The Young Pope 1×06: Chapter 6

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Como medir forças contra um tirano que comanda a maior igreja do mundo? Nesse episódio de The Young Pope, percebemos que Belardo está trilhando um caminho repleto de polêmicas e permeado por decisões no mínimo questionáveis. E o que ele tem nas mãos que o respalda para fazer isso? O cargo que carrega a maior quantidade de capital simbólico do mundo!

Se a arrogância de Belardo já era gritante desde o início da série, evoluindo realmente para a incorporação de Deus na terra, nesse episódio o pontífice se imbui de uma confiança enorme para conseguir o que quer. Confiança essa, talvez recebida após a concepção de Esther, que, após as orações do episódio anterior, teve um filho, nomeado de Pio. Será que o Papa realmente teve algum tipo de influência nessa concepção? Além disso, não é curioso como todos afirmam, gostem ou não do sujeito, que o Santo Padre é realmente um homem santo? Me parece que em sua busca por Deus, Belardo atingiu uma bênção realmente muito grande, o que só torna os seus arroubos tirânicos mais contraditórios.

Mas Lenny Belardo é sujeito complexo e intrigante, que faz de seus demônios uma restrição para todos. Está em dúvidas sobre a existência de Deus? Então vamos seguir a palavra do Senhor à risca. Sente ou já sentiu algum tipo de atração pela freira que o criou? Vamos aumentar as barreiras para entradas de novos sacerdotes. De certa forma, a busca dele por Deus permeia a busca dele por uma orientação. Não nos esqueçamos do sonho que ele tem no primeiro episódio, onde ele parece querer e ter opiniões mais liberais sobre esses assuntos, mas os terrores das incertezas fazem com que ele se torne um sujeito oposto e absolutamente desprezível.

É nesse sentido que a conversa que Pio XIII tem com o Primeiro-Ministro italiano é importante. Enquanto o político pensa de uma forma muito coerente, calcado na realidade, o Papa joga com as cartas que ele tem à mão, todas baseadas em presunções. O problema principal é justamente o fato de que nenhum dos dois sabe se o que foi dito por eles se tornará realidade ou não, e o Primeiro-Ministro, como um bom político, não pode se dar ao luxo de correr esse tipo de risco, e enfrentar esse tipo de antagonista.

Dessa mesma forma o Santo Padre trata os monges da Ordem Franciscana, mostrando inclusive uma espécie de prazer em ameaçar, chantagear e se estabelecer como forte diante de um dos grupos de sacerdotes considerados como mais virtuosos da igreja. O voto de pobreza a que um monge Franciscano se submete, mostra que ele não está interessado no capital material ou no status, mas no bem do mundo.

Olhando novamente sob uma perspectiva política esse é o perigo que enfrentamos ao colocar um bully como líder de qualquer tipo de instituição, e de fato o discurso de Belardo se assemelha muito ao de Donald Trump na presidência dos Estados Unidos, uma infeliz coincidência que, contudo, representa um movimento crescente ao redor do mundo. Mais do que religião ou filosofia, The Young Pope parece ter pegado uma das mais tradicionais instituições do mundo para fazer uma espécie de cautionary tale. Por enquanto vem fazendo muito bem.