está de volta.

Não que não estivesse antes. A série precisava desse tempo para reestabelecer as tramas e direcionar os personagens psicologicamente para que pudesse fazer episódios mais frenéticos e com mais pontos de virada. Mas agora que esse ritmo voltou, dá um certo alívio, porque a gente até fica otimista, mas rola aquele medinho de que Shonda não estivesse mais dando conta com a estreia de How To Get Away With Murder e com as mudanças em Grey’s Anatomy. Para a nossa sorte, não foi o caso. Shondelícia não é nem louca.

Como eu não consegui fazer a review de Inside The Bubble na semana passada, vou me esforçar para compensar neste texto, combinado? Eu achei que foram episódios com propostas muito diferentes, então não vejo sentido em analisa-los ao mesmo tempo.

A começar pela semana passada, eu achei muito engraçada a forma irônica que a série usa diferentes relacionamentos entre personagens para estabelecer estados de espírito. Como pudemos ver com a família Pope, a colocação de Rowan ao descrever a sensação de Olivia por ter ficado tanto tempo fora foi uma sacada muito inteligente do roteiro para nos fazer entender o que motiva Olivia. Quinn passou pelo mesmo ao ficar presa com Charlie, que lhe abriu os olhos ao mostrar que talvez a ex-talvez-futura-provavelmente-atual-B613 esteja se sentindo sozinha e abandonada, como sempre deve ter se sentido desde que deixou de ser Lindsay. Acho que essa sensibilidade é um dos detalhes que fazem de Scandal uma série que não é rica apenas em construir narrativas, mas também em construir personagens.

Já o caso da semana não me pareceu lá muito interessante. Nem a Sonya Walger me impediu de distrair com o whatsapp. Mas foi uma possibilidade importante de forçar o relacionamento entre Olivia e Abby. Eu ainda não sei quanto tempo a ruiva vai ficar na Casa Branca, mas sei que essa rinha tem hora para acabar. Enquanto não acaba, a gente vai curtindo as amiguinhas puxando as tranças uma da outra.

A única coisa que está começando a me dar preguiça é o desleixo da Mellie. Até The State Of The Union, eu estava engajado na dor dela. Mas agora chegamos em um ponto onde o progresso dela está ficando lento. Não é inexistente, mas eu gostaria que ela já estivesse um pouco mais adiante nesse processo de luto. Não quero parecer insensível. Não deve existir dor pior que a perda de um filho. Mas agora está parecendo um pouco forçado.

Talvez o desenvolvimento do plot de Like Father, Like Daughter tenha começado a resolver esse problema da primeira-dama. Sim, vamos falar do quarto episódio agora! Chegamos a um ponto da temporada onde era preciso resgatar toda a ação que estava em segundo plano até então. Por isso, combinar a trama do videozinho erótico da primeira-filha com a da falsa acusação contra Jake foi uma estratégia super sacada. Até mesmo para que pudéssemos ver mais do Tom, que sempre esteve presente na série de uma forma silenciosa. Não, silenciosa seria equívoco. Digamos que de uma forma silenciosamente participativa.

Então vamos por partes. Apesar de serem dois plots completamente interligados, devem ser tratados separadamente. Para começar, a aparição da Karen (mesmo que interpretada por uma atriz diferente) em uma situação extremamente familiar serviu como um puxão de orelha tanto para Grant quanto para Mellie. Mas, acima de tudo, serviu como impulso para que o presidente tomasse uma posição e uma atitude a respeito do assassinato de Jerry. Afinal de contas, o confronto entre o primeiro-casal fez com que Fitz se livrasse do fardo de ser uma babá para sua esposa em luto. Novamente, eu não quero parecer insensível para com a primeira-dama, mas a morte do menino era um assunto inacabado e precisava ser trabalhado com urgência pelo presidente.

E é aí que entra o B613. A única coisa que ficou meio alheia nesse caso foi a facilidade de Jake ao requerer os arquivos que estavam em posse do David. Eu esperava que Rosen fizesse mais uso de tanta informação confidencial para desenvolver um caráter mais frio para que sua carreira ganhasse estabilidade enquanto o personagem entrava em conflito pessoal por se corromper através dos documentos sigilosos. Mas agora tudo isso foi por água abaixo porque Ballard pediu o brinquedo de volta e foi capturado por Papa Pope. De qualquer forma, o pai da Olivia vem consolidando sua participação no caráter político de Scandal. O que eu achei que teria fôlego apenas para uma temporada se tornou um fator de grande importância para a sobrevivência da série.

Até a lenga-lenga do romance entre Olivia e Grant me incomodou menos. Percebi que eu me peguei prestando atenção em cada cena onde eles mandavam aquela DR gostosa que não vai levar a série a lugar nenhum. Por isso, vou confessar que o reencontro deles como par romântico também aconteceu na hora certa e de uma forma orgânica, que fez sentido dentro da trama do episódio.

E a sensação geral que Like Father, Like Daughter me causou foi de que Scandal está de volta aos trilhos. Não somente por dar continuidade ao caso da morte de Jerry, que precisa de encerramento, mas também por não esquecer que Lizzie Bear está agindo mesmo quando não está em cena. Ou seja, a personagem de Portia ainda vai dar o que falar. E se esse episódio foi só o começo, estou otimista para o que vem pela frente.