Wynonna Earp, a falta de pretensão que funciona

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Wynonna Earp decide voltar à sua cidade natal, Purgatory, em seu aniversário de vinte e sete anos. A desculpa é um funeral de uma pessoa bem próxima, mas a verdade é que ela cansou de correr e decide lidar com a responsabilidade do legado dos Earps. Seu pai, cuja morte lhe foi responsabilidade, criou-a com o dever de lidar com a maldição que repousa sobre a cidade: Quando completasse vinte e sete anos, todos os espíritos malignos e renegados, que foram afastados pelo seu pai, retornariam ao mundo dos vivos para uma nova tentativa de conquistar a cidade.

Seu regresso também representa um reencontro com Waverly, sua irmã, de quem se manteve afastada nos últimos anos. As duas são marcadas pela morte de Willa, que era irmã mais velha e a verdadeira herdeira dessa luta contra criaturas não humanas. Mesmo que a ideia de colocar sua irmã em perigo lhe assuste, Wynonna percebe que precisará contar com sua ajuda. As duas, então, saem à caça para manter a paz na cidade. Ela conta, ainda, com a ajuda de Doc Holliday, amigo da família que luta com sua própria maldição, e o agente Dolls, que trabalha para o governo em um departamento que lida com incidentes assim.

Capas de algumas edições de Wynonna Earp, HQ na qual a série se baseou, escrita por Beau Smith.
Capas de algumas edições de Wynonna Earp, HQ na qual a série se baseou, escrita por Beau Smith.

A série é baseada na HQ criada por Beau Smith, lançada no final dos anos noventa em uma série limitada que contava com cinco volumes. Depois de alguns lançamentos por fora, a história em quadrinhos de Wynonna teve relançamento esse ano para acompanhar a produção televisiva. Assim como na tevê, a história de Beau combina elementos de velho oeste com horror. Ele ainda utiliza da figura histórica de Wyatt Earp, de quem Wynonna é tataraneta.

O desenvolvimento para a televisão ficou a cargo de Emily Andras, produtora de Lost Girls e Killjoys, que assina alguns roteiros. A primeira temporada foi ao ar pelo canal Syfy, entre abril e junho desse ano e contou com treze episódios, de pouco mais de quarenta minutos cada. A série foi renovada para sua segunda temporada, que, dessa vez, contará com doze.

Imagem retirada do relançamento da HQ Wynonna Earp onde Beau Smith conta sua experiência nos sets de filmagem.
Imagem retirada do relançamento da HQ Wynonna Earp onde Beau Smith conta sua experiência nos sets de filmagem.

A produção do Syfy toma liberdades, como em toda adaptação, mas se sai bem como complemento aos quadrinhos, e o humor afiado de seu roteiro ajuda a estabelecer sua história. É, aliás, o tipo de humor adequado à história que, se levada muito a sério, não conseguiria dialogar com o público. O bizarro das situações e das subtramas é levado dessa forma, sem tomar ares dramáticos demais. Wynonna debocha constantemente de suas missões, e isso é um bom auxílio para moldar sua personalidade diante da audiência e criar empatia por ela.

Melanie Scrofano como Wynonna é uma das razões principais para a produção ter dado certo. A atriz sabe transitar entre momentos cômicos e dramáticos e se mostra bem confortável no papel de alguém que luta contra suas maldições pessoais. O restante do elenco também está bem escalado, Shamier Anderson brinca com o charme e mistério de sua personagem, enquanto Dominique Provost-Chalkley sabe usar de uma Waverly contida para equilibrar as personalidades em tela. Tim Rozon, como Doc, vai de atitudes vilanescas a heroicas, sem que suas motivações soem forçadas. A química entre os atores é bem construída e o carisma disso é refletido durante os episódios.

As atrizes Melanie Scrofano, à esquerda, e Dominique Provost-Chalkley, à direita, protagonizam a série como as irmãs Earps.
As atrizes Melanie Scrofano, à esquerda, e Dominique Provost-Chalkley, à direita, protagonizam a série como as irmãs Earps.

Wynonna Earp pode não conquistar no Piloto, mas faz uma temporada divertida que sofre com o mal de ter muitos episódios e uma reviravolta/descoberta nos últimos que não contribui muito à trama, dando a impressão de que o roteiro está regredindo e se acovardando. Mesmo assim, a relação entre as irmãs é bem explorada, assim como a relação entre a protagonista e seu mundo.

Além do segundo episódio, que fecha bem a introdução da série, destaco o quarto, quando Wynonna precisa lidar com um espírito que coloca sua vítima em contagem regressiva para conseguir o perdão das pessoas que magoou, o sétimo, quando Waverly e Doc precisam lutar contra uma bruxa (Constance Clootie), que os deixa cercados, e o oitavo, quando Wynonna é sequestrada por um seria killer que de demônio só tem o pior lado do ser humano. O décimo também é interessante, mas acaba introduzindo o maior erro da temporada, quando a série decide ressuscitar personagens, e isso nunca faz bem ao enredo.

O final da temporada não deixa um gancho muito apelativo, e cada personagem já é introduzido ao que enfrentará em sequência. Jovem e divertida de forma despretensiosa, a série tem um público seletivo e nem todos se sentirão à vontade com sua proposta. A recepção foi positiva, e endosso a recomendação, principalmente se os aspectos mencionados figuram em sua watchlist ou se você está familiarizado com as produções do canal.

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#MêsDoHorror

sse post faz parte do projeto #MêsDoHorror que tem como objetivo falar, durante outubro, de séries de horror/mistério/fantasia que não tiveram textos aqui no SM no período de 01/10/2015 a 30/10/2016.

  • Michonne

    Adoro! Me lembra mto Buffy, guardadas as devidas proporções. Demônios, humor afiado, mulheres badass com armas! Tim Rozon tá mto bom como Doc Holliday e Melanie arrasa como Wynonna e posso dizer que é uma das minhas protagonistas preferidas!

    • Pq foi comentar isso? Agora deu vontade de ver!

      • Michonne

        hahahahaha nossa amava Buffy! Talvez seja por isso que curti bastante Wynonna…mas assim, como o reviewer falou a série é bem forçadinha, não vai agradar a todos. É aquele tipo de série que tu tem que relevar alguns fatores, relaxar e aproveitar

        • Tipo Buffy em várias partes, né. Mas minha série favorita até hoje! 🙂

          • vinland

            Nao acho que Buffy tinha partes para se relevar. Temos que considera a epoca da serie. Ate hj eu acho uma historia muito bem escrita, e nao e a toa que foi considerada uma das 50 series mais bem escritas de todos os tempos.

  • Rei Gelado

    Despretensiosa, personagens carismáticos (especialmente a protagonista) e situações pra lá de bizarras faz de Wynonna Earp uma das séries mais divertidas do ano.

    Mas é preciso passar do piloto, muita gente deve ter desistido depois assistir, até eu que curto esse tipo de série achei ruim demais… Mas vai melhorando de uma forma absurda.

    Vale muito a pena.

  • Pati Melo

    É bem divertida, bem no estilo que era Lost Girl com bons atores, e muito carisma, mas estória em si é bem fraca apesar de eu amar as personagens.